O Atalante | Belas Artes À La Carte


Consagrado pela crítica como um dos melhores filmes de todos os tempos, O Atalante, chega esta semana ao cardápio do Belas Artes À La Carte.

Atalante quer dizer ''desejo intempestivo de possuir alguma coisa''. 

Ao receber o roteiro escrito por Jean Guinée sobre moradores das barcaças, tema muito em voga nas músicas e filmes da época, o diretor Jean Vigo decidiu filmá-lo, mas não sem antes fazer modificações. Juntamente com Albert Riéra, ele reescreve o texto e transforma uma simples história de amor em um marco do Realismo Poético, criando uma das mais belas obras do cinema francês.

A versão original foi cortada pela companhia Gaumont ficando com apenas sessenta e cinco minutos de duração e seu título foi alterado para "Le Charland qui passe", nome de uma canção muito famosa na época, que, por sua vez, também foi inserida no filme, na tentativa de agradar crítica e público. A produção, que teve um orçamento equivalente e um milhão de francos, não estava saindo a contento, estourando o orçamento e obrigando o diretor a criar partes em estilo documental, como na cena em que uma das personagens procura emprego.

Quando lançado oficialmente, em setembro de 1934, o filme não foi bem aceito pela crítica. Na sua estréia oficial, o diretor que já apresentava uma saúde debilitada e enfrentava a tuberculose, morreu, com apenas vinte e nove anos de idade. Sua filmografia composta por três outros títulos e este que viria a ser seu único longa metragem caíram no esquecimento. Apenas no período da Segunda Guerra Mundial a obra foi redescoberta, restaurada e relançada em Nova York em julho de 1947, recebendo então o merecido reconhecimento da crítica.

Uma curiosidade sobre o roteiro: na versão original, a personagem de Père Jules possuía um cão que Jean Vigo substituiu por vários gatos de rua fornecidos pela Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais, por ele próprio ter memória afetiva de sua infância com gatos.

A história começa com a cena da saída da igreja dos recém casados Jean (Jean Dasté), capitão da barcaça L'Atalante, e sua noiva, a jovem Juliette (Dita Parlo). Os noivos e a comitiva de convidados, pais e padrinhos caminham em direção às docas onde o barco está ancorado. Essa cena foi filmada em plano sequência nas ruas da comuna de Maurecourt.

A tripulação composta pelo imediato, o desajeitado catlover, Père Jules (Michel Simon), e o grumete (Louis Lefebvre), está em polvorosa com a chegada da "patroa".

A lua de mel será também uma viagem de trabalho até Paris, onde devem entregar sua carga. Desde o início já se percebe as diferenças entre o casal e a vida confinada e monótona a bordo irá acentuar isso. Situações estranhas acontecem e Jean demonstra seu ciúmes doentio, quebrando coisas e discutindo com a esposa.


Ficha Técnica
Título original e ano: L'Atalante, 1934. Direção: Jean Vigo. Roteiro: Jean Guinée, Albert Riéra, Jean Vigo. Elenco: Dita Parlo, Jean Dasté, Gilles Margaritis, Louis Lefebvre, Maurice Gilles, Raphaël Diligent. Gênero: Comédia, Drama, Romante. Nacionaliade: França. Trilha Sonora Original: Maurice Jaubert. Fotografia: Boris Kaufman. Edição: Louis Chavance.  Direção de arte: Francis Jourdain.  Duração: 01h29min. 

Um dia a moça conta uma historinha sobre mergulhar a cabeça na água e ter a visão daquele que será seu amado e diz que já o tinha visto. Jean faz piadas, mas fica com aquele comentário na cabeça.

Juliette está ansiosa para chegarem à Paris e fica decepcionada por não poder desembarcar de imediato. A rotina começa a pesar. Para compensar, Jean a leva para dançar, onde a moça é cortejada por um vendedor ambulante, criando um clima desagradável. Aliás, a mulher quer conhecer a vida agitada da cidade e foge do barco. Ao perceber o sumiço da esposa, o capitão irritado decide levantar âncora e zarpar, deixando-a em terra.

De volta ao porto, Juliette não encontra mais o Atalante e corre desesperada para tentar comprar uma passagem de trem até a próxima parada. Entretanto, sua bolsa é roubada e ela é obrigada a tentar arranjar um trabalho para sobreviver. O sentimento de culpa os persegue e a saudade dilacera suas vidas. Jean, em visível estado de depressão, quase perde o emprego. A cena em que ele mergulha nas águas do rio tentando ver sua amada é de um lirismo profundo. O homem tem a visão da esposa em seu vestido de noiva.


Percebendo o jeito desesperador no qual o patrão se encontra, Père Jules decide ir à procura da moça para que tudo volte ao normal. Ele a encontra, a traz de volta ao barco e salva o casamento. A música do fonógrafo recém consertado preenche tal cena.

A fotografia em preto e branco, com uma história linear e simples, confere a este filme um ar bucolico e romântico. A composição do cenário com casinhas à margem do rio, os detalhes no interior do barco, as peças de decoração, os tesouros no quarto de Père Jules, as cenas com os gatos , tudo isso são verdadeiras preciosidades.

"O Atalante" aborda os problemas de adaptação a vida de casado de duas pessoas completamente diferentes sendo obrigadas a conviver em um espaço restrito, sem moradia fixa, enfrentando as dificuldades desta vida itinerante. Talvez a riqueza da obra se esconda na simplicidade de uma época e na originalidade de sua poesia. Uma pena que o diretor não pôde ver sua obra ser reconhecida.

Um excelente indicação para os amantes dos clássicos.
                                           
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Escrito por Helen Nice

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