sábado, 7 de fevereiro de 2026

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, de Mary Bronstein | Festival do Rio


Logo na cena de abertura somos colocados de frente a Linda, interpretada por Rose Byrne. O close-up no rosto daquela mulher transmite vários sentimentos como cansaço, tristeza e irritação. As micro expressões da atriz ficam em evidência, a forma com que seus olhos se movem, como responde ao que a conselheira fala, sobre como a filha a define. 

Linda é uma mulher madura, casada, trabalhadora, mãe. Tudo isso já seria suficiente para ela estar exausta, porém, ela ainda tem que lidar com um marido ausente, interpretado por Christian Slater, e com a doença da filha, papel de Denaley Quinn, mas que nunca vemos o rosto, é sempre uma voz e uma presença, mas nunca sua face na tela, assim como o marido, apenas uma voz.

A diretora, Mary Bronstein, foca toda a narrativa em Rose Byrne, que é brilhante, todos os seus movimentos parecem nervosos, a beira de um colapso, mesmo quando está com a filha e precisa performar uma naturalidade e uma felicidade para a criança, ela o faz de forma que transpareça o seu cansaço. E não é que ela não ame, mas ela está exausta, ansiosa e deprimida. 

Em determinado momento ela está com seu Terapeuta, interpretado pelo comediante e aqui ator dramático Conan O’Brien, e vocifera “Estou te perguntando o que eu devo fazer. Você tá ouvindo?”, o esgotamento dela é latente. Ainda mais depois de se mudar para um hotel porque o teto da sua casa abriu.

    Crédito de Imagens: Synapse Distribution, Divulgação
O longa contou com estréia no Festival de Sundance, em janeiro de 2025.


Há uma rima visual entre a sua vida colapsando e a sua casa também, as rachaduras que estão sendo criadas nas suas relações e as de seu lar. O buraco aberto não é apenas físico, mas há um buraco metafórico aberto em Linda, ela está exausta, ela quer segurança, paz, mas a vida continua dando provações a ela, a levando até o limite. Com a câmera sempre próxima de Byrne, somos conduzidos à estafa junto dela.

O texto, também assinado por Bronstein, consegue equilibrar drama e humor de forma competente, pincelando também elementos fantásticos na narrativa. Há um humor ácido e sombrio ali que cai como uma luva para a atuação de Byrne. Além disso, a montagem não deixa o longametragem se repetir nos temas, mas consegue aprofundá-los com o ritmo dado.

Trailer


Ficha Técnica

Título Original e Ano: If I Had Legs, I'd Kick You, 2025. Direção e Roteiro: Mary Bronstein. Elenco: Rose Byrne, Conan O'Brien, Danielle Macdonald, Lark White, Ivy Wolk, Daniel Zolghadri e Delaney Quinn. Gênero: Drama. Nacionalidade: Estados Unidos da América. Fotografia: Christopher Messina. Montagem: Lucian Johnston. Direção de Arte: Kyra Boselli. Figurino: Elizabeth Warn. Empresas Produtoras: Elara Pictures, Net-Net Worldwilde, Bronxburgh, Fat City. Produção: Ronald Bronsetein, Eli Bush, Richie Doyle, Conor Hannon, Sara Murphy, Josh Safdie, Ryan Zacarias. Distribuição: Synapse Distribution. Duração: 113' min.
 
Com uma das grandes atuações do ano, "If I Had Legs I’d Kick You", título do filme em inglês e que no Brasil se traduziu literalmente para "Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria", é um estudo de personagem inteligente, mordaz e divertido. Uma visão sobre os papéis de gênero, a exaustão da mulher que precisa interpretar diversos papéis a contento, do contrário é cobrada, é julgada.

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