quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Infinite Icon: Uma Memória Visual

 
A herdeira da rede de hotéis "Hilton", Paris, é a estrela de um novo documentário biográfico que revisita, de forma sucinta, sua trajetória, enquanto se prepara para performar o show de seu recente disco pop, "Infinite Icon". Famosa na mídia desde os anos 2000 por sua vida noturna intensa e por circular ao lado de Britney Spears, Lindsay Lohan e outras celebridades da época, Paris ganhou ainda mais notoriedade ao protagonizar o reality show “The Simple Life” (Canal E!, 2003–2007), ao lado de sua amiga de infância Nicole Richie, filha do cantor Lionel Richie. Além de participações em filmes e séries diversas - como "Zoolander", de Ben Stiller (2001), e "The O.C.: Um Estranho no Paraíso" (2004). Paris também estrelou o terror “A Casa de Cera” (2005), dirigido por Jaume Collet-Serra.

O filme “Infinite Icon: Uma Memória Visual” ganhou distribuição no Brasil pela Sato Company e promete agradar aos fãs da celebridade. Ainda que apresente um texto que reflete sobre saúde mental e a pressão que Paris enfrenta com a fama, o documentário não consegue, exatamente, desconstruir a imagem de garota rica sem talento consistente para a música. Afinal, o show apresentado apoia-se majoritariamente em faixas pré-gravadas e, como bailarina, ela tampouco alcança impacto, especialmente quando comparada à amiga Britney Spears, que vira e mexe chama a atenção nas redes sociais com performances controversas para extravasar emoções.

Paris declara que sofre dores nas costas, é do grupo do TDAH (inclusive lançou uma música sobre o tema), relembra os abusos vividos em um colégio interno para o qual foi enviada pelos pais e afirma ter sido intensamente explorada pela mídia, algo que, paradoxalmente, também soube aproveitar, sem nunca assumir plenamente seu “mea culpa”. Ela também aborda o episódio que a tornou ainda mais famosa: o vazamento de sua sextape pelo então namorado.

A história é narrada em capítulos por sua voz característica de “garota mimada”, enquanto, visualmente, o filme é preenchido por corações, rabiscos e efeitos gráficos que ressaltam sua afeição pelas amigas, como a cantora e compositora Sia, e pelas pessoas que trabalham com ela na gravação e produção de seus discos ou ex-diretores de seus clipes e propagandas. Em certo momento, chega a corrigir fala equivocada de um deles sobre Lindsay Lohan e se mostra bem consciente do erro cometido por ele. Eleva bastante a comunidade LGBTQ+, quase seu público por completo.


Trailer



Ficha Técnica

Título Original e Ano: Infinite Icon: A Visual Memoir, 2026Direção: Bruce Robertson e JJ Duncan. Com. Roteiro: Bruce Robertson. Com: Paris Hilton, Sia, Carter Reum, Meghan Trainor. Gênero: Biografia, Música, Documentário. Nacionaldiade: Estados Unidos. Produção: Bruce Robertson, JJ Duncan, Omar Lagda, Megan Jacobi e Joanna Studebaker. Edição: Angus Emmerson e Chris Porthouse. Departamento de Som: Jenny Green. Departamento de Cor: Gerrad A. Holtz. Produção Executiva: Paris Hilton, Bruce Gersh, Jun Bang, Don Savant, Paul Hyo Kim e Greg Drobnick. Empresas Produtoras: 11:11 Media e CJ 4DPlex. Distribuição: Sato Company. Duração: 01h58min.

Paris lançou seu primeiro album em 2006. A canção "Stars Are Blind" (algo como "as estrelas são cegas" em português) a jogou nas rádios e nas listas de músicas mais tocadas. O disco também possui um regração de Rod Stewart, a pop "Do You Think I'm Sexy?". Seu instituto visual, a fez realizar inúmeros videos musicais de seus trabalhos no pop, mas nada que criasse uma DIVA ou um "Ícone" de verdade. Destaca, inclusive, como a "música" é importante para sua vida e como desde criança tem contato com esse universo, pois é o que sempre quis fazer.

A fama e a pressão para cantar fazem a loira cair em prantos diversas vezes ao longo do documentário. O filme, aliás, já se inicia com choro. Ela reflete bastante sobre como sempre foi julgada e como ainda é. Mesmo assim, não deixa de informar a quem assiste que também faturou cifras consideráveis como DJ, função que talvez exerça com mais precisão do que ao soltar a voz.

Suas canções, que ela afirma amar em cada uma de suas letras, tendem a revelar momentos e dores de sua trajetória. Ela também conta como Madonna é uma referencia e como “Vogue”, uma de suas músicas mais emblemáticas, a ajudou a compreender sua vida notívaga e a construir seu “eu” musical. Conta também que Princesa Diana e Grace Kelly são mulheres que a inspiram.

O filme não apresenta nenhum parente além do marido, Carter Reum, com quem é casada desde 2021, e exibe, em algumas cenas, os filhos pequenos - fase mais recente de Paris. Tal escolha deixa claro como a família prefere manter distância das questões midiáticas nas quais ela se envolve.

Crédito de Imagens: 11:11 Media e CJ 4DPlex - Sato Company, Divulgação
A autora do livro "Toxic: Women, Fame and The Tabloid 2000's", Sara Ditum, aparece no filme refletindo sobre a crueldade que as famosas passaram no passado

O filme tenta transmitir uma mensagem de autoajuda didática, mas acaba escorregando em uma vitimização sem fim. É evidente que as pessoas são cruéis e julgam cada passo dado pela herdeira nos últimos 25 anos, mas, para alguém que usufruiu da fama como bem quis, o resultado soa cafona e, por vezes, desequilibrado.

Sentada diante de uma tela, revendo cenas do passado, por exemplo, ela surge com um figurino caricato das patricinhas norte-americanas: um conjunto de moletom rosa digno de Regina George em Meninas Malvadas (Mark Waters, 2004).

Paris agradece repetidamente aos fãs e afirma que não seria nada sem aqueles que vão a seus shows e a acompanham nas redes. Ainda assim, o discurso soa um tanto hipócrita para alguém que também faz questão de ressaltar sua faceta empresária e seus inúmeros investimentos, sem esquecer, claro, o peso do sobrenome que carrega.

Este não é o primeiro filme sobre Paris Hilton. Em 2020, Alexandra Dean dirigiu outro documentário que apresentava um recorte distinto da herdeira, talvez até mais bem construído. This Is Paris está facilmente disponível no YouTube, já que foi uma produção original da plataforma.

HOJE NOS CINEMAS

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