Maria Callas - Em Suas Próprias Palavras


"Cantar para mim não é um ato de orgulho, mas uma tentativa de subir aos céus"

O diretor estreante Tom Volf merece palmas por conseguir prender a atenção do espectador por quase duas horas com seu belíssimo documentário contando a vida da cantora de ópera Maria Callas. Como ela mesma diz já no cenas inicias do longa "aqui duas personalidades convivem em um só corpo": Maria e Callas. E é possível ver elas explodirem de maneira surpreendente em sua voz magistral. 

São tantos detalhes que qualquer pormenor que seja dito poderá ser um spoiler e, longe desta, tirar do público a delícia de descobrir os bastidores desta produção revelando esta pessoa e artista apaixonante. Maria que só queria uma família e filhos deu lugar a Callas, pois segundo a própria, nesta profissão é impossível conciliar as duas coisas. 

Única na voz e na maneira de se expressar, ganhou fãs incondicionais, ao mesmo tempo que transparecia arrogância, sinceridade e a fama de tempestuosa.

Trailer

Maria nasceu em Nova York, em 1923, de origem grega, teve o sobrenome de pronúncia difícil - Kalogeropoulos - mudado pelo pai para Callas, já prevendo sua fama. Impulsionada por uma mãe severa, não teve outra alternativa a não ser dedicar-se de corpo e alma ao canto lírico. Perdeu a infância e a juventude, ganhou os palcos e o mundo a seus pés. E ela deixa claro: "destino é destino, não há saída!"

A fama resultou  em um casamento desastroso e as consequências de não ter a liberdade que gostaria. Um amor sincero pelo amigo milionário Aristóteles Onassis, um caso com o mesmo e o triângulo amoroso com Jackie O.

No documentário, o diretor Tom Volf alterna fatos, imagens de época e as maravilhosas apresentações de Maria Callas pelos teatros do mundo e também das belas apresentações realizadas no Metropolitan. Tudo de maneira cronológica com datas e locais. Há também uns poucos relatos de fãs e imagens da amiga e mentora Elvira Hidalgo que tece longos elogios à sua pupila.


Ficha Técnica
Título original: Maria by Callas, 2017. Direção: Tom Volf. Elenco: Fanny Ardant, Maria Callas, Brigitte Bardot. Gênero: Documentário, Biografia. País: França. Edição: Janice Jones. Música: François Fayard, Jean-Guy Veran. Figurino: .Gênero: Drama, documentário. Produção: Thierry Bizot, Emmanuel Chain, Gaël Leiblang, Emmanuelle Lepers, Tom Volf. Distribuidora: Imovision. Duração: 113 minutos. Classificação: 12 anos
Completa o documentário a leitura de algumas cartas escritas por Maria Callas. A voz em off é da musa do cinema francês Fanny Ardant, que já interpretou Callas anteriormente. Problemas de saúde, depressão e o contato tumultuado com jornalistas marcaram a carreira da cantora e ela fora dona de uma voz incomparável também revelando-se ótima atriz e perfeita no contato com as câmeras. 

Ao resumir sua vida, Callas se diz "a tragédia em pessoa" e, resignada, admite ser impossível ser artista e feliz. Passou seus últimos dias em companhia de seus cães, colecionando receitas culinárias.

Sua morte prematura, em 1977, privou-nos desta que foi uma das joias mais raras do mundo das artes.

Dê-se este presente assistindo este belo documentário!

HOJE NOS CINEMAS!

Escrito por Helen Nice

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