Ilha Dos Cachorros, de Wes Anderson




Wes Anderson nunca faz feio quando a meta é tocar o coração das pessoas com seu trabalho. ‘Ilha dos Cachorros’, seu mais novo filme é o nono longa de sua carreira, mas o segundo que aplica na telona a técnica de ‘stop motion’ — arte que dá vida a bonecos e os coloca como atores em uma produção cinematográfica. Anteriormente, o diretor também usou o recurso em ‘’O Fantástico Sr. Raposo’’.
Além do cuidado atencioso com os atributos artísticos de seus projetos, Anderson sempre nos mostra que não é somente a beleza de suas películas que o consolida como um dos cineastas mais criativos da atualidade, mas sim o ótimo texto que ele entrega. Contos excêntricos e altamente apaixonantes. Uma aula de perspicácia e delicadeza em forma de diálogos.



Aqui o diretor nos conta a fábula de um mundo asiático futurístico em que cachorros e homens lutaram para ter seu espaço e não serem dominados. Os homens, em um primeiro momento, são derrotados, mas com a partida do líder humano que os ajudara, o clã dos Kobayashi tomam o poder e banem todos os cachorros para ‘ilha do lixo’. Com o intuito de não levantar suspeitas, afinal, a ação era, na verdade, uma retratação a guerra perdida, o prefeito Kobayashi informa a população que todos os pets estão sofrendo de uma doença incurável e que nenhum deles deve ficar no país tornando a ordem uma lei. Assim, nem mesmo o pet de seu sobrinho de doze anos Atari (voz de Koyu Rankin), o cachorro Spots (voz de Liev Schreiber), teria salvação. O garoto, no entanto, não aceita se separar de Spots, e sai em busca de ajuda para rever seu fiel amigo. Chega a ilha do lixo após roubar um jato e lá encontra Chief (voz de Bryan Cranston) Duke (Jeff Goldblum) Rex (Edward Norton) King (Bob Balaban) e Boss (Bill Murray). O grupo inicia então uma caçada pelo cãozinho de Atari. Enquanto isto, um cientista (voz de Akira Ito) e sua ajudante (voz de Yoko Ono) desenvolvem uma cura para tentar trazer os animais banidos para casa e a estudante de intercâmbio Tracy Walker (voz de Greta Gerwig) começa a suspeitar da situação e tenta ajudar de alguma forma.


A história é maravilhosamente bem contada e traz aquele Anderson que tanto amamos ainda mais sensível e genial. Temos uma jornada bem costurada onde introdução e desenvolvimento fazem a conclusão da trama chegarem ao seu ápice com muitas e muitas palmas. Nada ali está solto e até o título da película (em inglês) faz sentido — leia ele rápido e ouvira no som das palavras ‘I Love Dogs’. Assim, para quem ama cachorros, o resultado aqui é um presente. E para os fãs do diretor mais uma colherada de sua espetacular excentricidade.
Se possível, assista em inglês, pois as vozes do elenco dão uma característica muito intima a cada personagem. Edward Norton é muito reconhecível, Bryan Cranston e Frances McDomand também. Aliás, Frances dubla uma interprete, pois o filme não mostra legendas das falas em japonês e isso dá um contraste impressionante e leva o espectador a prestar atenção em quem realmente são os protagonistas aqui: os cachorros, claro. Bryan também nos mostra como sua voz e interpretação casam bem com seu personagem, Chief. E as reviravoltas da trama tendem a nos fazer ficar encantados por ele.



A técnica usada, o stop motion, é super hiper trabalhosa e a produção revela que foram realizadas uma quantidade de 1300 imagens para chegar ao resultado final. Ação que contou com a ajuda de 670 profissionais dedicados em um estúdio na Inglaterra.
Vale lembrar que uma das características fortes que denunciam Wes Anderson como ‘dono de certo projeto’ é seu uso constante da simetria. Takes organizados e que demonstram o quão detalhista ele é em deixar sua marca na indústria cinematográfica. Ademais, aqui e ali e insere referências de seus ídolos — Akira Kurosawa ganha aqui trocentas, aliás.
Grande parte da equipe é a mesma de quase todos os filmes de Anderson. Alexandre Desplat assina a trilha sonora e dá destaque a sons de tambores e flautas para trazer o mundo asiático com força. Direção de arte tem Curt Enderle no leme e a fotografia é dirigida por Tristan Oliver que também esteve na produção de ‘O Fantástico Sr. Raposo.


Ficha Técnica: Isle of Dogs, 2018. Direção: Wes Anderson. Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Kunichi Nomura, Jason Schwartzman . Elenco: Koyu Rankin, Bob Balaban, Bill Murray, Jeff Goldblum, Kunichi Nomura, Greta Gerwig, Harvey Keitel, Yoko Ono, F. Murray-Abraham, Akira Ito, Ken Watanabe, Liev Schreiber, Courtney B. Vance, Edward Norton, Bryan Cranston, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Frances McDormand. Trilha Sonora Original: Alexandre Desplat. Gênero: Animação, aventura, comédia. Direção de arte: Curt Enderle. Fotografia: Tristan Oliver. Nacionalidade: Eua. Edição: Edward Bursch, Ralph Foster e Andrew Weisblum. Distribuidor: Fox Filmes. Duração: 01h42min.

Avaliação: Quatro cachorros guerreiros e meio saco de comida (4,5/5 — Ótimo).
26 de Julho nos cinemas!
Não recomendado para menores de 12 anos
See Ya!


B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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