52º Edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro - 2º Dia de Mostra Competitiva



O segundo dia de Mostra Competitiva da 52º edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou menos pavoroso que a abertura do Festival (falamos do ocorrido em nosso instagram, clique aqui) e mais aberto ao dialogo. As equipes apresentaram seus filmes e, claro, comentaram bastante sobre o protesto ocorrido na última sexta-feira (22). Uma das equipes, aliás, usou seu momento de apresentação para ler a carta censurada pelo Governo do Distrito Federal e fez o Cine Brasilia inteiro levantar para bater palmas pela iniciativa. Dito isso... vamos aos comentários das produções exibidas neste domingo de chuva na capital federal. 

Curtas-metragens

Filme: Caranguejo Rei (Ficção, 23 min)

Apresentação da equipe do filme


Filme: Caranguejo Rei (Ficção, 23 min)
Diretores: Enock Carvalho e Matheus Farias
Estado: PE
Classificação indicativa: 12 anos
Exibição: 24/11, às 21h, no Cine Brasília; 24/11, às 20h30, em Planaltina, Samambaia e Recanto das Emas; e 25/11, às 18h, Museu Nacional (Reprise).
O curta da dupla Carvalho e Farias vem de forma fantasiosa. Até surrealista, mas nem por isso, menos interessante. Exige sim reflexão e até um olhar diferenciado já que pode levar a interpretações distintas daqueles que se põe a pensar e não negam a relevância do mesmo.  

Nele, assistimos um empresário e seu time de subordinados achando mil e um caranguejos negros, por seu escritório e pelo edifício de trabalho. Uma das assistentes logo informa ao homem que algo parecido ocorreu ao avô quando àquele estava perto de morrer. A fala faz pensar e traz até certa resposta aos acontecimentos aterrorizantes que se seguem. A transformação do homem e o encontro com o seu destino.

A trama não é fácil para qualquer um, mas sua técnica é brilhante. O som chega a nos deixar surdos e assustar bastante. No mais, falta algo para chegar a ser um pouco do que filmes como 'Mormaço' apresentam. 

Avaliação: Dois crustáceos em plena transformação e meio (2,5/5)  


Filme: Ari y yo (Documentário, 12min29s)
Apresentação da equipe do filme



Diretora: Adriana de Faria
Estado: PA
Classificação indicativa: Livre
Exibição: 24/11, às 21h, no Cine Brasília; 24/11, às 20h30, em Planaltina, Samambaia e Recanto das Emas; e 25/11, às 18h, Museu Nacional (Reprise).


Adriana Faria e seu belo trabalho se materializaram entre as produções da noite e fizeram diferença. Não só por ser do Estado do Pará, já que a maioria dos filmes ali provinham do Rio, mas pela delicadeza com que esta documentou uma pequena menina cubana de nove anos. A diretora conta que o filme nasce da obrigatoriedade de entrega de um trabalho ao final de um curso que fazia em Havana, mas que a interação com a pequena Ari veio por conta do pouco conhecimento que ela tinha da língua do lugar, o espanhol. E Ari foi a ensinando sobre tudo ali. Mercados, edifícios e etc.  

Nos poucos minutos de duração que o filme têm, uma avalanche de emoções saem da tela. Uma alma doce e empolgada nos leva a conhecer sua pequena vila e ali Ari e a cineasta nos mostram mais do que o esperado. A menina é questionada e responde sobre sua vida com uma maturidade impressionante e a troca de figurinhas que, inicialmente, era sobre o aprendizado da língua se torna mais profunda. Não só Adriana ganha o presente de aprender com a ñinha, mas o espectador também. Há momento para o riso e, com certeza, para o abraço. 

Avaliação: Quatro dicionários repletos de amor e sutileza (4/5).  


Longa-metragem

                                                       Filme: A Febre (Ficção, 98 min)
Apresentação da equipe do filme

Diretor: Maya Da-Rin
Estado: RJ

Classificação indicativa: 14 anos
Exibição: 24/11, às 21h, no Cine Brasília; 24/11, às 20h30, em Planaltina, Samambaia e Recanto das Emas; e 25/11, às 18h, no Museu Nacional (Reprise).


A apresentação do filme pela Cineasta Maya Da-Rin não podia ser melhor. Introduziu aos presentes sua equipe, deu tempo de fala a atriz protagonista do filme, Rosa Peixoto, e esta pediu pelos povos indígenas. Na sequência, o produtor do longa, Leonardo Mecchi, leu a carta de protesto dos trabalhadores da cultura do Distrito Federal direcionada ao Governo brasiliense. A mesma que foi censurada na sexta-feira (22). Um ato corajoso e justo. 

O longa de Maya traz a Manaus industrial cercada por água e pela floresta amazônica. Aqueles que lá vivem levam uma vida como a de todo brasileiro, de luta. Com uma população ribeirinha e permeada de descendentes indígenas, se fala no lugar mais de uma língua. A principio, seguimos dois arcos, o de Vanessa, papel de Rosa Peixoto, e o de seu pai, Justino, vivido por Regis Myrupu. Vanessa é enfermeira e não está para brincadeira no trabalho. Justino, que já passa dos quarenta anos, é vigia e controla as cargas no porto da cidade. O homem é viúvo e ao decorrer das cenas acaba descobrindo que a filha passou no vestibular de medicina na capital do País e terá de viajar em poucos meses.

Como grande parte dos filmes no segundo dia de mostra, a fantasia, a comicidade e até um pouco de terror, permeiam a película. Ainda mais quando Justino é tomado por uma febre forte. E esta vai mudar toda a rotina e os dias do nosso protagonista. 

Há muito louvor na direção de Maya e na iniciativa de colocar personagens necessários na tela. Afinal, eles são fortes e precisam de espaço. Ademais, a perspicácia do texto e da direção fizeram a platéia inteira aclamar o filme com assovios e palmas.  


A produção terá distribuição nacional pela Vitrine Filmes, então já é possível conferir um teaser da mesma no canal da distribuidora no youtube.
Teaser do Filme

Avaliação: Três criaturas e meia tribo valente (3,5/5). 

Escrito por Bárbara Kruczyński

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