Uma Quase Dupla

Duplas de policiais são inteiramente o carro chefe de muitos filmes de ação. E elas geralmente usam como adorno o contraste entre beleza e comédia para destacar tais personagens. O novo longa de Marcus Baldini (Bruna Surfistinha), Uma Quase Dupla, segue bem essa linha, só que é um pouco, ou ainda bem mais escrachado do que um blockbuster com Will Smith e Martin Lawrence. Aliás, lembra mais Ben Stiller e Owen Wilson no remake de Starsky & Hutch só que com a cara do Brasil.
Estrelados por, ela que dispensa comentários, Tatá Werneck e pelo muso Cauã Reymond, Uma Quase Dupla embarca o espectador nos dias pacatos da cidadezinha de interior ‘Joinlândia’.
Ali, o subdelegado Cláudio (Reymond) passa os dias tentando se provar como um bom policial , profissão que também foi a de seu falecido pai. Cláudio ainda mora com a mãe (Louise Cardoso) e é muitíssimo paparicado por ela, gosta muito do seu amigo Dado playboy e caipira (Daniel Furlan) e raramente é visto se descuidando da beleza. Um belo dia, assassinatos começam a abalar Joinlândia e o chefe da delegacia Moacir (Ary França) chama esforços do Rio de Janeiro que chegam em um formato minúsculo de mulher chamado Keyla (Werneck).
Experiente, dedicada e pronta para qualquer besteira, a investigadora Keyla adentra a cena e se perde toda hora, mas consegue achar suspeitos e é imediatamente posta para trabalhar com Cláudio. Os dois odeiam a notícia e isto se evidencia na falta de química e nos métodos de trabalho. Mas aos poucos eles vão concluindo que juntos são quase um e não dois e possivelmente pegarão o assassino que está aterrorizando a cidade matando jovens indefesas.

Keyla (Werneck) tem todo um figurino Lara Croft, enquanto Cláudio (Reymond) jura que é o MacGyver
A trama é altamente esdrúxula como qualquer outra de filmes do gênero. Mas agrada, pois segue rumos não tão previsiveis. Tem piadas insanas, bestas e as atuações surpreendem bastante. O roteiro é assinado por Leandro Muniz e tem colaborações de Werneck, Furlan e Fernando Fraiha (La Vinganza).
Tatá, claro, traz muito do seu jeito de fazer comédia para a personagem e se você não odiar, vai gostar, por que aqui ela faz sentido. Cláudio, já traz um Cauã deuso, porém com falta de inteligência. E os dois, apesar de ‘típicos policiais’, conseguem se construir em cena e abraçar a ideia de ‘dupla atrapalhada que resolve a parada’. Temos tempo ainda para personagens misteriosos como André (Augusto Madeira), um morador das redondezas, o perito médico Augusto (Alexandro Claveaux), o playboy caipira Dado (Furlan) e o namorado de uma das moças assassinadas Luis (Pedroca Monteiro),e mais ainda para o garçom Heitor (Caito Mainier) e a atendente de telemarketing Lucia (Luciana Paes).
Baldini acaba entregando um conjunto melhor do que apresenta no trailer. E sua dinâmica deixa os personagens vivos e sem dúvida desatentos — no bom sentido. A montagem de Danilo Lemos também vem no ponto. A trilha é de Plinio Profeta.
Uma Quase Dupla tem realização ou participação de um grupo que tem feito muita coisa boa pelo cinema brasileiro (T.O.C, La Vinganza e etc) e merece a atenção do público muito mais que um blockbuster hollywoodiano.
Ficha Técnica: Uma Quase Dupla, 2018. Direção: Marcus Baldini. Roteiro: Leandro Muniz — com colaborações de Tatá Werneck, Daniel Furlan e Fernando Fraiha. Elenco: Tatá Werneck, Cauã Reymond, Alejandro Claveaux, Louise Cardoso, Ary França, Daniel Furlan, Augusto Madeira, George Sauma, Luciana Paes, Gabriel Godoy, Valentina Bandeira, Priscila Steiman, Pedroca Monteiro e Caito Mainier. Nacionalidade: Brasil. Trilha Sonora: Plinio Profeta. Direção de Arte: Rita Faustini. Montador: Danilo Lemos. Distribuidora: Paris Filmes. Duração: 01h30min.
Avaliação: Três assassinatos que causam cócegas (3/5 — Bom).
Hoje nos cinemas!
Não recomendado para menores de 12 anos
See Ya!
B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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