Delicioso - Da Cozinha Para O Mundo | Hoje nos Cinemas


Deliciex, dirigido por Eric Besnar, que assina o roteiro ao lado de Nicolas Boukhrief, é como o próprio título já diz: delicioso! Exibindo o mundo gastronômico e fazendo nossos olhinhos brilharem, a produção é rica em detalhes, pois apresenta closes estratégicos no preparo dos pratos. Logo, vai deixar qualquer amante da alta gastronomia apaixonado pela íncrivel cozinha francesa.

O filme nos faz viajar. Estamos na França no ano de 1789, pouco antes da famosa Revolução que culminaria com a Queda da Bastilha. A nobreza, confinada entre os muros dos suntuosos castelos, se delicia com a multiplicidade e fartura de pratos. A burguesia se empanturra e se deleita com orgias regadas a bons vinhos, enquanto os camponeses morrem à mingua, recorrendo ao furto para saciar a fome. 
Trailer


Ficha Técnica
Título original e ano: Délicieux, 2021. Direção: Eric Besnar. Roteiro: Eric Besnar e Nicolas Boukhrief. ElencoGrégory Gadebois, Isabelle Carré, Benjamin Lavernhe, Christian Bouillette, Lorenzo Lefèbvre, Marie-Julie Baup, Laurent BateauGênero: Drama, Comédia, História. Nacionalidade: França e Bélgica. Trilha Sonora Original: Christophe Julien. Fotografia: Jean-Marie Dreujou. Edição: Lydia Decobert. Figurino: Madeline Fontaine. Distribuição: Playarte Pictures. Duração: 01h52min.
Pierre Manceron (Gregory Gadebois), é o cozinheiro (ainda não era usado termo chef) que servia fielmente ao arrogante Duc de Chamfort (Benjamin Lavernhe) e seus convivas. O Duc exigia que seu cardápio fosse seguido à risca, sem inovações. Marceron contava com a ajuda do filho Benjamin (Lorenzo Lefebvre), jovem liberal, amante dos livros e interessado nas novas ideias de igualdade e poder ao povo. Até que o cozinheiro decide colocar sua criatividade em prática e serve uma iguaria feita com primor, preparada com massa folhada, trufa e batatas, um pequeno aperitivo denominado "Delicieux". O evento seria de vital importância, pois se bem sucedido significaria seu passaporte para Paris e a oportunidade de cozinhar para a realeza. Entretanto, o homem não se ateve ao detalhe que batatas era um alimento usado pelos camponeses para saciar a fome em áreas de solo pobre e infértil. Uma ofensa servir isto para um nobre.

O Duc exige que ele se retrate, mas ele recusa a se desculpar. Humilhado e expulso do palácio, Manceron e o filho voltam a viver na estalagem, na companhia do idoso Jacob (Christian Bouilette), se alimentando da mesma sopa que é servida aos viajantes. O cozinheiro perde o prazer de cozinhar, até surgir uma mulher misteriosa que insiste em pagar para ser sua aprendiz. Mas até então, cozinhar era tarefa masculina. 

"Me ensine e o prazer voltará!"

Relutante a princípio, o cozinheiro aceita treiná-la. Louise (Isabelle Carré) diz que trabalhava fazendo geleias, mas logo sua falta de habilidade denuncia a mentira. Ela, então inventa que foi prostituta e se deu bem. Manceron até tenta alguma investida ousada, mas a moça se impõe. Benjamin e Louise lançam a ideia de servir algo mais elaborado que apenas sopa insossa e logo a clientela começa a surgir. O Duc fica sabendo e manda que se cobre altos impostos.

"O que faz o mundo girar é cada um ficar em seu lugar, caso contrário seria o caos."

Todavia, o nobre também sente falta da cozinha requintada do cozinheiro e propões uma segunda chance de retratação. Deveria ser preparado um farto banquete com iguarias definidas por ele para ser servido a comitiva que passaria em alguns dias. Os preparativos estão a todo vapor, quando um grave acidente ceifa a vida de Jacob. Triste e indignado, Benjamin culpa o pai por ter trocado a liberdade para ser novamente um lacaio do Duc. É quando um incêndio irrompe ferindo as mãos de Manceron. Agora depende de Louise o bom andamento dos pratos. 

As belas imagens das mesas postas inspiradas nas obras dos grandes pintores são perfeitas

A partir deste ponto, o aspecto político fica mais explícito. Toda verdade sobre a misteriosa mulher vem à tona e a trama ganha mais dinâmica e interesse. Benjamin lança as bases do que seria um restaurante e incentiva o pai a encarar sua própria revolução pessoal.

"O mundo está mudando, então mude com ele."

O cozinheiro vislumbra um salão com mesas individuais, não mais um bufê, onde cada um poderia comer no seu ritmo e saborear o momento. Um lugar para viver! - A fotografia do filme é primorosa nos detalhes de época alternando a riqueza da burguesia com o ar bucólico dos campos franceses. As cenas de preparação dos alimentos lembram obras como "A Festa de Babete" e "Chocolate". Um primor que abre o apetite. 

"Bastões de batata. Achei que poderia cortar no comprimento e fritar no óleo.
Nada mal, mas é feio... Nunca vai funcionar.
Foi só uma ideia!"

Com o Iluminismo, a sociedade se voltou para a importância do alimento e as tabernas, local de bebidas perderam espaço para lugares criados para servir comida. A França se tornou pioneira na área. Assim, o filme cria a trama fictícia de como surgiu o primeiro restaurante de maneira bem divertida e charmosa. Uma fábula gastronómica bem convincente. Delicieux é o título perfeito!

HOJE NOS CINEMAS!

Escrito por Helen Nice

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