Dumbo, de Tim Burton


O clássico dos estúdios Disney, baseado no livro de Helen Aberson e Harold Pear, com direção da dupla Ben Sharpstein e Samuel Armstrong e roteiro da também dupla Joe Grant e Dick Huemer, foi considerado uma obra prima do cinema em 1941. A produção acabou vencendo o Oscar no ano seguinte e retorna agora totalmente repaginado e com a marca fenomenal dos dedos de Midas do criativo diretor, roteirista e produtor Tim Burton.

Desconsidere a fantasia original onde animais falam e tem sentimentos maldosos, esqueça o ratinho falante e que age como um orientador ou ainda os corvos que fazem papel de psicólogos auxiliando o pequeno elefante separado da mãe e sofrendo por ter orelhas grandes a acreditar em si próprio. Não compare mesmo com àquela trama na qual até o trem adquire características humanas. 

Nada disso aparece no universo muito mais adulto escrito por Ehren Kruger e realizado pela genialidade de Tim Burton. Mas espere ver um paquiderme perfeito em computação gráfica, fofo com grandes e expressivos olhos azuis capazes de preencher seu coração de afeto.

A primeira versão, lançada durante os anos quarenta, traz cegonhas entregando bebês e uma futura mãe elefanta aguarda ansiosa por sua encomenda - que sim é Dumbo. E quando este finalmente chega,com suas longas orelhas, as outras elefantas imediatamente o julgam e o excluem. Mas a mãe o defende e o protege com um amor incondicional chegando às vias da loucura.

 Trailer


Agora o remake revela um circo rodando por vários estados norte-americanos e a trama apresenta novamente uma locomotiva que caminha a (e com) história. Todos os elementos circenses estão presentes e ganham nuances espetaculares em um universo Burtoniano riquissimo. Quanto aos personagens, temos o dono do circo, Max Medici, o sempre hilário Dany de Vitto. Este lidera o circo e tira água de pedra para enfrentar a crise e continuar a levar o espetáculo adiante. Uma de suas principais atrações, o número dos cavalos, acaba sofrendo uma baixa inesperada e os animais são postos à venda. A outra estrela do show, Holt Farrier (Colin Farrel) foi servir na guerra e retorna incapacitado. Meio a toda tragédia decorrente, estão seus dois filhos que sofrem com a ausência do pai. O pequeno Joe (Finley Hobbins) e a irmã mais velha Milly (Nico Parker). A mocinha que, aliás, rejeita a ideia de ser artista de circo e quer estudar ciências.

Como vemos, o drama preenche a narrativa e esta se torna consistente. O senhor Medici, ganancioso e esperando conseguir um novo show, compra então uma elefanta prenha. Nasce o bebê Jumbo com suas enormes orelhas de abano, que por ironia do destino, virá a ser chamado de Dumbo.


Ficha Técnica
Titulo original: Dumbo, 2019. Direção: Tim Burton. Roteiro: Ehren Kruger - baseado no personagem criado por Helen Aberson e Harold Pearl. Elenco: Colin Farrell, Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton, Alan Arkin, Nico Parker, Finley Hobbins. Gênero: Ação, aventura, drama, famíliaNacionalidade: Eua. Trilha Sonora: Danny Elfman. Fotografia: Ben Davis. Figurino: Colleen Atwood. Edição: Chris Lebenzon. Distribuição: Disney/Buena vista. Duração: 01h52min.
Décadas e décadas depois de chegar as telas, a fábula está ainda mais atual com sua bela mensagem de aceitação daqueles que são diferentes e do respeito ao próximo. Também diz não ao preconceito, a intolerância e a qualquer forma de discriminação e coloca como relevante a superação frente às adversidades. 

Assim, quando tudo parecer estar perdido é a força interior que fará a diferença. Por fim, um amuleto, uma pena que pode ser considerada "mágica" faz o pequeno elefante superar suas limitações e mostrar ao mundo seu poder. E a platéia boquiaberta vê um elefante voar!

Entre o colorido de balões e um visual de encher os olhos, o pequeno Dumbo dá um show de carisma e fofurice e nos faz perdoar Burton por escolhas incertas em sua carreira. 
O longa também toma tempo para mostrar as vilanias do empresário V.A. Vandevere, personagem do ator Michael Keaton, e sua assistente Collete Marchant, a belissima e talentosa Eva Green. Os dois representam a empresa Dreamland, um parque artístico à altura de uma Disneyland que estão de olho ao que acontece pelas redondezas. 


Outra vertente interessante que a película decide abordar, porém discretamente, é a mensagem de respeito aos direito dos animais. Deixa subentendido que não defende exatamente a ideia de que circos e parques utilizem de animais em seus espetáculos, o que é bem legal.

Reforça também a perspectiva do trabalho em grupo, já que uma família também vira o centro das atenções nesta versão.

Dumbo cresceu em qualidade, em mensagens de auto estima e respeito. Os humanos passaram a ter papel importante. Mas o principal é que Dumbo manteve a doçura, o charme e o carisma de antes.

Logo, encantador é a palavra certa para definir o filme e surge a dúvida se o público sairá da sala com os olhos secos ou marejados.

[Nota da editora: A trilha sonora do filme (escute aqui) é assinada por Danny Elfman e a banda indie Arcade Fire gravou a música ‘Baby Mine’ para a lista de canções da película. Tá Imperdível.]

28 de Março nos cinemas. 

Escrito por Helen Nice

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