A Moça do Calendário


O cinema brasileiro é cheio de gemas que não recebem o reconhecimento que elas merecem. Todo ano são lançadas centenas de produções que deveriam ser assistidas por todos aqueles que apreciam a sétima arte, todavia, um público minguado toma tempo para assisti-las e elas acabam em obscuridade.

A Moça do Calendário se encaixa perfeitamente como exemplo do que me refiro acima, pois com seus comentários políticos, temas populares e comédia fria resulta em um ótimo trabalho e é simplesmente fantástico ao se apresentar de forma criativa e distinta, saindo do que se é esperado deste gênero cinematográfico.

Trailer

Dirigida por Helena Ignez, conhecida principalmente pelo seu papel como Janete Jane em O Bandido da Luz Vermelha, celebrado filme brasileiro que teve um grande impacto no cinema nacional, conta a história de Inácio (André Guerreiro Lopes), um personagem muito próximo do povo brasileiro: preso a um trabalho que não o satisfaz, sem dinheiro para realmente viver a vida e com ganas de beber para esquecer dos problemas… 
Inácio, apesar de apresentar características às vezes um pouco desagradáveis, ainda é um personagem que os espectadores conseguem facilmente se relacionar.


A trama apresenta um roteiro fortemente político onde mesmo que você não concorde com as opiniões presentes ali, ainda assim prenderá sua atenção com linhas interessantíssimas

Não há apenas uma linha de história. Seu começo apresenta a moça do calendário (Djin Sganzerla), o catalisador de todos os sonhos de Inácio, onde todos os problemas dele desaparecem e ele pode ficar com a mulher perfeita de seus sonhos. Porém, logo percebe-se que mesmo neste mundo imaginário perfeito, o trabalhador tem felicidade plena e revela problemas pessoais que quer melhorar mas ao mesmo tempo acha que está perfeitamente bem.

Apesar do longa ter uma idéia de filmes “fatia de vida”, A Moça do Calendário realmente vai de um bom filme para um ótimo filme com às suas cenas surrealistas, onde a luta interna do personagem principal é demonstrada plenamente e onde muitas pessoas vão perceber que os sentimentos que elas que elas sentem sobre si mesmo são mais comuns do que elas imaginavam. Inácio não é simplesmente alguém procurando realização pessoal, mas também alguém que vê um ideal próprio que ele nunca vai alcançar. Essas cenas fazem o espectador prestar a atenção e pensar no que exatamente elas estão vendo, e pela natureza agitada delas, fazem o filme ser muito mais excitante.



Ficha Técnica 
Direção: Helena Ignez. Roteiro Original: Rogério Sganzerla. Roteiro Adaptado: Helena Ignez. Elenco: Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes, Mário Bortolotto, Zuzu Leiva, Claudinei Brandão, Eduardo Chagas, Naruna Costa e Barbara Vida. País: Brasil.Ano: 2017. Diretora Assistente: Michele Matalon. Direção de Fotografia e Câmera: Tiago Pastoreli. Montagem: Sergio Gagliardi. Direção de Arte: Fabio Delduque. Figurino: Sonia Ushiyama. Seleção Musical: Helena Ignez. Narração: Helena Ignez. Produção Executiva: Sinai Sganzerla. Direção de Produção: Michele Matalon. Produção e realização: Mercúrio Produções. Co-Produção: SPCINE. Distribuição: Pandora Filmes. Classificação: 16 anos. Duração: 86 minutos. 

Não perca mais uma gema brasileira, pois será uma pena. 

Hoje nos cinemas

Por
Lucas P Marques da Silva

Escrito por staff

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