Zumbilândia - Atire Duas Vezes


Em 2009, o mundo era outro, mas não exatamente haviam zumbis reais e em larga escala como agora, se é que me entendem. Trazer então de volta o universo de Zumbilândia e reavaliar o que houve se readequando ao momento atual fez bem a trama e sua sequência se mostra forte e redondinha - o que dá um sentido especial a espera desse segundo filme.

A temática, ao longo desses dez anos, ganhou diversas vertentes nas telas e também na tevê (Meu Namorado É Um Zumbi, Orgulho e Preconceito e Zumbis, The Walking Dead e IZombie), mas talvez nenhuma fora tão divertida. Dirigida por Ruben Fleischer e roteirizada por Rhett Reese e Paul Wernick, a produção trouxe um casting no ponto. Um ator experiente, Woody Harrelson, ao lado de três jovens que já estavam na mira do estrelato Abigail Breslin, Emma Stone e Jesse Eisenberg (ah, e não esqueçam da incrível participação de Bill Murray).

O enredo, simples e direto (estranhos de diferentes idades e origens se encontrando após um surto zumbi na humanidade), todavia, com uma apresentação detalhada e dinâmica vem com uma narração analítica da situação e um quadro de regras pelo mesmo narrador, este último que demonstrava o porquê alguns atos eram importantes para se manter vivo nessa era apocalíptica. 

Assim, a construção de um novo roteiro de aventuras para esse quarteto faria sentido se não esquecesse suas próprias demandas e 'Zumbilândia - Atire Duas Vezes' parte desse pressuposto e vence qualquer medo de continuações fajutas. Agora o texto tem colaboração de Dave Callaham e a presença de todo o elenco adicionado ao encontro de novos atores, entre eles, Luke Wilson, Thomas Middledicth, Zoey Deutch, Rosario Dawson e Ava Jogia, enfeitando novos personagens e nos presenteando com um dos melhores filmes para a época do Halloween.

Trailer




Ficha Técnica
Titulo original e ano: Zombieland- Double Tap, 2019. Direção: Ruben Fleischer. Roteiro: Dave Callaham, Rhett Reese, Paul Wernick. Elenco: Woody Harrelson, Abigail Breslin, Emma Stone, Ava Jogia, Zoey Deutch, Luke Wilson, Rosario Dawson, Thomas Middleditch, Bill Murray. Gênero: Comédia, terror. Nacionalidade: Eua. Trilha Sonora original: David Sardy. Fotografia: Chung-hoon Chung. Edição: Chris Patterson e Dirk Westervelt. Distribuição: Sony Pictures Brasil.Duração: 01h28min.
A retomada da história mostra Columbus (Eisenberg), Tallahassee (Harrelson), Wichita (Stone) e Little Rock (Breslin) enfrentando zumbis evoluídos, denominados 'T-800', uma clara referência aos filmes do Exterminador do Futuro, e ainda rindo litros dos famosos 'Homer's', sim zumbis a cara do patriarca da família Simpsons que deixam seu lado idiota proliferar à vontade e não metem medo em ninguém. 

A produção do filme anunciou a sequência em janeiro ao participar do 'Desafio dos Dez Anos'.

Não bastasse tal fator a convivência faz o casal Wichita e Columbus se desentenderem e, para piorar tudo, Little Rock está se sentindo muito protegida pelo 'modelo de pai' que Tallahassee põe em prática. Obviamente, as duas debandam e com essa partida adentram a cena Berkeley (Jogia) e Madison (Deutch). Ambos opostos um ao outro e ambos com teor de romance. Berkeley é um jovem hipponga que de cara encanta Little Rock e Madison é uma menina daquelas beem 'patricinhas' e saída diretamente dos famosos bairros riquinhos da Califórnia. Ela se joga em Columbus, que sem saída e sem Wichita por perto, se vê obrigado a cair na dela. Tallahassee, prático e genioso, não quer agrega-la a tribo, e quando eles reencontram Wichita, que vê a irmã partir com o pretendente, conflitos engraçadíssimos se formam enquanto o grupo decide que rumo tomar para encontrar a ovelha que se desgarrou. 

Ademais, a nova jornada os coloca de frente com 'doppelgängers' - versões de si mesmos - que eles nunca imaginariam existir, mas existem. Columbus conhece Flagstaff (Middleditch) e Tallahassee a Albuquerque (Wilson). E de embalo uma mulher de forte temperamento também entra em cena, Nevada (Dawson), e os dois cowboys perdem as estribeiras.












O próprio Harrelson disse em milhares de entrevistas que se falassem em 2009 que haveria uma sequência do filme, ele diria que não. E cá estamos. E com uma jogada incrível e inteligente. Algo raro de acontecer para uma continuação. Diz se isto porque o filme 'comeu a si mesmo e se digeriu bem'. Envelheceu bem. Seus personagens marrentos, medrosos, inteligentes e fortes crescem aqui e o que se mostra conveniente cai dois ou três segundos depois pelas surpresas que o texto consegue entregar. A estrutura é a mesma, mas vem arrojada e com boas sacadas. 

A inserção de novos personagens também é demasiadamente deliciosa. A que mais fortalece o elenco é a Paty de Zoey Deutch. De cara, sua burrice faz rir, mas é seu desenvolvimento na tela que nos deixa tonto em como ela representa a soma perfeita ao grupo. Dawson dá um sabor adulto e um novo olhar a vida para o cowboy de Harrelson, mas nada é perfeito, e seu ex, vivido por Luke Wilson, vem com características ainda mais caipiras que Tallahasse e entra em qualquer competição para ter o amor de Nevada. Completando o bonde, vem Flagstaff. Thomas Middleditch (Silicon Valley) entrega quase os mesmos tics que Jesse Eisenberg e os dois faltam sair de mãos dadas pelas cenas. O hippie de Jogia é abesteirado e tem sua função. 


A produção realmente surpreende e funciona até se você não tiver assistido o primeiro, mas cá entre nós, se você o tiver feito, tudo vai se interligar. A sonoridade, no primeiro é estupenda. Ouvimos logo no inicio 'For Whom The Bell Tolls' do Metallica e aqui 'Master of Puppets' ganha sua vez. Há mais referências culturais (Elvis ganha uma enorme) e não podendo deixar passar em branco a morte de Bill Murray no filme anterior ganha outra tonalidade, aliás, vira até expressão. E ah, o ator pode ser visto ao fim dos créditos, hein?! então não saia do cinema antes deles rodarem.

Fleischer pode ser perdoado por direções recentes em filmes de vilões com esta lindeza aqui. Afinal, seu trabalho está incansavelmente bom e nada no roteiro estraga a experiência do filme. 

Avaliação: Quatro zumbis evoluídos (4/5).

HOJE NOS CINEMAS

See Ya!
B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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