O Orgulho











Imagine que em seu primeiro dia de faculdade você acaba se atrasando e ao adentrar a sala o professor inicia uma série de ataques preconceituosos com a sua pessoa devido àquele deslize. Imaginou? Se não conseguiu não tem problema, pois esta cena é o que acontece a Neïla Salah, personagem da atriz Camelia Jordana, e pode ser vista em ‘’O Orgulho‘’, de Yvan Attal. 

A situação constrangedora que o professor Pierre Mazard, papel de Daniel Auteuil, incita ao ofender a aluna, obviamente, acaba indo parar na internet e o docente é criticado pela direção da escola. Além disso, a instituição solicita ao professor que ‘adote’ Neïla dentro da Universidade e a guie em um concurso de debates famoso entre os acadêmicos parisienses para limpar sua má fama de carrasco e mau humorado e Pierre decide por em prática o pedido de seus superiores. A principio, a aluna de Direito da Faculdade de Paris se chateia com a orientação, mas aos poucos vai vencendo seus medos, se transformando e transformando o velho rabugento que Pierre é.

‘O Orgulho’ passou pelo Festival Varilux de Cinema Francês, em junho passado, e chega agora aos cinemas de todo o país.

Trailer


O roteiro é escrito a quatro mãos (Victor Saint-Macary, Yaël Langmann, Noé Debre e Yvan Attal) e esqueleta a produção com muito primor. Os conflitos apresentados vão se resolvendo passo a passo, sem tropeçar um no outro, e o maior deles, claro, é deixado para o final. A direção de Attal impressiona pela maestria de tirar muito mais da história do que ela já reluz e tudo que seus personagens fazem refletem sua boa condução.

Neïla (Jordana) começa a ter aulas particulares com o odioso Pierre (Auteuil) e começa a gostar de suas provocações

Dramas entre professores e alunos são sempre muito adoráveis e este aqui é daqueles que te faz ficar grudadinho na tela para acompanhar o raciocínio dos personagens e seus direcionamentos. De um lado temos um professor sabichão que julga raça, origens e até o jeito de se vestir de uma aluna e do outro temos uma jovem com sede de aprender e se tornar uma excelente juíza. Juntos eles começam a quebrar barreiras e entender melhor um ao outro. Ou até o mundo do outro, diria. 

Jordana, que também é cantora na vida real, tem uma atuação sublime no longa e seu personagem chama atenção pelo bom tom de rebeldia e de querer se provar em um mundo ao qual acaba de cair de cara. Auteuil, por sua vez, eleva o nível dos dramas quando está em cena e apresenta uma interpretação impecável. Assim, tanto a trama quando a dupla que a protagoniza fazem o filme vibrar de bom.
Ficha Técnica: Le Brio, 2018. Direção: Yvan Attal. Roteiro: Victor Saint-Macary, Yaël Langmann, Noé Debre e Yvan Attal. Elenco: Camélia Jordana, Daniel Auteuil, Yasin Houicha, Nozha Khouadra, Nicolas Vaude e Jean-Baptiste Lafarge. Nacionalidade: França e Bélgica. Trilha Sonora: Michael Brook. Fotografia: Rémy Chevrin. Edição: Célia Lafitedupont. Distribuidora: Pandora Filmes. Duração: 95min.


Avaliação: Três discursos inteligentes(3/5 — Bom).

Hoje nos cinemas!

Não recomendado para menores de 12 anos

See Ya!
B-

Escrito por Bárbara Kruczyński

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