A Mula


Velhinhos sempre tem essa imagem de extremos. Ou são boa gente ou pessoas carrancudas, mas é difícil acreditar que um senhor de idade vá gastar seu precioso e curto tempo de vida com o transporte de drogas. Ah, não pera. Não é não! Afinal, o que já não vimos neste mundo não é mesmo? 

Com essa deixa, os levo a conhecer a história de Leo Sharp, um senhor estado unidense de noventa anos que conseguiu driblar a polícia norte-americana e transportar centenas de pacotes de drogas dentro do país por alguns meses no ano de 2010. Conhecido como 'Tata'', Leo ajudou o cartel de Sinaloa com as entregas mais importantes e chegou a se tornar 'a mula' principal deste. A jornada de Leo foi contada no artigo investigativo do New York Times 'The Sinaloa Cartel's 90 Year Old Drug Mule' escrito por Sam Dolnick , em 2014 (leia aqui). E similar ao que aconteceu ao artigo publicado na revista Rolling Stone sobre jovens que traficavam armas na época da guerra do Iraque (veja aqui), este também fora adaptado para a telona e ganhou o título de 'A Mula'.

Com direção de Clint Eastwood e protagonizado pelo próprio, o longa estreou nos Estados Unidos em dezembro e chega hoje ao Brasil com distribuição da Warner Bros Pictures. No Elenco, Bradley Cooper, Laurence Fishburne, Michael Peña, Alison Eastwood, Dianne Wiest e Taissa Farmiga.

Trailer
 

No longa, Leo Sharp virou Earl Stone, personagem de Eastwood. Ali, Earl é um senhor que sempre trabalhou com flores, decoração e paisagismo. Também é veterano de guerra e dava muita atenção a associação daqueles que lutaram por seu país. Mais até do que sua família. Aliás, na trama cria-se dramaticidade o suficiente para se construir um personagem que não ligava nada para a filha (Alison Eastwood) ou a esposa (Dianne Wiest). 

Porém, Earl passa a querer estar perto de seu clã por conta do afeto que sua neta Ginny (Farmiga) sempre demonstrou a ele. Com a falência de seu negócio voltado para o comércio de plantas e etc, ele arranja um trabalho suspeito como 'transportador' de cargas com jovens mexicanos. Todavia, logo descobre que a alta quantia de dinheiro que está recebendo não tem nada de legal e correto e quanto mais ele trabalha, mais sua carga aumenta, pois o cartel, chefiado por Laton (Garcia) começa a confiar nele 'dicumforça' e o torna o principal transportador. Enquanto isto, o agente de policia Colin Bates (Cooper) e transferido a cidade e seu chefe (Fishburne) o põe para trabalhar ao lado de Trevino (Peña). A dupla inicia um investigação sobre o cartel e aos poucos o cerco sobre Earl vai se fechando.

Earl (Eastwood) em momentos com a filha Iris (Alison Eastwood) e a neta Ginny (Taissa Farmiga)

 A biografia entrega fatos apontados no artigo e altera nomes e 'quatindades' com intuito dramático. A vida de Sharp é esmiuçada também e o arco dos personagens de sua familia é a base para a trama crescer e chegar ao seu ápice.

 O roteiro tem um texto simples, congruente e que faz escolhas assertivas. É muito pouco conveniente ao mesmo tempo que crítico. Fala não só de abandono familiar como também da questão dos imigrantes nos Estados Unidos serem olhados como  escória e terem apenas um lugar, a periferia. Conhecemos os mandantes de tudo, as mulas, e quem está observando tudo para dar o bote final. Alias, como era de se prever, exibe-se também a própria impaciência da policia para mostrar resultados com a investigação - algo comum em casos assim.

 Clint nos entrega um drama muito do 'seu estilo de filme' - pode até ser que você se lembre um pouco de longa em que estrelou em 2008, Gran Torino. Mas aqui não temos um filme tão excelente quanto aquele. Temos uma trama bem costurada e só isso. 

O elenco tem pontos positivos a partir das atuações de Bradley Cooper, Laurence FishBurne, Michael Peña e até Andy Garcia que vive um mafioso fã de 'prática de tiro al alvo'. Já Taissa Farmiga, Alison Eastwood e Dianne Weist ganham cena mais emotivas e que talvez te deixem mais tocada ou tocado. Clint já não é um jovem há muito tempo e encarna aqui um senhor consciente e que usa a inteligência a seu favor - mesmo que isto o prejudique em vários aspectos. 



A trilha musical marca presença na jornada do personagem e faz uma diferença incrível para o funcionamento do enredo. É com ela que sentimos o tom e as cores da bandeira norte-americana, ademais, é de um bom gosto peculiar. 

Clint não nos dá aqui uma direção ferrenha e melancólica como em 'Menina De Ouro', mas tem o seu propósito sério e avaliativo de uma homem que viveu a sua vida e não prestou muito atenção no tempo que tinha e quem estava ao seu lado.

Ponto alto aqui é a edição. Reta e direta.

Ficha Técnica
Título Original: The Mule, 2018. Direção: Clint Eastwood.  Roteiro: Nick Schenk - baseado no artigo 'The Sinaloa Cartel's 90 Year Old Drug Mule' escrito por Sam Dolnick. Elenco: Clint Eastwood, Bradley Cooper, Michael Peña, Taissa FarmigaAndy Garcia, Alison Eastwood, Laurence Fishburne, Dianne Wiest, Manny Montana. Nacionalidade: EUA. Gênero: Biografia, drama. Trilha Sonora: Arturo Sandoval. Fotografia: Yves Bélanger. Edição: Joel Cox. Figurinista: Deborah Hopper. Distribuição: Warner Bros Pictures. Duração:01h56min.
 Apenas mais um bom filme de Eastwood. Somente.

Avaliação: Três olhares de culpado e meio tempo gasto com a família  (3,5/5 ).

14 de Fevereiro nos cinemas

See Ya!



B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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