quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Infinite Icon: Uma Memória Visual

 
A herdeira da rede de hotéis "Hilton", Paris, é a estrela de um novo documentário biográfico que revisita, de forma sucinta, sua trajetória, enquanto se prepara para performar o show de seu recente disco pop, "Infinite Icon". Famosa na mídia desde os anos 2000 por sua vida noturna intensa e por circular ao lado de Britney Spears, Lindsay Lohan e outras celebridades da época, Paris ganhou ainda mais notoriedade ao protagonizar o reality show “The Simple Life” (Canal E!, 2003–2007), ao lado de sua amiga de infância Nicole Richie, filha do cantor Lionel Richie. Além de participações em filmes e séries diversas - como "Zoolander", de Ben Stiller (2001), e "The O.C.: Um Estranho no Paraíso" (2004). Paris também estrelou o terror “A Casa de Cera” (2005), dirigido por Jaume Collet-Serra.

O filme “Infinite Icon: Uma Memória Visual” ganhou distribuição no Brasil pela Sato Company e promete agradar aos fãs da celebridade. Ainda que apresente um texto que reflete sobre saúde mental e a pressão que Paris enfrenta com a fama, o documentário não consegue, exatamente, desconstruir a imagem de garota rica sem talento consistente para a música. Afinal, o show apresentado apoia-se majoritariamente em faixas pré-gravadas e, como bailarina, ela tampouco alcança impacto, especialmente quando comparada à amiga Britney Spears, que vira e mexe chama a atenção nas redes sociais com performances controversas para extravasar emoções.

Paris declara que sofre dores nas costas, é do grupo do TDAH (inclusive lançou uma música sobre o tema), relembra os abusos vividos em um colégio interno para o qual foi enviada pelos pais e afirma ter sido intensamente explorada pela mídia, algo que, paradoxalmente, também soube aproveitar, sem nunca assumir plenamente seu “mea culpa”. Ela também aborda o episódio que a tornou ainda mais famosa: o vazamento de sua sextape pelo então namorado.

A história é narrada em capítulos por sua voz característica de “garota mimada”, enquanto, visualmente, o filme é preenchido por corações, rabiscos e efeitos gráficos que ressaltam sua afeição pelas amigas, como a cantora e compositora Sia, e pelas pessoas que trabalham com ela na gravação e produção de seus discos ou ex-diretores de seus clipes e propagandas. Em certo momento, chega a corrigir fala equivocada de um deles sobre Lindsay Lohan e se mostra bem consciente do erro cometido por ele. Eleva bastante a comunidade LGBTQ+, quase seu público por completo.


Trailer



Ficha Técnica

Título Original e Ano: Infinite Icon: A Visual Memoir, 2026Direção: Bruce Robertson e JJ Duncan. Com. Roteiro: Bruce Robertson. Com: Paris Hilton, Sia, Carter Reum, Meghan Trainor. Gênero: Biografia, Música, Documentário. Nacionaldiade: Estados Unidos. Produção: Bruce Robertson, JJ Duncan, Omar Lagda, Megan Jacobi e Joanna Studebaker. Edição: Angus Emmerson e Chris Porthouse. Departamento de Som: Jenny Green. Departamento de Cor: Gerrad A. Holtz. Produção Executiva: Paris Hilton, Bruce Gersh, Jun Bang, Don Savant, Paul Hyo Kim e Greg Drobnick. Empresas Produtoras: 11:11 Media e CJ 4DPlex. Distribuição: Sato Company. Duração: 01h58min.

Paris lançou seu primeiro album em 2006. A canção "Stars Are Blind" (algo como "as estrelas são cegas" em português) a jogou nas rádios e nas listas de músicas mais tocadas. O disco também possui um regração de Rod Stewart, a pop "Do You Think I'm Sexy?". Seu instituto visual, a fez realizar inúmeros videos musicais de seus trabalhos no pop, mas nada que criasse uma DIVA ou um "Ícone" de verdade. Destaca, inclusive, como a "música" é importante para sua vida e como desde criança tem contato com esse universo, pois é o que sempre quis fazer.

A fama e a pressão para cantar fazem a loira cair em prantos diversas vezes ao longo do documentário. O filme, aliás, já se inicia com choro. Ela reflete bastante sobre como sempre foi julgada e como ainda é. Mesmo assim, não deixa de informar a quem assiste que também faturou cifras consideráveis como DJ, função que talvez exerça com mais precisão do que ao soltar a voz.

Suas canções, que ela afirma amar em cada uma de suas letras, tendem a revelar momentos e dores de sua trajetória. Ela também conta como Madonna é uma referencia e como “Vogue”, uma de suas músicas mais emblemáticas, a ajudou a compreender sua vida notívaga e a construir seu “eu” musical. Conta também que Princesa Diana e Grace Kelly são mulheres que a inspiram.

O filme não apresenta nenhum parente além do marido, Carter Reum, com quem é casada desde 2021, e exibe, em algumas cenas, os filhos pequenos - fase mais recente de Paris. Tal escolha deixa claro como a família prefere manter distância das questões midiáticas nas quais ela se envolve.

Crédito de Imagens: 11:11 Media e CJ 4DPlex - Sato Company, Divulgação
A autora do livro "Toxic: Women, Fame and The Tabloid 2000's", Sara Ditum, aparece no filme refletindo sobre a crueldade que as famosas passaram no passado

O filme tenta transmitir uma mensagem de autoajuda didática, mas acaba escorregando em uma vitimização sem fim. É evidente que as pessoas são cruéis e julgam cada passo dado pela herdeira nos últimos 25 anos, mas, para alguém que usufruiu da fama como bem quis, o resultado soa cafona e, por vezes, desequilibrado.

Sentada diante de uma tela, revendo cenas do passado, por exemplo, ela surge com um figurino caricato das patricinhas norte-americanas: um conjunto de moletom rosa digno de Regina George em Meninas Malvadas (Mark Waters, 2004).

Paris agradece repetidamente aos fãs e afirma que não seria nada sem aqueles que vão a seus shows e a acompanham nas redes. Ainda assim, o discurso soa um tanto hipócrita para alguém que também faz questão de ressaltar sua faceta empresária e seus inúmeros investimentos, sem esquecer, claro, o peso do sobrenome que carrega.

Este não é o primeiro filme sobre Paris Hilton. Em 2020, Alexandra Dean dirigiu outro documentário que apresentava um recorte distinto da herdeira, talvez até mais bem construído. This Is Paris está facilmente disponível no YouTube, já que foi uma produção original da plataforma.

HOJE NOS CINEMAS

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A Voz de Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania| Festival do Rio


Mostra Panorama Mundial 

O cinema pode denunciar, pode informar, pode reportar, mas não é uma obrigação. Nesse meio, longas “necessários” acabam sendo alçados à categoria de filmes importantes e podem acabar ofuscando o bem fazer cinematográfico pela sua mensagem. "A Voz de Hind Rajab" poderia cair nessa armadilha, mas consegue transpor essa ideia e ser interessante também como produto cinematográfico.

A diretora Kaouther Ben Hania já estava no radar mundial pelo menos desde 2023, quando lançou o impactante "As 4 Filhas de Olfa" (2023), que trabalhava o documentário de forma diferente do habitual. Aqui, em certa medida, ela replica essa teoria. Ao reconstituir o dia 29 de janeiro de 2024 da "Sociedade Palestina do Crescente Vermelho" (SPCV), Hania busca, através da encenação, demonstrar a selvageria da realidade.

Omar, interpretado de forma visceral por Motaz Malhees, é um voluntário da SPCV, depois de receber uma primeira ligação confusa, que é logo interrompida, uma pessoa na Alemanha entra em contato com ele informando que ainda há uma criança viva e presa num carro na região de Tel al-Hawa, recentemente invadida pelo exército de Israel. Omar então faz contato com o telefone informado e então o primeiro soco no estômago da audiência é dado: a diretora usa as gravações originais, a voz que estamos escutando é a de Hind Rajab.

Hind Rajab, também chamada de "Hanood", era uma criança que pediu socorro em meio ao genocídio Palestino. Ela estava no carro com seus tios e primos quando foram atacados pelo exército de Israel. Ela fica viva, mas presa no carro com os corpos dos seus familiares. Entre conversas com Omar e Rana, numa interpretação linda de Saja Kilani, a equipe tenta coordenar o resgate da menina com a Cruz Vermelha, o Secretário de Segurança de Israel e informantes.

A coordenação do resgate fica a cargo de Mahdi, interpretado por Amer Hlehel, a cobrança que ele sofre é compreensível pela urgência, pela barbárie que eles estão presenciando, pela voz de Rajab ecoando em seus ouvidos, mas ele precisa fazer de um jeito que não coloque os paramédicos em risco também, porque já perdeu muitos em resgates anteriores.

                                        Crédito de Imagens: Mime Films e Tanit Films - Synapse Distribution, Divulgação
Submissão oficial da Tunísia para a categoria “Melhor Filme Internacional” do 98º Oscar, em 2026.

O filme segura a tensão desses personagens com a demora em se ter um sinal verde para que possam proceder com o resgate. O tempo é escasso, o exército israelense está ao redor de Hind e conseguimos ouvir tiros, movimentação de tanques, explosões enquanto a equipe conversa com a garotinha que está apavorada.

A diretora se utiliza de vidros para refletir o desespero de seus personagens enquanto eles tentam manter a calma ao falar com Hind, para dar à ela alguma segurança de que a ajuda está a caminho, de que ela será salva. A trilha tem seu papel discreto, deixando para os sons produzidos pelos atendentes, com que a voz de Hind Rajab sejam os protagonistas desse filme de terror.

Trailer


Ficha Técnica

Título Original e Ano: The Voice of Hind Rajab, 2025. Direção e Roteiro: Kaouther Ben Hania. Elenco: Saja Kilani, Motaz Malhees, Amer Hlehel, Clara Khoury. Gênero: Drama. Nacionalidade: Tunísia e França. Música: Amine Bouhafa. Fotografia: Juan Sarmiento G. Edição: Qutaiba Barhamji, Maxime Mathis, Kaouther Ben Hania. Direção de Arte: Bassem Marzouk. Figurino: Khadija Zeggai. Edição de Som: Amal Attia, Elias Boughedir. Direção de Som: Gwennolé Leborgne, Marion Papinot. Empresas Produtoras: Mime Films,  Tanit Films, Commom Pictures, Sunnyland Film.  Produção: Nadim Cheikhrouha e Odessa Rae. Empresa Coprodutora: Doha Film Institute. Distribuição: Synapse Distribution. Duração: 01h29min.
 
É duro assistir a película sabendo o desenrolar da história, sabendo da barbárie que Israel continua infligindo ao povo palestino. É angustiante, nos deixa indignados com a fala de humanidade, tristes e sem esperança na humanidade. Hind implora por ajuda, implora por sua vida, mas acaba morrendo sozinha no carro. Ela tinha seis anos.

A diretora opta por utilizar imagens e gravações reais no final da obra, o que nos faz sair da imersão que o filme havia criado até aquele momento. Até mesmo gravações da equipe da SPCV são usadas, mas de forma criativa. Ainda assim, não é isso o que deprecia o longa-metragem, que tem boas atuações, jogos de câmera interessantes para construir o espaço e um ritmo perfeito.

Hind Rajab não foi a primeira criança morta pelo exército de Israel, tampouco a última. Esperamos que o recente cessar fogo dure, esperamos que o genocídio palestino por Israel termine e que a Palestina tenha forças para se reerguer de seus escombros físicos e psicológicos.

A produção passou pelo Festival do Rio, em outubro de 2025 e chega aos cinemas esta semana com distribuição da Synapse Distribution.

29 de Janeiro nos Cinemas

Socorro!, de Sam Raimi

O diretor, produtor, ator e roteirista norte-americano Sam Raimi, conhecido por ter dirigido a trilogia de filmes do Homem-Aranha (2002–2007), possui um estilo visual bastante característico em suas produções, prezando por obras dinâmicas, com toques de humor pastelão e suspense.

Em seu novo longa-metragem, “Socorro!”, essas características estão fortemente presentes, criando uma obra que equilibra terror, suspense e comédia na medida certa, e que pode até ser considerada uma mistura de "Naufrago" (Robert Zemeckis, 2000) ao tenso "O Senhor das Moscas" (Harry Hook, 1990). Ademais, o público poderá se surpreender positivamente aqui. 

Linda Liddle (Rachel McAdams) é uma funcionária exemplar, daquelas bem “nerdonas”, que sabem exatamente o que estão fazendo. Porém, seu aspecto estranho e desleixado (roupas bizarras e um cabelo que parece não ver água, shampoo ou escova há algum tempo) não transmite confiança nem credibilidade. A mulher tem hiperfoco em assuntos de sobrevivência na selva. Seu sonho é participar do reality show “Survivor” (a produção, criada por Charlie Parsons, existe e já foi exibida no Brasil pelo canal Multishow, 2000-atual). Ela também tem certeza de que será promovida a um cargo de chefia, já que seu chefe assim havia prometido. Mas o velho morre, e quem assume a liderança da empresa é seu filho mimado, machista, dono de um repertório de frases preconceituosas e pejorativas: Bradley Preston (Dylan O’Brien).

O filhinho de papai quer ter ao seu lado seus parças do golfe e as funcionárias mais “gostosas”. Linda não tem a mínima chance com Bradley. Durante uma viagem de negócios da equipe, o avião particular sofre uma pane, e um terrível acidente acontece. As cenas do desastre aéreo são realmente assustadoras. Em uma ilha no meio do nada, adivinhe quem são os únicos sobreviventes? Linda e Bradley terão que encarar suas diferenças e aprender a conviver se quiserem sobreviver naquele ambiente inóspito e ameaçador. É aí que estratégia e planejamento farão toda a diferença. E essas são as especialidades de Linda. O jogo de poder entre eles ganha ares de terror e suspense enquanto aguardam socorro.

                                          Crédito de Imagens: © 2025 20th Century Studios. All Rights Reserved.
Por ocasião do lançamento do filme, na última terça-feira (20/01), Rachel McAdams ganhou sua estrela na calçada da fama, em Hollywood


A trama traz inúmeras reviravoltas que prendem a atenção do público e garantem bons sustos. A química entre McAdams e O’Brien é natural, e as desavenças entre eles divertem, com um leve toque de terror. A mistura de gêneros no roteiro de Damian Shannon e Mark Swift funciona muito bem e surpreende pela autenticidade. A dupla roteirizou filmes como "Sexta-Feira 13" (2009) e o maravilhoso "Freddy vs Jason" (2003).

Raimi trabalhou com McAdams em "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura" (2022), última produção a qual conduziu, aliás. Aqui se junta a Danny Elfman (compositor da trilha sonora) pela oitava vez e desde 2009 não dirigia um terror/suspense. O diretor, que também aparece na lista de produtores do filme, vinha concentrando sua carreira principalmente na produção, por meio de sua empresa a "Raimi Productions" , responsável por projetos como "Predadores Assassinos" (2019), a série de TV "Ash vs. Evil Dead" (2015) e o reboot de "O Grito" (2019).

Trailer


Ficha Técnica

Título original e ano: Send Help, 2026. Direção: Sam Raimi. Roteiro: Damian Shannon e Mark Swift. Elenco: Rachel McAdams, Dylan O’Brien, Edyll Ismail, Dennis Haysbert, Xavier Samuel, Chris Pang, Thaneth Warakulnukroh, Emma Raimi. Gênero: Terror, Suspense, Thriller de sobrevivência com humor ácido. Nacionalidade: EUA. Trilha Sonora Original: Danny Elfman. Direção de Fotografia: Bill Pope. Edição: Bob Murawski. Produção: Sam Raimi, Zainab Azizi. Produção Executiva: JJ Hook. Empresas Produtoras20th Century Studios, Raimi Productions, TSG Entertainment. Distribuidora: 20th Century Studios / Walt Disney Studios. Duração: 1h 53min. 

"Socorro!" tem um humor ácido e agrada pela boa condução de gêneros. Uma ótima sugestão que estreia nesta quinta-feira (29/01).

29 de Janeiro nos Cinemas

Ato Noturno, de Márcio Reolon & Felipe Matzembacher

 
“Não sei o que tu fazes à noite, em tua vida. Tu podes me enganar, mas não ao público da peça”… 

Se, nos longas-metragens anteriores da dupla Márcio Reolon & Felipe Matzembacher [“Beira-Mar” (2015) e “Tinta Bruta” (2018)], as condições privilegiadas de classe dos protagonistas interferem negativamente na pujança homoerótica dos enredos, em “Ato Noturno” (2025), acontece o movimento inverso: o desejo incontido dos personagens periga interditar os seus anseios pessoais e/ou delírios de grandeza. E é muito interessante como o personagem Matias (Gabriel Faryas), um ator, funciona como vórtice amoral para as reflexões propostas pelo roteiro escrito pelos próprios diretores, muito oportuno num ano eleitoral e perante o agendamento midiático pseudovoyeurista atrelado a um conhecido ‘reality show’ televisivo… 

Na primeira seqüência do filme, Matias e seus companheiros de teatro ensaiam uma peça que traz em seu âmago um teor indisfarçado de agressividade, determinante para a cena final, em que quem fica de pé, após um difícil exercício de equilíbrio, torna-se o protagonista da peça, ao recitar um intenso monólogo. A fim de incitar um tipo de competitividade interna que dinamiza as apresentações, no sentido de que a peça não ficaria repetitiva, noite após noite, a diretora do espetáculo não determina que a pessoa a cair, nesta cena final, seja sempre a mesma: Matias e seu amigo Fábio (Henrique Barreira) disputarão persistentemente o privilégio de recitar o monólogo em questão… 

Crédito de Imagens: Avante Filmes e Vulcana Cinema - Vitrine Filmes, Divulgação
A produção fez parte de Laboratórios e Mercados no 18º Berlinale Co-Production Market 2021; no Ventana Sur 2020 - Proyecta e também contou com pre estreia no 75º Berlin International Film Festival

Enquanto debatiam a dispersão manifesta pelos atores, durante os ensaios, os colegas de Matias notam que várias mensagens chegam em seu telefone celular, o que é desnecessariamente publicizado por Fábio, num rompante de inveja: trata-se de um contato típico dos aplicativos sexuais (“Discreto alguma coisa”), com quem Matias encontrar-se-á logo em seguida. Inicialmente apreensivo, Matias logo se sentirá à vontade nos braços de Rafael (Cirillo Luna), por mais estranhas que sejam as condições do encontro, numa residência luxuosa, cujo coito periga ser flagrado por outrem a qualquer momento. 

É quando se descobre que Rafael é um político em ascensão, um ambicioso vereador que tenciona se tornar prefeito da cidade de Porto Alegre e, como tal, deve portar-se publicamente como alguém ilibado, não sendo vistos com bons olhos os seus flertes sexuais com um homem comportamentalmente afetado. Ao menos, é assim que insinua o chefe de segurança Camilo (Ivo Müller), que trata Matias com a hostilidade dúbia de quem é homofóbico por reprimir os seus desejos íntimos. Eis o estabelecimento das tensões que serão desenvolvidas em torno do protagonista, que também disputará o papel principal numa telessérie com Fábio… 

Homenageando explicitamente o cinema de Brian De Palma e suas atualizações suspensivas neo-hitchcockianas, os diretores aproveitam de maneira expressiva os ambientes alargados e sujeitos a mais de um olhar vigilante, nos quais transitam os personagens. Neste sentido, são dignos de elogios a direção de arte cuidadosa do ambiente teatral e os enquadramentos estilizados em que situações opostas acontecem nas extremidades da imagem – vide o instante em que Rafael e seu segurança interrompem um momento de descanso de Fábio e Matias num parque ou o momento em que Rafael e Matias insistem em fazer sexo, na rua, enquanto uma família descarrega algumas compras num automóvel ao lado. O espectador é convencido a ser duplamente escopofílico! 

Trailer



Ficha Técnica

Título Original e ano: Ato Noturno, 2025. Título Internacional: Night Stage. Direção e Roteiro: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Elenco: Gabriel Faryas, Cirillo Luna, Henrique Barreira, Ivo Müller, Larissa Sanguiné, Kaya Rodrigues, Gabriela Greco, Antonio Czamanski. Gênero: Drama, Thriller. Nacionalidade: Brasil. Direção de Fotografia: Luciana Baseggio. Montagem: Germano de Oliveira, EDT. Direção de Arte: Manuela Falcão. Desenho de Som e Mixagem: Tiafo Bello. Música Original: Thiago Pethit, Arthur Decloedt e Charles Tixier. Produção: Jessica Luz, Paola Wink, Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Produção Executiva: Paola Wink e Jessica Luz. Formato: DCP, 2K, Scope, Cor. Financiamento: FSA. Empresa produtora: Avante Filmes. Empresas co-produtoras: Vulcana Cinema. Agente de Vendas Internacional: m-Appeal. Distribuição Brasil: Vitrine Filmes. Duração: 117 min.

Musicado de maneira pungente por Thiago Pethit – com quem os diretores já colaboraram em videoclipes –, além de mais dois profissionais, “Ato Noturno” revela-se mui exitoso na aplicação das convenções de gênero, manipulando as expectativas e receios do espectador, à medida que ameaças e chantagens convertem-se em assassinatos propriamente ditos. E as cenas de “peça dentro do filme” e “série dentro do filme” metonimizam as relações conflituosas vivificadas pelos personagens, o que corrobora de maneira dúbia as exigências stalislavskianas de uma diretora teatral (Larissa Sanguiné) e da selecionadora de elenco (Kaya Rodrigues) que contrata Matias para protagonizar a série, após alguns contragostos anteriores: afinal, nesta perspectiva, Rafael seria tão “ator” quanto Matias, pois precisa fingir continuamente alguém que não é. Ou melhor, eliminar aspectos de quem ele é para enfatizar quem ele gostaria de ser, a fim de alcançar os seus objetivos eleitorais. 

Bem interpretado, bem dirigido e bem fotografado, este filme se demonstra como uma benfazeja progressão do estilo dos realizadores, cujo erotismo é integrado à narrativa enquanto componente reivindicativo para a identidade dos personagens – sendo requeridas, à guisa de ilustração, várias seqüências de ‘cruising’ (“pegação”), ou seja, práticas sexuais anônimas e casuais numa praça, em que vários homossexuais se agarram. Indeciso entre a paixão que sente por Rafael e o seu desejo de tornar-se um astro consagrado e nacionalmente reconhecido, Matias age de maneira impensada e estouvada. O filme não o julga, entretanto: ao invés disso, ele parece nos direcionar uma reprimenda acerca das ocasiões em que julgamos negativamente os comportamentos íntimos de alguém, a depender da função pública que esta pessoa ocupa. Não seríamos nós financiadores de preconceitos sociais concernentes à exigência tácita de “higienização sexual” para políticos e artistas? O filme é também sobre isso: que tipo de conteúdo sentimo-nos à vontade para publicar em nossas redes sociais? Será que isso não depõe contra nós, profissionalmente? Há como separar o que o indivíduo faz em seu ambiente de trabalho daquilo que é posto em prática após o horário de expediente? O título do filme é mais que assertivo, portanto! 

EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS

Visite: SESSÃO VITRINE PETROBRAS:
Site: www.vitrinefilmes.com.br/sessao-vitrine
Facebook: www.facebook.com/sessaovitrine
Instagram:www.instagram.com/sessao.vitrine
Os ingressos são vendidos a preço reduzido.

Audiovisual brasileiro: fomento com recordes históricos e boas práticas de governança em 2025

 
O audiovisual brasileiro vive um momento histórico: o cinema reencontra a sociedade brasileira, que torce, vibra e celebra suas conquistas, ao mesmo tempo, em que amplia sua presença no cenário global. O sucesso e a premiação do cinema brasileiro simbolizam essa convergência virtuosa entre políticas públicas estruturantes, investimento qualificado e o extraordinário talento criativo do nosso cinema. Os resultados fortalecem a experiência do público nas salas de cinema, consolidam o Brasil como protagonista nos mercados e festivais internacionais e abrem oportunidades concretas de expansão comercial e artística.

O ano de 2025 marca uma transformação histórica para o audiovisual brasileiro. Com R$ 1,41 bilhão em recursos efetivamente desembolsados, o setor registra o maior volume de investimento contabilizado na série histórica, superando em 29% o desempenho de 2024 e representando um crescimento de 179% em relação a 2021. O investimento impulsiona a cadeia produtiva do audiovisual com a geração de emprego e renda para a economia brasileira, promovendo bem-estar e benefícios para a sociedade, na forma de entretenimento, cultura e cidadania.

Atualmente 1.556 projetos audiovisuais estão em execução, apoiados e induzidos pelo fomento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). São projetos que contam com recursos públicos efetivamente desembolsados. Outros 3.697 projetos estão em fase de captação pelas Leis de Incentivo ou de contratação de recursos pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Os números expressivos revelam as potencialidades do audiovisual brasileiro e a grandeza dos desafios institucionais da Ancine.

Com mais recursos disponibilizados e com o ganho na capacidade operacional da Ancine, o resultado é mais obras audiovisuais brasileiras chegando ao mercado, em diferentes formatos.

Em 2025, o número de obras brasileiras não-publicitárias registradas na Ancine manteve a trajetória de crescimento iniciada em 2023, tendo batido um recorde, com 3.981 registros, um acréscimo de 4% em relação a 2024, com 3.829, recorde anterior. Do total de registros em 2025, 2.500 referem-se a obras brasileiras independentes, versus 2.343 em 2024, um aumento de 6,7%. Além disso, houve o aumento pelo segundo ano consecutivo no número de registros de obras de produtoras sediadas nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, 810 registros, um crescimento de 9% em relação ao recorde anterior (743 registros em 2024).

Em 2025, a Ancine iniciou um processo de transformação digital, especialmente a partir da implementação do Cadastro Único de Projetos (CUP) e, consequentemente, do início da integração, da atualização e da evolução dos sistemas da Ancine, visando melhorar a eficiência, a qualidade e a transparência dos serviços prestados. No mesmo ano, a Agência fez o lançamento da versão modernizada do Observatório do Cinema e do Audiovisual (OCA), com o destaque para os painéis interativos com a disponibilização de informações confiáveis, acessíveis e organizadas do setor audiovisual - essenciais para o fortalecimento da governança, a qualificação da tomada de decisões de mercado, a orientação de investimentos, além do estímulo aos estudos e pesquisas sobre o setor.

Com um novo modelo de governança do fomento, que associa inovação e transparência, os resultados tornam-se públicos para os setores público e privado, assim como para os interessados e toda a sociedade. A divulgação das boas práticas de governança, dos investimentos e dos resultados é uma prestação de contas que legitima as políticas públicas setoriais que fortalecem e consolidam a atual trajetória de crescimento do audiovisual brasileiro.

Saiba mais:


Fundo Setorial do Audiovisual atinge patamares inéditos
O FSA consolida-se como motor principal do desenvolvimento do setor, combinando disponibilização e contratação recorde de valores, ampliação territorial - regionalização - e fortalecimento das linhas estruturantes do Fundo. Os investimentos do FSA para o financiamento de filmes e séries alcançaram os maiores valores da série histórica; e as operações de crédito atingiram abrangência inédita - apoiando iniciativas de infraestrutura, inovação e formação, bem como de criação, comercialização e internacionalização do conteúdo brasileiro. E mais, a operação do FSA se deu de maneira coordenada e conjunta aos demais mecanismos de fomento, especialmente as Leis de Incentivo:
  • FSA Investimento: R$ 564,3 milhões contratados, o maior valor da série histórica, com ampliação do valor médio por projeto para viabilizar produções de maior capacidade comercial, além da retomada da opção de financiamento de projetos voltados ao desenvolvimento de roteiros;
  • FSA Crédito: R$ 411,1 milhões destinados à infraestrutura, modernização de estúdios e aquisição de equipamentos. Destaque para as primeiras operações de financiamento de carteiras de criação de conteúdo, fortalecendo a competitividade de filmes e séries brasileiros; e
  • Leis de Incentivo: R$ 437,8 milhões liberados, mantendo papel fundamental na diversificação das fontes de financiamento e reduzindo a dependência de mecanismos únicos.
As melhorias de governança do FSA ampliaram a eficiência operacional do Fundo sem comprometimento das demais fontes de financiamento do audiovisual brasileiro e da efetiva fiscalização dos recursos públicos envolvidos:
  • Em 2025, o FSA supera o recorde de investimentos de filmes e séries de 2018, ultrapassa também os patamares de crédito de 2020;
  • As operações do FSA são coordenadas com as Leis de Incentivo, que preservam aportes relevantes e expressivos para o setor audiovisual e que tiveram seu recorde de financiamento em 2023 - R$ 568,1 milhões; e
  • Em 2025, especialmente diante da adoção do Malha Fina Ancine, mas também considerando as melhorias de gestão implementadas, o Tribunal de Contas da União (TCU) deu por cumpridas as providências para redução do estoque de prestação de contas de projetos audiovisuais que colocava em risco e trazia instabilidade para a operação do FSA, reconhecendo a correção de rumos e a adequação da Agência à legislação vigente (Acórdão n° 198/2025 – Plenário).

O gráfico e tabela abaixo demonstram a evolução e os números da série histórica do financiamento público do audiovisual pela Ancine:




Novas práticas de gestão: ganhos expressivos em eficiência operacional
A Ancine ampliou sua capacidade operacional através de modernização e digitalização, mesmo diante dos maiores patamares de demanda da história da política audiovisual:
  • Tempo de contratação do FSA: o intervalo de tempo médio entre a seleção de um projeto em uma Chamada Pública e sua contratação pelo Fundo foi de 4,7 meses em 2025 (8 meses em 2022, 7,6 meses em 2023 e 5,8 meses em 2024), uma redução de 50% em relação à média de 10,7 meses apurada para o período entre 2009-2021).
A melhoria de eficiência veio acompanhada do aumento da demanda. Em 2023, 1.298 pedidos de aprovação de novos projetos foram analisados pela Ancine para autorização de captação de recursos das Leis de Incentivo ou do FSA, em 2024 foram 1.531, e em 2025, 1.939.
Houve um aumento de outras análises técnicas, que se somam à demanda de aprovação para captação de recursos, a exemplo dos pedidos de remanejamento de fontes, redimensionamento, aprovação para execução e prorrogação de prazos. Não considerados os pedidos de aprovação para captação de recursos, em 2023, foram realizadas 1.595 análises técnicas, em 2024 foram 1.537 análises e, em 2025, um total de 2.212 análises técnicas realizadas no acompanhamento de projetos audiovisuais (aumento de 39% em relação a 2024).
Os números são relativos à projetos audiovisuais com análise e tomada de decisão, o que evidencia o aumento da capacidade da Ancine e sua evolução institucional para a qualificação de sua atuação.
Um novo modelo de governança, novas práticas de gestão e um plano de melhorias foram determinantes para os resultados, com destaque para o empenho, dedicação e qualificação técnica dos servidores da Ancine, tanto no que se refere aos recordes de investimentos quanto no tocante ao aumento da capacidade operacional.
Da crise à recuperação: um ciclo completo de transformação

Os resultados históricos alcançados em 2025 ganham ainda mais relevância quando compreendidos no contexto da superação de uma profunda crise sistêmica que se agravou em 2018.

O FSA enfrentou um comprometimento severo de suas atividades. Crises de confiança institucional, inclusive entre a Ancine e órgãos de controle causaram instabilidade e incertezas para o setor audiovisual.

Investigações aprofundadas conduzidas pelo TCU e pelo Ministério Público Federal (MPF) identificaram a causa raiz: um descompasso estrutural entre as dotações orçamentárias do Fundo Setorial do Audiovisual e sua real disponibilidade financeira (Caixa); e o risco objetivo de assunção de compromissos sem capacidade de custeio dos custos operacionais envolvidos. A assunção de compromissos muito acima da capacidade de desembolso do FSA culminou, em 2018, com o lançamento de Chamadas Públicas no valor de R$ 1,13 bilhão, baseadas em premissas equivocadas sobre a utilização de rendimentos financeiros. Como resultado, o Fundo entrou em posição deficitária, com déficit superior a R$ 200 milhões nos anos seguintes.

A análise do TCU (Acórdão n° 1896/2021- Plenário) concluiu que a adoção de medidas corretivas e a inauguração de um novo ciclo era “não apenas necessária, mas imprescindível”, reconhecendo que os gestores herdaram um quadro de colapso operacional. A Justiça Federal, ao julgar improcedente uma Ação Civil de Improbidade Administrativa (5093858-30.2020.4.02.5101/RJ), em sentença transitada em julgado, corroborou esse diagnóstico, afirmando que as decisões foram uma resposta justificada a uma crise administrativa e financeira grave. 

A recuperação do FSA não foi apenas quantitativa, mas representou a recuperação da confiança e estabilidade das políticas públicas setoriais, além da transformação estrutural do modelo de governança do fomento:
  • Alinhamento Orçamentário-Financeiro: Chamadas Públicas passaram a ser lastreadas na efetiva disponibilidade financeira (Caixa) e na capacidade de custeio das despesas de remuneração dos agentes financeiros, garantindo sustentabilidade e segurança;
  • Transparência e Monitoramento: publicação regular de dados sobre disponibilidade orçamentária e financeira do FSA, além da melhoria do acompanhamento dos projetos, assegurando isonomia e previsibilidade;
  • Governança Participativa: Comitê Gestor atuante e decisões colegiadas;
  • Capacidade Operacional: equilíbrio entre o fomento e a capacidade de acompanhamento e fiscalização dos recursos; e
  • Gestão do Passivo Histórico: redução do estoque de prestações de contas acumulado em duas décadas e implementação do Projeto Malha Fina para prevenir novos passivos.
Em 2025, o FSA superou os patamares históricos de investimento, mas desta vez com lastro financeiro garantido e governança sustentável, garantindo que os resultados alcançados hoje sejam a base sólida para o crescimento contínuo do audiovisual brasileiro nos próximos anos. ​​​​​​​​​​​​​​​​
Gestão responsável e sustentabilidade 
A ampliação expressiva da liberação de recursos ao setor vem alicerçada no aumento da capacidade de acompanhamento e prestação de contas dos projetos, criando equilíbrio entre concessão de recursos e fiscalização. Nos últimos anos, a Ancine promoveu uma reestruturação profunda da gestão do passivo histórico de prestações de contas, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), reduzindo em mais de 80% o estoque acumulado ao longo de duas décadas.

A iniciativa, reconhecida pelo TCU, resultou na regularização de milhares de processos e na consolidação de um modelo de governança mais seguro, transparente e aderente às normas de controle. Atualmente, o estoque residual encontra-se em tramitação regular, com prazos e fluxos compatíveis com a capacidade operacional da Agência. 

Desde 2016 o TCU apontava a existência de um elevado estoque de prestações de contas pendente de análise, destacando a necessidade do cumprimento de um cronograma de redução do passivo (Acórdão 2959/2016 - Plenário). Nos anos subsequentes foram publicados sucessivos acórdãos, recomendações e determinações relativos à governança da Ancine e do FSA. Em 2025, especialmente diante da adoção do Malha Fina Ancine, mas também considerando as melhorias de gestão implementadas, o TCU deu por cumpridas as resoluções anteriores, reconhecendo a correção de rumos e a adequação da Agência à legislação vigente (Acórdão n° 198/2025 - Plenário).

Com a continuidade do Projeto Malha Fina e o uso progressivo de soluções de automação como apoio à análise, a Ancine fortalece sua capacidade de evitar a formação de novos passivos, preservar a sustentabilidade do Fundo Setorial do Audiovisual e garantir previsibilidade, segurança jurídica e eficiência na aplicação dos recursos públicos.

Saiba mais:

Ancine anuncia Malha Fina 2.0

Internacionalização estratégica 

O Brasil vive nos últimos anos um ciclo robusto e consistente de fortalecimento do fomento às coproduções internacionais. Entre 2023 e 2025, o número de coproduções se expandiu de forma estruturada e consistente. Na série histórica, com dados a partir de 2002, os principais parceiros internacionais do audiovisual brasileiro são Portugal, com 109 obras realizadas, França, com 98, e a Argentina, com 95.

Em 2023, a Argentina registrou 10 produções, seguida por Portugal com 6, e por França e Itália, com 5 cada um. Em 2024, França e Portugal lideraram com 11 obras em coprodução e os Estados Unidos ocuparam a terceira posição, com 10 obras finalizadas. Em 2025, a novidade foram as parcerias com a Espanha, 6, abaixo apenas de Portugal, com 9, e pouco acima da França, que fechou o ano passado com 5 obras coproduzidas com o Brasil.

As coproduções internacionais se consolidam como um pilar estratégico para a expansão do mercado audiovisual brasileiro, aumentando a capacidade de captação de recursos e financiamento de obras, favorecendo o intercâmbio artístico e técnico com diferentes culturas, além de ampliar oportunidades de distribuição e acesso a novos mercados:

  • Reconhecimentos Provisórios de Coprodução Internacional - RPCI: triplicaram em três anos, passando de 56 em 2023 para 140 em 2025;
  • Investimentos em coproduções: R$ 258 milhões entre 2023 e 2025, viabilizando 115 novas parcerias internacionais; e
  • Obras concluídas: 124 produções brasileiras independentes finalizadas em regime de coprodução entre 2023 e 2025, com recorde de 50 obras em 2024.

A Ancine atua diretamente e apoia o Ministério da Cultura (MinC) tanto na execução e no aperfeiçoamento dos acordos em vigor quanto na negociação de novas pactuações internacionais.

Entre 2015 e 2024 foram registradas obras em regime de coprodução com um total de 37 países. Nesse período, o Acordo Latino-Americano foi o instrumento legal mais utilizado, com 32% dos reconhecimentos de coprodução.

Acordos assinados com Chile, China, França e Nigéria aguardam a entrada em vigor, enquanto negociações com Coreia do Sul, Japão, Líbano, México, Nova Zelândia, Polônia, Rússia e Turquia estão em andamento.

Em conjunto, esses elementos permitem projetar um horizonte de novas possibilidades e de crescimento sustentável do audiovisual brasileiro. O expressivo desempenho artístico de coproduções brasileiras no circuito internacional de festivais amplia o cenário, com um número cada vez mais significativo de obras brasileiras sendo lançadas internacionalmente, consolidando a presença do audiovisual brasileiro nas salas de cinema, nos principais festivais do mundo e nas múltiplas janelas.

Conquistas do audiovisual brasileiro 

O fortalecimento de políticas públicas estruturantes reflete-se em resultados concretos para o setor:

  • Parque exibidor: recorde histórico de 3.554 salas de cinema em operação, com expansão para 14 novos municípios;
  • Market share do cinema brasileiro: crescimento consistente de 3% (2023) para aproximadamente 10% (2024-2025), impulsionado pela retomada da Cota de Tela e pela qualidade da produção brasileira;
  • Produção cinematográfica: 367 filmes brasileiros exibidos em 2025, atraindo 11,12 milhões de espectadores e gerando R$ 214,99 milhões em renda;
  • Registro de obras audiovisuais: 3.981 registros em 2025 - novo recorde histórico -, com destaque para crescimento de 9% nas produções das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste; e
  • Internacionalização: 124 coproduções internacionais entre 2023 e 2025, com recorde de 50 obras em 2024 e crescimento expressivo nos pedidos de reconhecimento de novos projetos de coprodução - de 56 em 2023 para 140 em 2025; e
  • TV Paga: participação das obras brasileiras alcançou 22,5% do tempo total de grade em 2025 - ante 19,5% em 2024. No horário nobre, o conteúdo brasileiro atingiu 28,2% - ante 25,6% no ano anterior.
Perspectivas para 2026
O cenário construído em 2025 estabelece bases sólidas para crescimento sustentável. O desafio para 2026 é garantir que os patamares operacionais atuais estejam em constante evolução e avançar na execução do Plano de Ação do Fundo Setorial, com retomada e criação de novas linhas de investimento, mantendo o compromisso com governança, transparência e efetividade das políticas públicas.

Com a superação das crises sistêmicas – tanto a crise orçamentário-financeira quanto a de controle de contas - e a consolidação de um novo modelo de governança, o próximo passo é a ampliação da confiança e previsibilidade das políticas públicas, tornando mais sólidas e permanentes as estratégias do Fundo para o desenvolvimento do audiovisual brasileiro.

No primeiro trimestre de 2026 estão previstas três reuniões do Comitê Gestor do FSA para aprovação das regras e critérios das Chamadas Públicas constantes do Plano de Ação de 2025; para programação da execução orçamentária e financeira de 2026 e aprovação dos planos de investimento e de ações para o ano; e para definir um calendário de lançamento das Chamadas Públicas.

Os recordes históricos alcançados em 2025 demonstram que a combinação de investimento público estratégico, modernização institucional e compromisso com a excelência na gestão posiciona o audiovisual brasileiro para alcançar resultados ainda mais expressivos no mercado nacional e internacional. 

Saiba mais: