A Costureira dos Sonhos


Na última segunda-feira (20), se deu em São Paulo a pré-estreia especialicima do filme "A Costureira de Sonhos". O evento aconteceu no Reserva Cultural e após a apresentação do longa, rolou um bate papo com a pesquisadora, especialista em cinema indiano e profissional de audiovisual Juily Manghirmalani, a jornalista Silvana Holzmeister com mediação de Maria Rita Alonso.

No debate foi possível entender um pouco mais sobre a cultura indiana, a divisão em castas e como as roupas são representativas para a posição social de cada um no país, falou-se também sobre o papel da mulher na sociedade, principalmente a mulher viúva, que é a temática do filme, e ainda a importância dos alfaiates e da moda naquela cultura. Os presentes também participaram de um sorteio de uma máquina Singer (Chic).


O longa estreia esta quinta-feira (23) e conta a história da viúva Ratna (Tillotama Shome), que saiu de seu vilarejo, após permissão de seu sogro, para trabalhar como empregada doméstica em Mumbai, cidade grande com outros costumes e com estilo bem mais "liberal" se comparada com a de sua pacata vila.

O sonho de Ratna é ser estilista, profissão ultra valorizada, e aprender o ofício com um alfaiate famoso. Mas seu 
destino é servir a rica família de Sir -  título em inglês da produção e forma como Ratna trata seu patrão Ashwin (Vivek Gomber), cujo casamento foi cancelado as portas do altar. 

Ashwin se encontra perdido e sem rumo na vida e lhe resta apenas trabalhar na empresa de construção da família e empurrar com a barriga seu sonho de voltar a morar nos EUA.

Estes dois mundos tão distintos e distantes socialmente se encontram e logo nasce uma afeição entre eles, relação que é impossibilitada devido a cultura tradicional das castas.

Direção e roteiro são assinados por Rohena Gera, uma mulher indiana com um histórico de vida semelhante ao que se passa no filme. E Gera
 consegue retratar de maneira bela e sensível a situação da mulher na Índia ao mesmo tempo que nos apresenta um personagem masculino com uma construção rica, pois a jornada de Ashwin fora do país faz com que ele tenha um comportamento menos radical e saiba enxergar a mulher como um ser igual e não inferior e trata-lá com respeito.


Um dos pontos fortes da trama são as cenas nos mercados populares de tecidos e complementos, locais ricos e coloridos, pois na tradição a roupa diz tudo sobre quem você é na escala social.

Ratna demonstra uma certa independência e audácia ao usar diversos acessórios, entre eles pulseiras, e também roupas coloridas (ela não repete os saris durante o filme todo, una boa sacada da figurinista para deixá-la empoderada, apesar de ser viúva e dever respeito à memória do falecido). Ela também chega a ganhar uma máquina de costura do patrão que a impulsiona ainda mais.


A fotografia colorida e fluida retrata bem os costumes culturais indianos. As músicas típicas complementam o quadro alegre e dinâmico e ainda que a trama revele uma história de amor, não espere um Love Story clichê e tradicional com um Happy End comum. A Costureira de Sonhos levanta assuntos importantes e polêmicos e faz pensar sobre a condição feminina. Ratna apesar de respeitar as tradições com as quais foi criada, tem um quê de revolucionária e sabe mostrar seu poder ao tomar decisões nos momentos cruciais. E aí está a beleza da personagem e da narrativa construida.

Por tratar-se de uma obra dirigida por uma mulher, em uma sociedade onde isto ainda não é bem aceito, o ato final não só surpreende como inspira e traz esperança.

O filme também denuncia as questões de trabalho das costureiras na Índia, onde a mão de obra feminina é praticamente escrava.
Trailer

Ficha Técnica
Título original e ano: Sir, 2018. Direção e Roteiro: Rohena Gera. Elenco: Ahmareen Anjum, Vivek Gomberm Geetanjali, Tillotama Shome. Gênero: Drama. País: França, Índia. Fotografia: Dominique Colin. Edição: Jacques Comets, Baptiste Ribrault. Música: Pierre Aviat. Produção: Rohena Gera, Thierry Lenouvel, Rakesh Mehra, Brice Poisson. Distribuição: Imovision. Duração: 99 min. Classificação: a verificar
Vale conferir!

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Escrito por Helen Nice

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