No Brasil, é comum que pais e mães, quando grávidos, comprem a camisa do time do coração logo no nascimento de seus filhos. No Clube de Regatas do Flamengo, um dos maiores, senão o maior clube do país, essa tradição é quase um ritual. Ainda assim, muitos desses pequenos torcedores crescem sem conhecer a fundo a história do time ou de quem o transformou em gigante. É ai que entra: Arthur Antunes Coimbra, o Zico, nome consagrado entre gerações mais antigas, mas que nem sempre tão presente entre os mais jovens. E nesse contexto se faz importante o documentário "Zico - O Samurai de Quintino" estrear nas telas. O longa surge como uma ponte entre passado e presente, apresentando a trajetória do jogador a novas plateias. Algo que para muitos fãs revela uma história extraordinária, daquelas que, sem dúvida, merecem destaque, e para o jornalismo, engrandece uma jornada exemplar e que merece todo respeito.
Com direção de João Wainer e distribuição da Downtown Filmes, o filme faz com que o público entre dentro da casa do craque, conheça sua esposa, Sandra Carvalho, seus filhos, Júnior Coimbra, Bruno de Sá Coimbra, Thiago de Sá Coimbra, e também seus netos. Momentos raros da vida pessoal de Zico são vistos, como sua escolha por se casar cedo para se manter firme ao adentrar o mundo do futebol, além da relação com os filhos e o que eles tem para falar do pai, que precisou ficar muito tempo fora, muitas vezes, viajando para os jogos, e longe deles. Zico também aparece em um espaço que é similar a um "Hall da Fama" particular, um local simples, mas dedicado a seus prêmios e etc, onde joga "futebol de botão" com jornalistas, radialistas e amigos da imprensa ou ainda recebe os jogadores Ronaldo Fenômeno e Maestro Júnior e ainda o técnico Carlos Alberto Parreira para falar de sua trajetória no Flamengo e na Seleção Brasileira e de sua caminhada como um todo.
De aparência franzina, mas forte, ainda garoto, Zico sempre foi o jogador capaz de construir e decidir partidas. No rubro-negro, atuou de 1971 a 1983, acumulando inúmeras vitórias e superando muitos desafios. O clube também foi o palco de sua aposentadoria, em 1989, após retornar em 1985, depois de uma passagem pela Udinese Calcio. Pela Seleção Brasileira de Futebol, não conquistou o sucesso esperado e viveu fases em que sequer foi convocado, mas disputou as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986. Já nos anos 1990, o atleta voltou aos gramados para atuar no Kashima Antlers, no Japão. Com o tempo, criou uma forte ligação com o país e com a comunidade local, chegando a ser técnico da Seleção Japonesa de Futebol, em 2002, e mantendo-se sempre próximo das áreas técnicas dos clubes japoneses. Natural de Quintino Bocaiúva, bairro do Rio de Janeiro, Zico tornou-se um verdadeiro “samurai”: alguém que sempre demonstrou honra e dignidade, sendo merecedor de toda homenagem por sua incrível dedicação em tudo o que fez.
Crédito de Imagens: Miguel Vassy, Downtown Filmes - Divulgação
O documentário contou com pré estréias super antecipadas em Recife, Brasilia, Rio de Janeiro e São Paulo e Zico marcou presença em todas as ações
A presença relevante e imensurável de Zico no futebol brasileiro, no Flamengo e também em equipes no Japão revela um homem apaixonado pela família, pelo esporte e bastante consciente das dores e das belezas de sua trajetória. Durante os anos de chumbo da ditadura, ele e o irmão se viram vítimas, diretas e indiretas, daquele período tão sombrio, e, mais uma vez, o filme presta um importante serviço ao público que o assiste. Afinal, ao ouvir um ídolo reconhecer que tempos difíceis existiram e que muitas pessoas sofreram, talvez alguns passem a refletir melhor sobre o passado. A política também se faz presente no filme de forma quase onipresente, por meio de comentários e relatos de diversas situações vividas pelo jogador ao longo de sua carreira, desde momentos em que não foi escolhido para determinados times até decisões como atuar fora do Brasil.
O estilo do filme é simples, construído a partir de conversas despretensiosas, imagens de arquivo, fotografias e depoimentos de Zico em diferentes cenários do Rio de Janeiro e Japão, além de momentos em que aparece jogando futebol com os netos. Essa simplicidade está presente em todos os aspectos da obra, mas não impede que se compreenda a beleza da trajetória do atleta, nem como seu caráter e sua força ajudaram a moldá-lo como uma figura tão importante para o esporte mundial.
João Wainer é diretor, fotografo e roteirista. Tem trabalhos em séries (Meu Ayrton, por Adriane Galisteu, 2025), videoclipes (Funk Rave, de Anitta, 2023) e foi responsável pelos filmes "Bandida" (2024) e "A Jaula" (2022). Sua filmografia, como um todo, revela um percurso consistente e cada vez mais impressionante, e este trabalho é mais um exemplo disso.
Trailer
Ficha Técnica
Título original e Ano: Zico, O Samurai de Quintino, 2026. Direção: João Wainer. Roteiro: Thiago Iacocca. Participações Especiais: Zico, Sandra Carvalho, Maestro Júnior, Paulo César Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno, José Carlos Araújo, Júnior Coimbra, Bruno de Sá Coimbra, Thiago de Sá Coimbra. Gênero: Documentário. Nacionalidade: Brasil, Japão. Fotografia: Miguel Vassy. Trilha Sonora Original: Tejo Damasceno. Supervisão de Som e Mixagem: Eduardo Hamerschlak e Israel Vieira.Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto. Montagem: André Felipe Silva e João Wainer. Produção: André Wainer, Bruno Tinoco, Gabriel Wainer, Luiz Porto, Pedro Curi. Produtores Associados: Bruno Wainer, Raul Schmidt, Nathalie Felippe. Produção Executiva: André Wainer, Camila Villas Boas, Luiz Porto. Coordenação de Produção: Julia Duarte e Catherine Beranger. Story Producer: Márvio dos Anjos. Diretor de Produção: Thiago Galdino. Pesquisa de Imagens: Julia Oliveira e João Rosas. Identidade Visual: Renato Forster. Patrocinio Master: Sicoob. Patrocínio: Austral/Re, Tim. Apoio: BRDE, FSA, Ancine. Coprodução: Globo Filmes, Sportv, Pontos de Fuga e Investimage. Produção: Vudoo Filmes e Guará Entretenimento. Distribuidora: Downtown Filmes. Duração: 01h43min.
Fã ou não do Flamengo, gostando ou não de futebol, conhecer trajetórias de luta como a de Zico, um samurai inigualável, é algo extremamente necessário. Histórias assim ajudam a moldar comportamentos e oferecem como exemplo um homem de valor que, mesmo sendo de outra geração, demonstrou maturidade para não se enfiar em polêmicas comuns no meio esportivo e manter o foco no que realmente importa: a vida familiar e a arte de jogar.



_Cr%C3%A9dito%20Peter%20Wrede.jpg)




Nenhum comentário:
Postar um comentário
Pode falar. Nós retribuímos os comentários e respondemos qualquer dúvida. :)