quinta-feira, 30 de julho de 2026

Xica da Silva, de Cacá Diegues (Restauração em 4K)

SESSÃO VITRINE PETROBRÁS

A estética carnavalizante, tropical e colorida do diretor Cacá Diegues consegue transformar uma narrativa cruel e violenta do Brasil escravagista em uma pujante peça do cinema nacional. Essa explosão de brasilidade é que faz do filme Xica da Silva, de 1976, um filme tão único. É um desbunde despudorado deste mundo de correntes e grilhões, que metamorfoseia uma escravizada em rainha e o colonizador em súdito. Na alegria e no sexo monta-se uma resistência ao poder e ao status quo, assim como o Carnaval. É a herança negra, da resistência do quilombo, quebrando a opressão branca por dentro, fazendo-a implodir em mil pedacinhos e obrigando-a a se render de joelhos e gemendo de prazer à sua disruptiva revolução.

Xica da Silva (Zezé Motta) é a escravizada linda e sensual do Sargento-mor (Rodolfo Arena). Para sobreviver a um cotidiano de xingamentos e assédios morais, sua arma é a sedução e o sexo. Até mesmo o filho do seu dono, José (Stepan Nercessian), é rendido aos seus encantos. Nesta vila Arraial do Tijuco, em Minas Gerais, onde os negros são acorrentados e vivem sob grilhões e torturas, a riqueza campeia graças aos diamantes, mas o que impera mesmo é a corrupção e a cobiça dos poderosos portugueses colonizadores, enganados às vezes por quilombolas contrabandistas, que mineram ilegalmente e vivem às margens da sociedade, liderados pelo bandoleiro Theodoro (Marcus Vinícius).

Nesse cenário inóspito do Brasil Colônia, chega ao Arraial, mandado pela Coroa Portuguesa para capitanear a região e aumentar os impostos da metrópole, o Comendador João Fernandes (Walmor Chagas). Cobiçoso ao extremos das riquezas desta Minas Gerais, o Comendador enquanto cai de amores por Xica, usa Theodoro como baliza para suas explorações diamantíferas. Onde Theodoro está com seu bando é porque tem diamantes; onde Xica se deita é porque há vida, amor e prazer. Pois onde tem sanha e violência, os explorados aprendem a sobreviver, e Xica e Theodoro, sob as asas do abutre Comendador, prosperam e vivem. Infelizmente, não se pode dizer isto dos escravizados, que sucumbem mineirando nos córregos repletos de diamantes.

                                           Crédito de Imagens: Vitrine Filmes, Divulgação
Inúmeras cenas foram rodadas na verdadeira mansão de Chica da Silva em Diamantina, Minas Gerais. No longa, a escolha de escrever Xica com "X' é puramente criativa.

Até que este paraíso artificial desmorona de vez quando chega a esse Brasil profundo o fiscal da Coroa Conde de Valadares (José Wilker). Theodoro é capturado e torturado. O Comendador, mesmo subornando o Conde com muitos presentes, é enviado de volta à Lisboa. E, à Xica, cabe o abandono, o escárnio público e a desonra de mulher abandonada, perseguida pelos poderosos da vila. O principal presente, porém, ela tinha: sua carta de alforria que o Comendador tinha lhe cedido por amor. Com a liberdade nas mãos, Xica ressurge ao amor, escondida que estava num dos Conventos que tinha construído com os dobrões de ouro do seu rico amante e protetor.

Nessa estória de liberdade e prazer, Xica é extremamente sexualizada. Isto, porém, é de propósito. Neste mundo de opressão, o prazer vence a dor, a alegria negra vence a violência branca. Xica é a rainha do Arraial, com muita dança, riso, sexo e furdunço. É o Carnaval, é o Brasil, até a derrocada, que é a quarta-feira de cinzas, onde os deuses da alegria descansam. A história real não foi assim, todavia. Xica, mesmo o Comendador sendo obrigado a voltar à Lisboa, devido ter enriquecido ilicitamente, não foi escorraçada pelo vilarejo. Por ter se tornado muito rica, dona de centenas de escravizados, continuou sendo prestigiada na sociedade. Sua renda eram as diárias dos seus irmãos negros, que ela botava para trabalhar sob aluguel. Sua penca de filhos com o Comendador tiveram acesso a melhor educação da época e fizeram carreira tanto no Brasil quanto em Portugal. O preconceito racial é amaciado quando o dinheiro existe.

Trailer

Ficha Técnica

Título Original e Ano: Xica da Silva, 1976. Restauração em 4K em 2026. Direção: Carlos Diegues. Roteiro: Carlos Diegues e Antonio Callado - Baseado no livro Memórias do Distrito de Diamantina a Comarca do Serro Frio, de João Felicio dos Santos. ElencoZezé Motta, Walmor Chagas, Altair Lima, Elke Maravilha, Stepan Nercessian, Rodolfo Arena, José Wilker, Marcus Vinícius, João Felício dos Santos, Dara Kocy, Adalberto Silva, Julio Mackenzie, Beto Leão, Luis Motta, Paulo Padilha, Baby Conceição, Iara Jati, Luis Felipe, Alberto Patu, Derly Barbosa, Paulão, Pompeo. Gênero: comédia Dramática, histórico. Nacionalidade: Brasil. Fotografia: José Medeiros. Montagem: Mair Tavares. Direção de Arte e Figurino: Luiz Carlos Ripper. Caracterização: Carlos Prieto. Música: Jorge Ben Jor e Roberto Menescal. Som: Vitor Raposeiro. Produção: Hélio Ferraz, José Oliosi, Airton Correa e Jarbas Barbosa. Distribuição: Vitrine Filmes. Duração: 117 min. 

O que Cacá Diegues quis narrar foi uma fábula. Nisso ele foi exitoso até demais. Xica da Silva foi um sucesso estrondoso de público, levando milhões ao cinema e alçando Zezé Motta ao estrelato, uma protagonista negra sendo reconhecida nas artes brasileiras, tão eivada de preconceito racial. Reconhecimento das plateias nada estranho à carreira deste grande diretor brasileiro, também responsável pelos filmes "Bye Bye Brasil" (1979), "Um Trem Para as Estrelas" (1987) e "Deus É Brasileiro" (2003), entre muitos outros. A iniciativa da Petrobrás, Vitrine, está relançando Xica da Silva, restaurado, nos cinemas de todo o país, a preços convidativos. Excelente chance de assistir um clássico do cinema nacional em tela grande e honrar o Cacá Diegues, a Zezé Motta e os excelentes atores e profissionais do cinema brasileiro! 

Nota: 8/10

ASSISTA NOS CINEMAS

A Divina Sarah Bernhardt, de Guillaume Nicloux


 “Para ser rico, tem-se que dar tudo de si!”

Ainda que “A Divina Sarah Bernhardt” (2024, de Guillaume Nicloux), cumpra aquilo que é prometido no título, em termos biográficos, é um filme recomendado principalmente para quem já conhece algo acerca desta famosa atriz e sobre o círculo de intelectuais e artistas que a cercavam, entre o final do século XIX e o primeiro quarto do século XX. O motivo: o roteiro de Nathalie Leuthreaul pode soar confuso, em seus vais e véns periódicos, além de exibir o cotidiano frenético da diva do teatro francês como se fosse uma das peças que ela interpreta… 

Magistralmente vivificada por Sandrine Kiberlain, Sarah Bernhardt [1844-1923] é retratada na fase derradeira de sua vida e carreira, quando precisa amputar uma de suas pernas, em 1915. No início do longa-metragem, Sarah está no palco, morrendo em mais uma de suas potentes encenações, conforme elogia o escritor Oscar Wilde [1864-1900], num telegrama enviado para ela, numa homenagem. Ocorre que, no dia a dia, a atriz demonstrava um comportamento imperioso e até inconveniente, por ser acostumada aos caprichos da fama. 

Compulsivamente apaixonada pelo ator e dramaturgo Lucien Guitry, papel de Laurent Lafitte, Sarah tem uma crise exagerada de ciúmes, quando ele demonstra o interesse de casar-se com a jovem atriz Charlotte Lysès, interpretada por Mathilde Ollivier, que, mais à frente, envolver-se-á com o filho de Lucien, o cineasta Sacha Guiltry, personagem vivido por Arthur Mazet, afilhado de Sarah. E ela, ao mesmo tempo em que se esforça para recuperar o carinho do homem que ama, tenta fazer com que ele se reconcilie com o seu filho. 

Crédito de Imagens:
A película recebeu indicações técnica no César Awards de 2025 - "Melhor Figurino e Melhor Design de Produção"


Parte considerável dos noventa e oito minutos de duração desta película é dedicada ao relacionamento turbulento entre Sarah e Lucien, não obstante também acompanharmos as suas interações com personalidades como Sigmund Freud, aqui interpretado por Nico Rogner, e Émile Zola, vivido por Arthur Igual, visto que a atriz possuía ascendência judaica e demonstrou-se favorável à defesa do militar que desencadeou o polêmico julgamento conhecido como Caso Dreyfus, que causou bastante rebuliço na França entre 1894 e 1906… 

Em razão de a atriz estar comumente embriagada ou até mesmo drogada – por causa das dores atrozes que sentia desde que sofreu o acidente de palco que ocasionou a gangrena de sua perna –, o filme possui um ritmo ébrio, em que as passagens de tempo e as situações acompanham o estado de espírito da protagonista, cujos diálogos misturam passagens teatrais com uma maneira evasiva de lidar com os problemas, como o fato de o filho de Sarah, Maurice Bernhardt, encarnado por Grégoire Leprince-Ringuet, ser um apostador contumaz. Dilapidando a fortuna de sua mãe, Maurice apóia que ela escreva um livro de memórias, já que ela costuma alegar que diz, em entrevistas, o contrário do que pensa. É quando surge uma frase magistral, atribuída à atriz: “quando não se pode falar a verdade, deve-se mentir com sinceridade”! 

Trailer

Ficha Técnica

Título Original e Ano: Sarah Bernhardt, La Divine, 2024. Direção: Guillaume Nicloux. Roteiro: Nathalie Leuthreau. Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar, Pauline Etienne, Mathilde Ollivier, Laurent Stocker, Grégoire Leprince-Ringuet, Clément Hervieu-Léger, Sébastien Pouderoux, Sylvain Creuzevault, Arthur Mazet, Arthur Igual. Gênero: Drama Biográfico. Nacionalidade: França. Direção de fotografia: Yves Cape AFC. Som: Olivier Dô Huu, Thomas Desjonquères, Olivier Walczak. Direção de Arte: Olivier Radot. Edição: Guy Lecorne Lma, Karine Prido. Figurino: Anaïs Romand. Produção: François Kraus, Denis Pineau-Valencienne. Distribuidora: Imovision. Duração: 98 min. Classificação: 16 anos

O ótimo entrosamento de um elenco homogêneo – com vários integrantes da Comédie Française – valida o aspecto refinado da produção, que, obviamente, serve-se de uma opulenta reconstituição histórica, com caprichada direção de arte, assinada por Olivier Radot, e deslumbrante fotografia de Yves Cape AFC – mais uma vez, fazendo com que os ambientes percorridos por Sarah Bernhardt e seus amigos pareçam uma extensão dos cenários teatrais. O desfecho do filme, em que Sacha narra o que acontece com a madrinha e com seu pai, nos finais de suas respectivas vidas, é bastante emocionante. Mais ainda, quando um excerto do clássico documentário “Ceux de Chez Nous” (finalizado em 1952, pelo próprio Sacha Guitry, a partir de filmagens iniciadas em 1915) é mostrado durante os créditos de encerramento… 

O tom monocórdico da narrativa, eventualmente atravessado pela histeria de sua protagonista e permeado por trecho de diversas composições clássicas, pode causar estranhamento para quem espera uma perspectiva biográfica tradicional ou explicativa: ao diretor, interessa muito mais uma imersão actancial, deveras similar ao tipo de treinamento profissional que Sarah Bernhardt impunha às suas companheiras de cena, que eram repreendidas por chorarem ao serem maltratadas. “Em vez de chorar, tu deves me fazer chorar”, dizia a atriz, que afirmava que os intérpretes teatrais deviam “fazer o coração sangrar, a fim de comoverem a platéia”. O filme demonstra que a protagonista real não era muito simpática fora dos palcos, ainda que seu carisma fosse arrebatador e seu talento inquestionável. Para quem já conhece algo sobre a atriz, este exercício cinematográfico de cariz dramatúrgico aumenta o fascínio que ela exerce ainda hoje, mais de cem anos após a sua morte. Fez jus ao epíteto: tornou-se imortal!

EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ronnie Wood traz turnê Fearless a São Paulo

 
Realizado pela 30e e com apresentação do Itaú Live, o espetáculo será dia 1º de novembro, no Espaço Unimed; a pré-venda exclusiva para clientes do banco começa dia 28 de julho, às 12h, e a venda geral inicia dia 30 de julho, às 13h no site da Eventim
Ronnie Wood, um dos guitarristas mais queridos e um dos cantores e compositores mais bem-sucedidos do mundo, está comemorando os seus 60 anos (e contando) de carreira musical e 50 anos como um Rolling Stone. 
turnê Fearless desembarca em São Paulo, no dia 1º de novembro, no Espaço Unimed. O espetáculo é uma realização da 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, e é apresentado por Itaú Live, plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco. A pré-venda exclusiva para clientes Itaú Private e Itaú Personnalité começa a partir das 12h do dia 28 de julho, com 15% de desconto na compra de ingressos com cartões de crédito Itaú. Já a pré-venda para os demais clientes Itaú inicia a partir das 12h do dia 29 de julho. Para o público em geral, as vendas começam às 13h do dia 30 de julho. Os ingressos podem ser comprados no site da Eventim (acesse aqui). 
A tour acompanha o lançamento do álbum Fearless: Anthology 1965–2025, que percorre diferentes fases de Ronnie Wood como guitarrista, compositor, performer e colaborador. A coletânea reúne faixas dos sete álbuns solo de estúdio do artista, além de coautorias e registros ligados a momentos importantes de sua trajetória com Rolling Stones, Faces, Rod Stewart, Ronnie Lane e Jeff Beck Group.
Este show intimista é uma oportunidade de ver um dos guitarristas mais emblemáticos do mundo fora de suas apresentações em estádio com os Rolling Stones. Serão os primeiros sets solo ao vivo completos que Ronnie Wood tocará em mais de 16 anos. Juntando-se à banda em ambas as apresentações estará sua amiga íntima Imelda May. A dupla colaborou várias vezes em discos e ao vivo, principalmente no Concerto Tributo a Jeff Beck de 2023, no Royal Albert Hall, em Londres.
“Ronnie Wood é um desses artistas cuja trajetória ajuda a contar a própria história do rock. O mais interessante desse show é poder vê-lo em uma apresentação solo, em um formato mais próximo, revisitando diferentes fases de uma carreira construída entre bandas, parcerias e projetos autorais. É uma oportunidade rara, e ficamos muito felizes que a 30e possa proporcionar esse encontro para o público brasileiro”, afirma Carol Pascoal, VP de Marketing e Comunicação da 30e.
Ronnie foi incluído duas vezes no Rock and Roll Hall of Fame (com os Rolling Stones e os Faces). Ele tocou em alguns dos grupos de rock mais influentes de todos os tempos e fez participações especiais com importantes nomes da música. Paralelamente, construiu uma carreira notável como artista respeitado e, graças ao seu talento natural como contador de histórias, conquistou um recorde de três prestigiosos prêmios Sony de Personalidade de Rádio.
Ronnie Wood é um artista que ajudou a construir a história do rock e segue mobilizando fãs de diferentes gerações ao redor do mundo. No Itaú Live, nosso objetivo é colocar esses fãs no centro da experiência, oferecendo benefícios que facilitem o acesso ao show, como pré-venda exclusiva e condições especiais de pagamento. Queremos estar presentes em toda essa jornada, tornando esse encontro com a música mais simples, conveniente e memorável”, afirma Rodrigo Montesano, Superintendente de Experiências e Conexões de Marcas do Itaú Unibanco.
Com uma carreira marcada por encontros, reinvenções e diferentes capítulos, Ronnie Wood chega ao Brasil para celebrar 60 anos de música em uma apresentação que reúne memória, repertório e a presença de um artista que ajudou a moldar a história do rock.
                                                              Crédito de Imagens: Divulgação
                         
SERVIÇO
Ronnie Wood
Realização: 30e
Apresentação: Itaú Live
SÃO PAULO
Data: 1º de novembro de 2026 (sábado)
Local: Espaço Unimed - Rua Tagipuru, 795 - Barra Funda - São Paulo/SP
Horário de abertura da casa: 18h
Classificação etária: Entrada e permanência de menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal
Setores e preços:
Pista - R$ 262,50  (meia-entrada) | R$ 525,00  (inteira)
Pista Premium Itaú Personnalité - R$ 397,50  (meia-entrada) | R$ 795,00  (inteira)
Mezanino - R$ 437,50  (meia-entrada) | R$ 875,00  (inteira)
Camarote A e B - R$ 497,50  (meia-entrada) | R$ 995,00  (inteira)
Pacote VIP Super Fã Itaú - R$ 1.396,50  (meia-entrada) | R$ 1.794,00  (inteira)

Pacote VIP Super Fã Itaú*
Incluso
- 1 (um) ingresso de Pista Premium Itaú Personnalité
- Acesso antecipado à venue (Early Entry) com fila exclusiva
- Acesso antecipado à loja de merchandise
- Credencial VIP comemorativa + cordão
- Kit com itens exclusivos do show
- 1 (um) copo exclusivo
- 1 (um) voucher para welcome drink : Com álcool: Aperol Spritz, Moscow Mule e Gin Tônica / Sem álcool: Pink Lemonade, Mojito Sem Álcool e Maracujá Fresh.

Pré-venda clientes Itaú Unibanco:
Clientes Itaú Private Bank e Itaú Personnalité: 28 de julho, às 12h, até 29 de julho, às 12h
Demais clientes Itaú Unibanco: 29 de julho, às 12h, até 30 de julho, às 12h
Venda geral: 30 de julho, às 13h
Vendas online em: eventim.com.br/ronnie-wood-2026
Bilheteria oficial: Nubank Parque - Rua Palestra Itália, 200  – Portão A – Água Branca, São Paulo/SP
Funcionamento: Terça a sábado das 10h às 17h* | *Não há funcionamento em feriados, emendas de feriados, dias de jogos ou em dias de eventos de outras empresas.

Benefício para clientes Itaú Unibanco
Pré-venda exclusiva com 15% de desconto no valor dos ingressos para compras com cartões de crédito
*Compra de 4 ingressos por CPF -  sendo aplicável somente a ingressos inteira, de qualquer setor, sujeito a disponibilidade
Parcelamento em até 3x sem juros 
O parcelamento em até 3x sem juros é válido para qualquer compra com cartão Itaú, na pré-venda ou não, tenha desconto, ou não no ingresso.

SOBRE A 30e
A 30e é a maior e a mais relevante companhia brasileira de entretenimento ao vivo. Com a missão de entregar felicidade e criar memórias inesquecíveis, a empresa tem a inovação, a excelência e as pessoas no centro de tudo o que faz. E, desta forma, a 30e ganhou reconhecimento global como a nova geração do setor. A companhia construiu credibilidade junto ao mercado e ganhou a confiança dos artistas internacionais e nacionais, além dos fãs de música. Já realizou shows de Paul McCartney, System of a Down, Lana Del Rey, Twenty One Pilots, Florence and the Machine, Kendrick Lamar, Slipknot, Gorillaz, The Killers, Roger Waters e Bring Me The Horizon no país. Como uma empresa 100% brasileira, a 30e tem as credenciais necessárias para dimensionar os artistas nacionais e idealizou tours que transformaram a perspectiva do showbiz no Brasil. A turnê Titãs Encontro, a SUPERTURNÊ do Jão, a despedida do Natiruts dos palcos e, agora, a última turnê de Gilberto Gil, TEMPO REI, são exemplos disso. A companhia realiza mais de 200 eventos por ano e tem a projeção de impactar 4 milhões de pessoas em 2025 — sempre desenvolvendo o seu posicionamento de “Delivering Happiness”.

Sobre o Itaú Live
Itaú Live é a plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco, criada para conectar fãs, artistas e experiências ao vivo em uma estratégia de relacionamento de longo prazo. A iniciativa potencializa toda a atuação do banco nesse território, reunindo shows, festivais e conteúdo. Entre os pilares da plataforma está a parceria estratégica de cinco anos com a 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, que garante escala e recorrência de shows e turnês em todo o país. Ao colocar o fã no centro da jornada, o Itaú Live transforma a música em um ecossistema de conexão, oferecendo condições especiais de compra, descontos, parcelamento sem juros e experiências exclusivas que ampliam o acesso e qualificam a vivência nos eventos. Site: https://www.itau.com.br/itau-live 

Ronnie Wood:
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quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Odisseia, de Christopher Nolan


Após a parceria bem-sucedida com a Universal no lançamento de Oppenheimer (2023), que rendeu a Christopher Nolan o Oscar de Melhor Filme, o diretor retorna com sua nova proposta: uma releitura épica e dramática de "A Odisseia", sequência dos acontecimentos narrados em "A Ilíada", de Homero. O longa acompanha a conturbada jornada de retorno do rei grego Odisseu (Matt Damon) e de seus homens, obrigados a enfrentar deuses e criaturas míticas durante a travessia pelo mar. A produção incorpora um elemento recorrente na filmografia de Nolan: a narrativa não linear. A brincadeira temporal, que apresenta as consequências antes das causas, cria um constante efeito de antecipação da tempestade antes da calmaria.

Anos após o desaparecimento de Odisseu, sua rainha, Penélope (Anne Hathaway), governa Ítaca de forma "temporária". Diversos pretendentes ao trono ocupam os salões do palácio, enquanto ela é pressionada pelos anciãos a escolher um novo marido. Seu filho, Telêmaco (Tom Holland), ainda alimenta a esperança do retorno do pai, embora não guarde qualquer lembrança dele. O jovem príncipe também sofre pressão dos pretendentes para romper com as leis de hospitalidade de Zeus e enfrentá-los, correndo o risco de ser exilado e deixar o caminho ainda mais livre para aqueles que desejam usurpar o reino. À frente desse grupo está Antínoo (Robert Pattinson), um homem astuto que foi poupado da Guerra de Troia ainda na infância, quando seu irmão Sinon (Elliot Page) foi enviado em seu lugar. Manipulador, ele atua constantemente para desestabilizar Telêmaco e alcançar seus próprios interesses. Cercados por ameaças, mãe e filho continuam acreditando no improvável retorno de Odisseu.

Enquanto isso, a narrativa apresenta Odisseu perdido, sem memória, vivendo em uma ilha paradisíaca ao lado da ninfa Calipso (Charlize Theron). Aos poucos, ele reconstrói os acontecimentos que o levaram até ali, enquanto suas escolhas continuam produzindo consequências para aqueles que ficaram em Ítaca. A deusa da sabedoria, Atena (Zendaya), surge ocasionalmente para instigá-lo a recordar seus infortúnios, quase como uma personificação do próprio trauma. Essa maneira curiosa de abordar os deuses gregos é uma diferença marcante no senso comum sobre eles. Nolan transforma a figura de deuses com corpos e desejos humanos em “forças” da natureza ou elementos etéreos e afastados da realidade. Essa visão monoteísta do divino desfigura todo o propósito que os deuses têm dentro da narrativa original e transfere para os humanos o papel de agente ativo nas mazelas do mundo, ficando prejudicada a profundidade da rica discussão que entrelaça deuses e humanos como reflexos de si mesmos.

Ao mesmo tempo que desfigura, essa visão anacrônica serve ao grande propósito primordial do roteiro, também assinado por Nolan, de trazer uma discussão sobre o fim de uma ordem vigente e o começo de uma nova. Os valores, costumes e a cultura de uma determinada época sempre alcançam um apogeu e chegam a um fim inevitável. Uma nova ordem não surge sem que faça ruir de forma catastrófica a anterior. Está impressa aqui a visão romantizada de que o ponto de não retorno para aqueles povos ocorreu após os gregos enganarem os troianos com o falso presente de rendição para depois invadirem, saquearem e pilharem a cidade. Essa abordagem substitui o feito como uma tática ousada de guerra por uma traição vil e desleal. O roteiro perde força nesse sentido por desconsiderar que táticas desleais sempre existiram e continuam a existir hoje em muitas partes do mundo. As guerras nunca foram ganhas com justiça ou igualdade de forças. O diretor parece querer dizer que as sociedades humanas são cíclicas e precipita (talvez, sem intenção consciente) que o fim agonizante de um império nem sempre vem para o bem. Um possível reflexo de um sentimento coletivo da sociedade estadunidense no século XXI.

Trailer



Ficha Técnica

Título Original e Ano: The Odyssey, 2026. Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher Nolan - adaptação do livro homônimo de Homero. Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong'o, Zendaya, Charlize Theron, Elliot Page, Samantha Morton, Jon Bernthal, Himesh Patel, Mia Goth, Josh Stewart, Benny Safdie, Logan Marshall-Green,John Leguizamo, James Remar, Travis Scott, Corey Hawkings. Gênero: Ação, Épico, Aventura,Drama. Nacionalidade: Reino Unido e EUA. Trilha Sonora Original: Ludwig Göransson. Fotografia: Hoyte van Hoytema. Edição: Jennifer Lame. Design de Produção: Ruth De Jong. Empresas Produtoras: Universal Pictures, Syncopy e Wildside. Distribuidora: Universal Pictures Brasil. Duração: 02h52min.

O elenco estrelado é um deleite à parte apesar de alguma fadiga com certos atores que parecem estar presentes em todos os grandes filmes produzidos em Hollywood. Ninguém pensa seriamente em um descanso de imagem? São questões que vêm à mente involuntariamente nesse caso. Observando os trabalhos em si, a atuação mais destacada é, sem dúvida, a de Matt Damon com sua expressão enigmática e onipresente. Astuto e sagaz em suas poucas palavras de grandes impactos, a construção causa simpatia quase que imediata. O drama do pai que precisou se afastar dos filhos para cumprir uma missão maior que ele e agora tenta retomar esse tempo perdido ainda é um tema central dentro dos filmes de Christopher Nolan. O mesmo não pode ser dito dos outros personagens, apesar de intrigantes, não é possível estabelecer uma conexão emocional com eles. Os diálogos entre Anne Hathaway e Tom Holland carregam as cenas mais dramáticas e políticas e dão a eles a oportunidade de atuar bem quando necessário. Os personagens secundários são igualmente marcantes em cada uma de suas aparições. Mesmo aqueles com pouca participação como Lupita Nyong’o, no papel de Helena de Tróia, ou Samantha Morton, interpretando Circe, causam uma impressão duradoura, mas jamais a simpatia de quem as ouve. São personagens que facilmente dariam um longa próprio com igual profundidade temática, porém isso é um grande mérito das atrizes em traduzir emoções não comunicadas pelo roteiro. É perceptível que estamos acompanhando um simples recorte de um mundo muito mais amplo e rico do que o mostrado em tela, cuja amplitude parece sem precedentes e cuja emoções o diretor parece incapaz de aprofundar da maneira correta para além de seu protagonista.

O filme não é apenas amplo em seus personagens etéreos ou comentários temáticos, mas também em sua realização. Os cenários abertos e grandes tomadas aéreas ajudam a construir a profundidade épica necessária para tragar de forma irreversível quem o assiste para dentro da narrativa. Um grande mérito da fotografia de Hoyte van Hoytema. O orçamento de 250 milhões se justifica em cada cena na grandiosidade das locações utilizadas e na conhecida aversão ao uso de CGI por parte do diretor. É quase possível sentir na própria pele a fúria das tempestades e a brisa dos ventos salgados. Poucos longas têm essa capacidade de criar sensações próximas do real apenas com imagem e som, tornando quem o assiste um participante ativo da trama e não apenas um mero espectador. Essa experiência sensorial profunda é o grande ponto alto do filme.

Outro aspecto técnico assustadoramente perfeito aqui é a trilha sonora composta por Ludwig Goransson. As batidas fortes e tensas penetram de forma intensa nas cenas e, em muitas situações são capazes de criar uma sensação de inquietude e ansiedade desesperadoras. Nas cenas finais quando a timeline do passado do protagonista se mescla com o seu retorno heroico para Ítaca, a trilha se torna praticamente um personagem próprio, amplificando em muitas vezes as emoções dos atores, ajudando a construir a profundidade épica da situação e os empurrando ao limite de um penhasco de emoções sem controle.

                                            Crédito de Imagens: © Universal Studios. All Rights Reserved.
O épico foi filmado em locações na Grécia, Marrocos, Islândia, Escócia e Itália, além de estúdios na Califórnia, nos Estados Unidos.

As semelhanças de forma e estrutura com Oppenheimer mostram que há uma tentativa de replicar o que deu certo no filme anterior. A Odisseia repete a narrativa do homem excepcional atormentado por seus próprios pecados, intencionais ou não. É como se Nolan tivesse finalmente captado a fórmula mágica que faz um filme cair nas graças da academia: na primeira vez transformando uma história pessoal em um épico trágico e agora indo além e traduzindo um clássico em um épico ainda mais trágico. Talvez isso mostre o amadurecimento do cineasta ou só reforce suas próprias amarras enquanto realizador. O tempo dirá. O fato é que, mais uma vez, ele acerta em cheio nesse tipo de estrutura.

A discussão proposta, a trilha sonora, a fotografia e cenários grandiosos ajudam a construir os méritos positivos do filme enquanto que as atuações extremamente competentes parecem presas a um limitador emocional dos personagens, muitos deles um mundo em si mesmos. A reimaginação da obra clássica retira todo o aspecto de aventura rumo ao desconhecido e a transforma em uma saga de purgação. Nesse sentido, A Odisseia apresenta um épico de redenção de um ponto de vista etéreo e busca discutir temas já amplamente explorados em outras obras do realizador, deixando um gosto de quero mais, mas não pelos motivos certos.

HOJE NOS CINEMAS

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Mostra Internacional de Cinema anuncia novidades para 2026


Mostra Internacional de Cinema anuncia patrocínio, exposição, Sala Petrobras no Solar Fábio Prado e novidades para 2026

  • Evento, que completa 50 anos, ocorre na capital paulista entre 15 e 29 de outubro
  • Mostra firma parceria com o Solar Fábio Prado, administrado pela Fundação Padre Anchieta, que recebe a Sala Petrobras
  • Espaço cultural também vai abrigar exposição com a história do festival e o VI Encontro de Ideias Audiovisuais, além de receber cineastas para conversas e sessões especiais

Mais uma vez, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo tem a imensa alegria de contar com o patrocínio master da Petrobras, que, por meio do programa Petrobras Cultural, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, aposta na cultura como um dos motores da economia do país, no cinema brasileiro e na importância dos festivais.

Graças à renovação dessa parceria, a 50ª edição do evento, que ocorre entre 15 e 29 de outubro, está sendo organizada para ser histórica e levar ao público uma diversa seleção de filmes nacionais e estrangeiros, além de debates e oportunidades para a troca de ideias sobre o mercado audiovisual. A Petrobras também patrocina a 3ª Mostrinha, eixo da Mostra que se dedica à infância e à formação de uma nova geração de espectadores.

Além da Petrobras, a 50ª Mostra conta com o patrocínio do Itaú, a parceria do Sesc e o fomento do ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo), por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Com vocação para circular e ocupar espaços em diferentes pontos da capital paulista, a Mostra terá, em 2026, uma grande e boa mudança: a Sala Petrobras na Mostra será instalada no Solar Fábio Prado, numa parceria entre a Mostra e a Fundação Padre Anchieta, que administra o imóvel localizado na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano.

O ambiente temporário que está sendo construído no Solar, especialmente para a 50ª Mostra, vai abrigar sessões tradicionais, conversas com realizadores e apresentações especiais e gratuitas.

O VI Encontro de Ideias Audiovisuais, marcado para acontecer durante os dias 20, 21, 22 e 23 de outubro, também se instalará no centro cultural administrado pela Fundação Padre Anchieta.

Para celebrar as cinco décadas de vida da Mostra, o Solar Fábio Prado receberá ainda uma exposição que passeia pela história do evento cinematográfico. Com concepção da cineasta, cenógrafa e multiartista Daniela Thomas, a exposição tem a pesquisa histórica de Helena Tassara e cenografia de Felipe Tassara e Daniela Thomas.

PATROCINADORES DA 50ª MOSTRA
Neste ano, a Mostra conta com o patrocínio master da PETROBRAS, o patrocínio do ITAÚ, a parceria do SESC, o fomento do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, a colaboração da SPCINE, da EMBRATUR e da NETFLIX, o apoio do PROJETO PARADISO, a promoção da GLOBOFILMES, do CANAL BRASIL, da FOLHA DE S.PAULO, da TV CULTURA, da ARTE 1, do INSTITUTO BANDEIRANTES e da REVISTA PIAUÍ, o apoio técnico da QUANTA e do CULTURA ARTÍSTICA. Realização: MINISTÉRIO DA CULTURA, através da LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA.

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domingo, 12 de julho de 2026

Um Triste e Belo Mundo, de Cyril Aris


“Não tenho culpa se o paladar dela é quebrado!”
 
Na primeira seqüência deste filme, somos apresentados aos dois personagens principais, de maneira inusitada: num hospital recém-bombardeado, nascem duas crianças, com um minuto de diferença. Às 17h05’, um garotinho de nome Nino (Mohamad Farhat); às 17h06’, Yasmina (Alex Choueiry). Ambos estudarão na mesma escola, em Beirute, e, quando se tornam adultos, apaixonar-se-ão… 

Nino (Hasan Akil) é o proprietário de um restaurante, que lida com as personalidades fortes de seus funcionários, sobretudo o ‘chef’ Chafic (Tino Karam), que não permite que os clientes adicionem sal ou pimenta aos pratos que ele prepara, pois estes já estariam com “o equilíbrio perfeito entre temperos”, e cuja esposa Leila (Nadyn Chalhoub) está grávida. O restaurante pertenceu aos pais de Nino, que faleceram num acidente automobilístico, e coube ao seu avô Antoine (Camille Salameh) estimular a continuidade do negócio. 

Yasmina (Mounia Akl), por sua vez, é uma executiva bem-sucedida, cada vez mais decepcionada com a situação sociopolítica e econômica do Líbano, que sofre os efeitos extremos de uma guerra interminável. Ela tornou-se ressentida por causa do divórcio dos pais, e cresceu mal-humorada, assumidamente cínica, ao conviver com a sua mãe Oumaya (Julia Kassar), de temperamento difícil, chateada em relação a tudo. Até que o automóvel dirigido por Nino invade o escritório desta última. 

Crédito de Imagens: Joe Sade, Pandora Filmes, Divulgação
O longa-metragem recebeu dezesseis prêmios em festivais diversos e mais seis indicações. O Líbano também enviou a produção como seu representante a categoria de "Melhor Filme Internacinoal" No Oscar de 2026


Ao reencontrarem-se, de maneira tão causal, Yasmina lembra-se de quando, na infância, Nino (então interpretado por Mohamad Fahrat) garantia-lhe que havia uma ilha afastada, onde eles poderiam esquecer de todos os problemas. A pequena Yasmina (Alex Choueiry) projeta nele um refúgio para as suas insatisfações acumuladas, o que será definitivo para a paixão futura, inclusive quando a própria Yasmina engravida e dá a luz à espirituosa Amal (Valentina Hachem). 

Os destinos entrecruzados destas pessoas, numa conjuntura libanesa sob a égide de graves problemas bélicos e financeiros, combinam-se numa trama romântica com diversos instantes cômicos, num enredo que atravessa pelo menos duas décadas. E este é um dos problemas mais evidentes do filme, o histrionismo dos personagens e as situações caricatas, em que os atores gritam insistentemente. Ao fundo, as reflexões de Yasmina, que faz de tudo para ficar ao lado de seu amado, mas não consegue compartilhar o amor que ele sente pelo país natal… 


Trailer


Ficha Técnica

Título Original e Ano: A Sad and Beautiful World/ Nujum al'amal w al'alam, 2025. Direção: Cyril Aris. Roteiro: Cyril Aris e Bane Fakih. Elenco: Mounia Akl, Hasan Akil, Julia Kassar, Camille Salameh, Tino Karam, Nadyn Chalhoub. Gênero: Drama, romance e Catar. Nacionalidade: Líbano, Estados Unidos da América, Alemanha, Arábia Saudita e Catar. Trilha Sonora Original: Hainbach. Fotografia: Joe Saade. Edição: Cyril Aris e Nat Sanders. Design de Produção: Hanady Medlej. Direção de Arte: Salwa Rahmeh. Figurino: Zeina Saab de Melero. Empresas Produtoras: Abbout Productions, Doha Film Institute, Reynard Films, Diversity Hire, Faliro House Productions, Film Manufactures, Fondation Liban Cinéma, Fonds Images de la Francophonie, Giant Leap Media, Hessen Film & Medien, Mitteldeutsche Medienförderung (MDM), Red Sea Film Fund, Sultan Productions, Sunny Land Films, Sunnyland Film, The Atlas Workshops, Visions Sud Est, Sächsiche Landesmedienanstalt (SLM). Distribuidora: Pandora Filmes. Duração: 109min.

A direção de Cyril Aris – que não é estreante, apear da impressão deixada na condução de seu filme – insiste em deixar o roteiro despojado e acelerado, não obstante as conotações dramáticas que erigem os caracteres dos protagonistas e as suas motivações distintas para manterem um relacionamento: Nino foi privado do convívio paternal desde a adolescência, enquanto Yasmina teme repetir os mesmos comportamentos agressivos de seus genitores, que brigavam diante de si o tempo inteiro. Em meio à instabilidade emocional de seu marido, ela busca recursos para sair do Líbano, mas esbarra nas dificuldades que assolam toda a população. Exemplo: fica a madrugada de pé, numa fila, na esperança de conseguir passaportes para os seus entes queridos, mas isso não dá certo. Até que ela obtém uma vaga internacional em seu emprego, sendo convocada para viver em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. 

Ao longo de uma hora e cinqüenta minutos, acompanhamos as situações como se estivéssemos conferindo uma típica comédia romântica: o título poético é metonimizado nas cartas que Yasmine escreve de maneira compulsiva, sem enviar para os respectivos destinatários. Segundo ela, num conselho para a filha Amal, esta seria a maneira mais adequada para suprimir as dores que a afligem, o que também pode ser a estratégia aforada pelo diretor para lidar com as dificuldades relacionadas à vida num país recorrentemente atacado pela malevolência do Estado de Israel. É um filme não tão memorável quanto a sinopse pretende, mas ajuda-nos a cotejar as brigas e carícias dos personagens com os eventos corriqueiros de nosso dia a dia, num estímulo de enfrentamento diuturno. A trilha musical insere efeitos eletrônicos para emoldurar a celeridade das rotinas de ambos os protagonistas e as interpretações são seguras, mesmo quando se percebe eventuais irregularidades emotivas no roteiro co-escrito pela cineasta Bane Fakih. O desfecho deixa em aberto uma escolha definitiva a ser tomada por Yasmina: assim, a vida continua, com suas belezas e tristezas, simultaneamente disponíveis no mundo em que vivemos.

EM CARTAZ NOS CINEMAS