quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Morte do Demônio: Em Chamas, de Sébastien Vanicek

 
No porão de sua casa de campo, atulhada de recordações de seu falecido avô ocultista, o jovem aspirante a escritor Joseph (Hunter Doohan), ao buscar material de inspiração para seu primeiro livro, desata a antiga maldição do Livro dos Mortos. Assim começa mais um filme da franquia milionária Evil Dead ou, em bom português, A Morte do Demônio, responsável por alguns dos melhores filmes de terror do cinema e por consolidar a fama do grande diretor norte-americano Sam Raimi.

O sucesso dessa saga iniciou-se em 1981, com "Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio" que, com baixíssimo orçamento e com a atuação propositalmente exagerada e histriônica do ator cult Bruce Campbell, revelou ao mundo o talento de Raimi. Depois disso vieram outros filmes, alguns dirigidos pelo próprio diretor, outros não, mas sempre com o mesmo enredo, apenas com poucas variações, que faziam o charme da franquia, pois ela não se acomodava e com essas mudanças, se reinventava e consolidava sua posição de prestígio no mundo do terror.

"A Morte do Demônio: Em Chamas" herda esse legado e essa responsabilidade, agora sob os cuidados do diretor francês Sébastien Vanicek, responsável também pelos curtas-metragens "Mayday" (2015) e "Crocs" (2018) e pelo longa-metragem "Infestação" (2023). Com muito sangue, violência, mutilações e secreções gosmentas, tudo o que qualquer fã do gênero idolatra, a iniciativa, mais uma vez, foca na dinâmica familiar, igual sua antecessora, ''A Morte do Demônio: A Ascensão" (2023), dirigido por Lee Cronin, que inovou por trazer a estória para cidade grande Los Angeles e apresentar uma mãe endemoninhada, pesadelo de todos os filhos.

Crédito de Imagens: Ghost House Pictures, New Line Cinema, New Zealand Films Comission, Ontario Creates, Screen Gems, Warner Bros. / Sony Pictures Brasil, Divulgação
Sam Raimi é um dos produtores e pessoalmente escolheu Sébastien Vanicek para a direção de Ëm Chamas" após assistir "Infestação"( leia aqui)

Com a liberação da maldição pelo incauto Joseph, os demônios ressurgem para se vingar da família do avô e encontrar o punhal que pode matá-los, encontrado pelo familiar em uma de suas expedições arqueológicas pelo mundo. Os capirotos começam a vingança sanguinolenta pelo elo mais violento, o irmão abusador, que espanca a esposa francesa Alice (Souheila Yacoub). Após mais uma discussão violenta com Alice, ele sai em alta velocidade com o carro, morrendo em um acidente provocado pelas entidades. Queimado vivo, seu cadáver volta para assombrar a família disfuncional, possuindo um por um deles.

Xenófoba, violenta, acossadora, a família toda odeia a francesa, culpando-a pela morte do ente querido, exceto o bom Joseph e sua namorada, mas que não conseguem se impor ao restante do núcleo familiar. Nesse campo propício de ressentimentos e ódios, a maldição se instala e todos acabam sucumbindo à possessão, até mesmo a simpática vovó, doente de Alzheimer, que é responsável pelo alívio cômico na narrativa. Cabe então só à corajosa Alice combater os demônios e destruí-los.

Trailer



Ficha Técnica

Título Original e Ano: Evil Dead Burn, 2026. Direção: Sébastien Vanicek. Roteiro: Florent Bernard e Sébastien Vanicek. - baseado nos personages e história original de Sam Raimi. Elenco: Souheila Yacoub, Erroll Shand, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Greta van den Brink, Tandi Wright, alain Chabat, Maude Davey, George Pullar, Keanu Karim, Victory Ndukwe, Tapiwa Soropa. Gênero: Terror. Nacionalidade: Nova Zelândia, EUA e Canada. Trilha Sonora Original: Xavier Caux, Douglas Cavanna e Double Danger. Fotografia: Philip Lozano. Edição: Maxime Caro. Design de Produção: Nick Connor. Direção de Arte: Rosie Guthrie. Figurino: Sarah Voon. Empresas Produtoras: Ghost House Pictures, New Line Cinema, New Zealand Films Comission, Ontario Creates, Screen Gems, Warner Bros. Distribuidora: Sony Pictures Brasil. Duração: 01h50min. Classificação: 18 anos.

No entanto, para que isso aconteça, muito sangue, espancamentos e sustos vêm pela frente, o que certamente diverte quem está assistindo. A diversão é garantida, mas não há exatamente nada de novo. Sente-se falta de uma proposta mais ousada, daquela novidade que fazia a franquia respirar e alcançar novas nuances. Quem sabe no próximo, já que a sequência parece garantida. As duas cenas pós-créditos, inclusive, dão pistas sobre os caminhos que a saga deverá seguir. De todo modo, ter uma protagonista francesa casca-grossa já é motivo de aplausos. Que venham novos filmes: a maldição do Livro dos Mortos ainda precisa ser desatada mais uma vez, com muitas mortes grotescas, criativas e divertidas.

Nota: 6/10

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