O Bosque Selvagem, de Travis Knight


Os filmes produzidos pela Laika Studios (entre eles, Coraline, 2009; ParaNorman, 2012; Kubo e as Cordas Mágicas, 2016, e etc) mantêm uma relação extremamente positiva com os cinéfilos, basta acessar as avaliações no Letterboxd para comprovar. Desta maneira, é realmente reconfortante assistir novos longas-metragens frutos de mentes tão criativas e habilidosas na arte do stop-motion. Além do aspecto técnico impecável e fabuloso, estas obras preservam uma identidade única e uma narrativa muito singular, principalmente se tratando de animações.

Em o "Bosque Selvagem", adaptação do livro "Wildwood', de Colin Meloy (Galera Record, 2014), acompanhamos Prue (voz original de Peyton Elizabeth Lee e dublagem de Giulia Benite), uma adolescente em busca de resgatar seu irmãozinho Arthur (voz original de Jake Johnson e dublagem de Daniel Müller), raptado por um bando de corvos e levado para a "Floresta Impassável", um lugar coberto por neblina e intocado pela presença humana. O espaço rapidamente se revela um universo fantasioso, repleto de animais falantes, elementos mágicos e lendas personificadas. É ali que surgem diversos personagens que preencherão a tela de maneira brilhante ao longo de quase todas as duas horas e dez minutos de projeção.

É genuinamente reconfortante testemunhar a dedicação técnica e visual da equipe da Laika. O cuidado com os detalhes no stop-motion é perceptível, e a composição visual em movimento ganhando vida é, sem dúvidas, o grande destaque da película. Vale ressaltar também o impacto da cena de abertura, que estabelece com precisão o tom narrativo e a intensidade emocional da história. Apesar da linguagem acessível ao público infantil, a animação aborda temas e cenas fortes, habilmente amenizados por uma condução sutil e pelo uso eficaz de subtextos.

Crédito de Imagens: Photo by Courtesy of Laika Entertainment - © Laika Entertainment / Imagem Filmes, Divulgação
A produção custou cerca de 100 milhões de dólares, tornando-se o longa em stop-motion mais caro do estúdio desde Link Perdido (2019).

Os pontos fracos do filme concentram-se no excesso de personagens subdesenvolvidos, marcados por conexões frágeis e motivações oscilantes. Embora isso não comprometa toda a estrutura da obra, deixa a sensação de um recorte superficial diante da quantidade de ideias introduzidas. Um roteiro mais contido poderia ter estabelecido relacionamentos e arcos mais sólidos. Além disso, a progressão dos acontecimentos por vezes apela para resoluções forçadas ou simplificadas apenas para mover a trama adiante.

Alguns momentos de respiro entre os conflitos também seriam bem-vindos para absorvermos o peso das consequências, evitando qualquer impressão de correria. Obviamente, nada disso anula a experiência incrível que o longa proporciona. Os protagonistas são instigantes, carismáticos e conduzem uma mensagem poderosa, capaz de envolver e emocionar diferentes públicos.

Trailer


Ficha Técnica

Título Orginal e Ano: Wildwood, 2026. Direção: Travis Knight. Roteiro: Chris Butler - adaptação homônima do livro de Colin Meloy com ilustrações de Carson Ellis. Vozes originais: Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Carey Mulligan, Mahershala Ali, Tantoo Cardinal, Arthur Knight, Jake Johnson, Maya Erskine, Awkwafina, Tom Waits, Charlie Day, Amanda Stenberg, Angela Bassett, Richard E. Grant, Jermaine Clement. Vozes Brasileiras: Giulia Benite, Pedro Burgarelli, Sabrina Miragaia, Francisco Junior, Marize Motta, Daniel Müller, Flavia Saddy, Izabel Lira, Ronaldo Júlio. Gênero: Animação, Aventura. Nacionalidade: Estados Unidos da América, Reino Unido e Canadá. Direção de fotografia: Caleb Deschanel. Direção de arte: Nelson Lowry. Montagem: Christopher Murrie-Green. Música: Dario Marianelli. Supervisão de efeitos visuais: Steve Emerson. Figurino: Deborah Cook. Chefia de personagens e efeitos práticos: Oliver Jones. Direção de prototipagem rápida: Brian McLean. Design principal de personagens: Thibault Leclercq. Chefia de animação: Brad Schiff. Chefia de animação em CG: Benoit Dubuc. Chefia de storyboard: Emanuela Cozzi. Produção: Travis Knight e Sam Wilson. Empresa Produtora: Laika Entertainment. Distribuição: Imagem Filmes. Duração: 02h10min.
O artista de animação, produtor e diretor norte-americano Travis Knight acumula três indicações ao Oscar em sua carreira. Na Laika, fez parte da equipe de animação de sucessos como Coraline (2009) e ParaNorman (2012), estreando na direção de animação com o aclamado Kubo e as Cordas Mágicas (2016). No cinema live-action, comandou os elogiados Bumblebee (2018) e Mestres do Universo (2026). Em breve, ele retornará ao universo do stop-motion na direção de Piranesi.

O Bosque Selvagem se reafirma como um exemplar exemplar da capacidade criativa do estúdio, transformando uma história fantástica com nuances sombrias em uma fábula contemporânea belíssima.

29 de Outubro de 2026 nos Cinemas

Escrito por Leonardo Oliveira

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