quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O Paraíso É Agora | Belas Artes À La Carte

 
O conflito entre Israel e Palestina existe há muito mais tempo do que qualquer pessoa gostaria de reconhecer. Não entrando no mérito de qual dos dois povos possui o real direito sobre o território o qual reclamam, é impossível ignorar a crise humanitária resultada de tal situação. Em especial nos últimos anos, é particularmente desafiador não se incomodar com a falsa simetria usada para se referir à questão. Enquanto Israel se estabeleceu como um nome influente geográfica, cultural e politicamente, o povo palestino foi perseguido e deixado à própria sorte em condições precárias e desumanas.

Este é o cenário de O Paraíso é Agora, celebrado e premiado longa do diretor palestino Hany Abu-Assad. Na trama, dois amigos de infância, Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman), são recrutados para realizarem um ataque suicida em Tel Viv. O longa mostra os homens-bomba cooptados pelas forças terroristas como jovens comuns e simpáticos que simplesmente tentam ganhar suas vidas, ao contrário de outras obras (principalmente estadunidenses) que tratam desta temática de forma convenientemente maniqueísta. Tal perspectiva fez com que o filme fosse duramente criticado e sofresse ameaças de boicote, em especial quando recebeu uma indicação ao Oscar, por supostamente encorajar atentados terroristas. Mas esta é uma leitura muito pobre e enviesada desta obra tão envolvente. Said e Khaled não são fanáticos religiosos irracionais que querem subjugar quem não vive de acordo com suas crenças: são apenas pessoas simples que são levadas a um caminho questionável devido ao contexto em que vivem.


Ficha Técnica
Título original e ano: Paradise Now, 2005. DireçãoHany Abu-Assad. Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer, Pierre Hodgson. Elenco: Lubna Azabal, Hamza Abu-Aiaash, Kais Nashif, Lutuf Nouasser, Ali Suliman, Mohammad Bustami, Ahmad Fares, Waleed On-Allah. Gênero: Drama,policial, suspense. Nacionalidade: Território Palestino Ocupado, França, Israel, Países Baixos e Alemanha. Trilha Sonora Original: Jina Sumedi. Fotografia: Antoine Héberlé. Edição: Sander Vos. Direção de Arte: Bashir Abu Rabi'a. Figurino: Walid Mawed. Design de Produção: Olivier Meidinger. Duração: 01h31min.

A visão aprofundada e humana da realidade vivida pelos personagens de O Paraíso é Agora proporciona uma construção cheia de nuances e camadas. Said nasceu num campo de refugiados e perdeu o pai ainda criança, morto após ser acusado de traição por trabalhar em colaboração com Israel. O jovem cresceu sentindo na pele as dores da opressão israelense e tem coerentes motivações ideológicas para considerar o Estado de Israel como um inimigo. É um trauma geracional compartilhado por ele e toda a sociedade onde vive. Contudo, esta não é uma postura apenas de certezas. Existe limite para a busca por propósito? Como levantar sua voz contra seus opressores após uma vida de silenciamento? Tanto Said quanto Khaled têm famílias amorosas e empregos triviais, vidas razoavelmente agradáveis das quais não querem abrir mão. Ao passo que atendem o chamado ao dever, suas raízes os lembram que as promessas vazias de recompensas gloriosas na vida após a morte não passam disso: promessas vazias. Tal fato é enfatizado pela chegada da decidida e independente Suha (Lubna Azabal), filha de um finado líder da resistência palestina. Após morar anos no exterior, ela volta para a Palestina e se depara com uma realidade totalmente diferente de sua vivência privilegiada. Ela é o perfeito complemento a Said, questionando opiniões nas quais ele acreditou a vida inteira como fatos e oferecendo algo que ele nunca pôde se dar ao luxo de ter: uma escolha.

O Paraíso é Agora é um filme precioso. Ousa encontrar beleza e até mesmo graça numa realidade tão dura e brutal. É bem-sucedido em criar um ambiente acolhedor e espirituoso que faz o público se encantar e se identificar com a dupla de protagonistas, tornando-os personas críveis e complexas, presas num tocante conflito moral e emocional. A resiliência deles causa emoção e, ao mesmo tempo, perplexidade. O final ambíguo é quase um alívio, dando margem para uma conclusão otimista para a história destes personagens tão encantadores. Ao menos na ficção, é possível visualizar um final feliz para eles.

                                             Cardápio Semanal: 17.02.22 - Programa 111

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