Não Mexa Com Ela, de Michal Aviad


Infelizmente, assédio moral e sexual ainda é algo muito comum no mundo e pode acontecer tanto em locais de diversão como também no trabalho e com certeza com ambos os sexos. Puxando esse fio, a cineasta israelense Michal Aviad (Dimona Twist) chama atenção da sociedade para o tema no seu mais recente longa 'Não Mexa Com Ela'. Na trama, Orna (Liron Ben-Shlush) é uma mãe de três que está começando a trabalhar no ramo imobiliário para Benny (Menashe Noy), um senhor riquíssimo e muito poderoso. Casada com um chefe e dono de restaurante  (Oshiri Cohen), a mulher acaba se destacando nas vendas e é promovida rapidaente, o que a faz ter a maior renda no grupo familiar já que os negócios do marido ainda estão muito no começo. O que ela não esperava era que Benny fosse se comportar de um forma manipuladora e avançasse o limite entre patrão e funcionária.

A produção foi indicada a cinco prêmios na Academia de Filmes Israelenses, entre eles, melhor filme, melhor roteiro, melhor atriz, melhor ator coadjuvante e melhor figurino e estreou esta semana nos cinemas brasileiros com distribuição da PAGU PICTURES.


Trailer

Ficha Técnica
Título original e ano: Isha Ovedet, 2018. Direção: Michal Aviad. Roteiro: Sharon Azulay Eyal, Michal Vinik, Michal Aviad. Elenco: Liron Ben-Shlush, Menashe Noy, Oshri Cohen, Irit Sheleg, Dorit Lev-Ari, Gilles Ben-David, Corinne Hayat . Nacionalidade: Israel. Gênero: Drama. Direção de Fotografia: Daniel Miller. Assistente de Direção: Jonathan Rozenbaum. Edição: Nili Feller. Figurino: Keren Eyal Melamed. Designer de Som: Aviv Aldema. Produção: Amir Harel, Ayelet Kait. Produção Executiva: Moshe Edery, Leon Edery . Distribuição: PAGU PICTURES. Duração: 93min
Quando a trama se inicia, vemos Orna adentrar o carro do esposo e mencionar que conseguiu a vaga de emprego e que acredita estar indo na direção certa, pois vai aprender muito. Se torna então o braço direito do dono da empresa, após conseguir clientes para a compra de apartamentos que estão em construção.

Aos poucos o patrão vai demonstrando que está encantando por ela e a enche de elogios. Enquanto isto, o marido está tentando fazer o seu restaurante ter clientela e também resolver questões legais com a prefeitura. 

Com a dedicação de Orna, Benny entende que promovê-la e dar mais poder à ela é de seu merecimento. A ensina tudo e está a todo tempo que pode com ela no telefone, até em horários inapropriados. Ainda que casado dá em cima da mulher e, claro, ela se retrai e não concorda com a atitude. Apesar de pedir de desculpa e falar que não ocorrerá de novo, Benny continua fazendo comentários sobre a aparência de Orna e a acumulando de trabalho. Também não demora e descobre a situação do marido e o ajuda.  Mas ao terem de viajar juntos à França para fecharem um acordo grande da venda de diversos apartamentos localizados a beira mar, o patrão ultrapassa qualquer limite e a Orna precisa decidir o que fazer com as atitudes abusivas deste. Além disso, as reações dele as escolhas dela a colocam em um cerco limitado e a relação de Orna com o marido também fica balanceada.

A narrativa construída convence e não há um minuto sequer que o personagem de Menashe Noy não lhe dê nojo. Sua interpretação de um homem abusivo que se vende de 'bonzinho' e que ajuda os outros, para se mostrar um verdadeiro lobo mal, é incrível. A protagonista, papel de Liron Ben-Shlush, é todo o tempo correta e guerreira. Tenta não chamar a atenção e é dedicada em seu trabalho. Apesar de estar atribulada, ama o marido e os filhos e quando tenta conversar com a mãe sobre os ocorridos fica constrangida, pois a mãe apenas sai de perto e fala que 'as pessoas cometem erros'. O marido também não entende como ela deixou que qualquer tipo de abuso ocorresse e Orna, como vítima, não sabe bem explicar também porquê - algo compreensível já que não é ela que deve respostas mas sim seu abusador. E esse outro lado não se acha 'errado' por nenhum momento, pelo contrário, ele delira e entende seus passos como algo bom para a empresa.

Michael Aviada escreve o roteiro em parceria com Sharon Azulay Eyal e Michal Vinik e recebemos um texto impressionante e preciso. Sua direção é voltada para a vítima na história, Orna, mas enaltece os coadjuvantes e o vilão também. Há delicadeza no contar do sofrimento da personagem e o longa não escolhe exatamente a deixar como vítima, mas como uma mulher que sabe o que quer e que pode sair de situações assim e vencer seus obstáculos.

 A fotografia varia de tons escuros para claros conforme a tensão vai crescendo e a mudança do estilo de Orna também é gradual. Ela adentra o enredo uma mulher comum e se torna uma mulher de negócios. As atuações de Liron, Menashe e Oshiri são precisas e o filme é grande com elas.


IMPERDÍVEL!

Avaliação: Três vontades de vencer na vida e oitenta e cinco homens abusivos  (3,85/5).

EM CARTAZ

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PS: Na trama, ninguém no local de trabalho identifica o comportamento de Benny como 'abusivo' e é importante que todos saibamos entender essas situações. Assim, para informações sobre assédio moral, acesse aqui a cartilha do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) lançadas em maio deste ano no 'Dia de Combate ao Assédio Moral'.
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See Ya!

B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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