Após uma operação fracassada contra traficantes em São Paulo, a policial Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli) é afastada de suas funções. Em meio à frustração, decide viajar até o alto do rio Tapajós para visitar a filha, Luiza (Alice Wegmann), uma jovem médica que atua em uma missão humanitária ao lado do namorado Edenir (Rui Ricardo Diaz).
Na região, comunidades indígenas enfrentam abandono e escassez de assistência, dependendo do apoio da FUNAI e de ONGs para acesso a vacinas, exames e cuidados básicos, situação que desagrada profundamente os grandes proprietários de terras e exploradores ilegais da área. Entre eles está Polaco (Antônio Calloni), um poderoso líder ligado ao garimpo ilegal. Ao descobrir, por meio de infiltrados nos conselhos indígenas, que o grupo de liderado por Edenir busca fortalecer as comunidades locais e denunciar seus crimes ambientais e sociais, ele decide agir.
Polaco pressiona o filho Jadson (Ravel Andrade) a assumir mais responsabilidades nos negócios da família, incentivando-o a resolver o que considera “problemas menores”, embora, na prática, isso envolva violência e intimidação. Enquanto isso, o controle das operações parece, por ora, mais nas mãos do primo impulsivo e brutal (Rodrigo Simas). A situação escala rapidamente quando Jadson, acompanhado de capangas, entre eles Wanderson (Vinicius de Oliveira), invade a aldeia com o objetivo de eliminar o grupo de Edenir. Durante o confronto, Jadson é gravemente ferido e precisa ser socorrido por Luiza, que acaba sendo sequestrada para cuidar do herdeiro enquanto ele se recupera.
Nesse momento, Patrícia já está a caminho da região e se desespera ao descobrir o desaparecimento da filha. Determinada a resgatá-la por conta própria, ela encontra apoio no indígena Mário (Fidelis Baniwa), que a ajuda a se infiltrar disfarçada no território dominado pelos criminosos. Sem poder contar com a ação das autoridades, que permanecem inertes, Patrícia segue sozinha em uma missão arriscada. Sua única ajuda vem do amigo e policial Chagas (Sérgio Menezes), que se aventura pela mata para encontrá-la e tentar tirar mãe e filha daquela situação extrema.
A produção da Star Distribution chegará aos cinemas esta semana e conta com direção de Gustavo Bonafé (O Doutrinador, 2018) e também é distribuído pela Buena Vista International.
Crédito de Imagens: Photo by Rafael Martinelli, Milena Seta e Kaue Zilli - Star Distribution e Buena Vista International © 2025 Star Distribution e Intro Pictures. All rights reserved.
O filme contou com apresentação na "D23 - Uma Experiência Disney", em novembro de 2024, e só agora está estreando nas telas de todo o país
Com passagens como assistente de direção e roteirista, Gustavo Bonafé já demonstrava domínio narrativo em trabalhos como Chocante (2017) e "Legalize Já: Amizade Nunca Morre"(2017), ambos codirigidos por ele. Aqui, no entanto, o diretor dá um passo adiante e entrega um thriller de ação vigoroso, centrado em uma protagonista feminina que não hesita em fazer justiça com as próprias mãos para garantir a segurança da filha. Acerta em cheio e se o público comprar a ideia, tem tudo para ser sucesso.
O filme se sustenta em um ritmo ágil e envolvente, que mantém a tensão mesmo quando certos elementos do roteiro sugerem o destino de alguns personagens. Ainda assim, isso não compromete a experiência; ao contrário, reforça a condução segura de Bonafé, que, junto à equipe, entrega um longa eficiente e instigante. O diferencial está na escolha de colocar mulheres no centro da narrativa, em papéis ativos e estratégicos, dentro de uma dinâmica de ação que soa inteligente e necessária.
O roteiro, assinado por Lucas Vivo García Lagos, Dennison Ramalho, Felipe Berlinck, José Luiz Magalhães e Gustavo Rademacher, oferece bases sólidas para o desenvolvimento dos personagens, permitindo que o elenco construa figuras consistentes e convincentes. Há um bom equilíbrio entre os diferentes núcleos, com destaque para as nuances que emergem tanto entre protagonistas quanto antagonistas. O elenco responde à altura. Desde os atores indígenas até nomes mais conhecidos do grande público, há um trabalho coeso. Giovanna Antonelli, frequentemente associada a papéis mais leves ou românticos, surpreende ao interpretar uma mulher forte, resiliente e movida por um instinto de proteção inabalável. Alice Wegmann, por sua vez, foge do arquétipo da jovem ingênua e compõe uma médica firme, capaz de reagir com coragem diante das adversidades.
No campo dos coadjuvantes, Sérgio Menezes imprime presença mesmo com menos tempo de tela, adicionando peso à narrativa. Entre os antagonistas, Ravel Andrade se destaca ao construir um personagem mais ambíguo, enquanto Rodrigo Simas e Vinicius de Oliveira representam um núcleo mais brutal e direto. Há, contudo, diferenças sutis interessantes: o filho de Polaco surge como uma figura mais deslocada, inclinada ao escapismo e aos excessos, enquanto seu primo e os capangas já estão plenamente assimilados à lógica violenta e degradante do garimpo. A boa atuação de Fidélis Baniwa em entregar um personagem coringa na trama é a cereja do bolo.
Trailer
Ficha Técnica
Título Original e Ano: Rio de Sangue, 2026. Direção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Lucas Vivo García Lagos, Dennison Ramalho, Felipe Berlinck, José Luiz Magalhães, Gustavo Rademacher. Colaboradores do texto: Rubens Marinelli e Gabrielle Siqueira. Elenco: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Gênero: Ação, Thriller, Drama, Crime. Nacionalidade: Brasil. Fotografia: Rafael Martinelli, Milena Seta e Kaue Zilli. Edição: Paulão de Barros, Leticia Giffoni e Marcelo Junqueira. Direção de Arte: Marcos Carvalheiro e Maira Suzuki. Figurino: Alice Canella. Empresas Produtoras: Star Original Productions e Intro Pictures. Distribuição: Buena Vista International e Star Distribution. Duração: 01h46min.
Rio de Sangue deveria ter chegado aos cinemas em 2025, mas seu atraso não inferiu em sua potência e o público poderá conferir nas telas uma super produção com elenco, narrativa e direção afiadas. A própria trilha sonora também joga bem e o resultado final do conjunto é envolvente e impressiona e cativa quem assiste.
0 comments:
Postar um comentário
Pode falar. Nós retribuímos os comentários e respondemos qualquer dúvida. :)