A Ilha Esquecida, de Joel Crawford e Januel P. Mercado

 
Nos anos 90, um encontro entre duas garotas dá início a uma amizade sem igual. Aquele tipo de conexão onde migas dizem logo de cara: “você será minha melhor amiga para sempre”. Josephine Yuson, ou simplesmente “Jo” (voz original de Kayley Crawford e dublagem nacional de Dora Rodrigues), e Raissa Molina (voz original de Kyla Teruel e Helena Violante na dublagem brasileira) se apoiam e se completam. O laço surge quando Raissa começa a contar, durante uma apresentação na escola, ainda pequena, sobre uma ilha misteriosa na qual sua avó, Lola Fátima (voz original de Dolly de Leon e dublagem no Brasil de Cecília Lemes), viveu experiências incríveis depois de ser levada para lá de uma forma inusitada e sem explicação. Ninguém acredita em Raissa, mas Jo acredita, e essa relação se fortalece aos poucos. As duas acabam acompanhando o crescimento uma da outra até chegarem à idade em que precisam trabalhar e ir para a faculdade. 

Enquanto Raissa acaba não acreditando muito em seu talento como desenhista e aceita subempregos em redes de fast-food e no comércio em geral, os pais de Jo a incentivam a estudar e seguir uma carreira acadêmica, já que a garota é superinteligente e esforçada. Raissa até possuía o desejo de se juntar ao pai nos Estados Unidos, mas a promessa de levá-la acaba não se concretizando, e a garota passa a ter apenas a avó como suporte familiar. Como a jovem também está sempre fazendo alguma coisa e se metendo em confusão, os pais de Jo veem essa amizade como algo que pode ser prejudicial. Com o passar dos dias, Raissa logo descobre também que foi a própria amiga quem decidiu estudar fora por conta própria, e não por imposição dos pais. 

Assim, em uma noite em que discutem e entram em conflito na praia, a chave mágica para a ilha Nakali, a ilha misteriosa que um dia elas tanto falaram que queriam conhecer, aparece aos pés das duas. A principio, Jo hesita, mas acaba seguindo a amiga para uma superaventura naquele lugar. Lá, elas conhecem Raww (voz original de Dave Franco e dublagem de Victor Sarro), Batiba (voz original de Jenny Slate e dublagem de Eleonora Prado), a vampira esquelética, assustadora e vilanesca Manang (voz de Lea Salonga no original e de Silvia Suzy na dublagem), o príncipe Sereio (voz de Kevin McCaan no original e de Gustavo Machado no Brasil), o rei Trufo Fucho (voz original de Ronny Chieng e dublagem de Gabriel Noya) e o bebê gigante Bungi (voz de Manny Jacinto no original e Wirley Contaifer na dublagem). Com todos eles, a duplinha vive aventuras inenarráveis. Porém, sofrem um tipo de traição de alguém que achavam ser amigo e acabam tendo que entregar suas memórias a Batiba, que é um demônio e se alimenta das experiências vivenciadas por outras pessoas. Por sua vez, a dupla acaba esquecendo tudo que se passou e precisa reconstruir os acontecimentos desde a chegada à ilha até o momento em que despertam pela manhã, sem saber exatamente o que fizeram.

A animação traz diversas referências a diferentes estilos de anime, resultando em um trabalho impressionante fruto da parceria entre a Dentsu e a DreamWorks Animation, o que torna o filme uma coprodução entre o Japão e os Estados Unidos. A direção é assinada por Joel Crawford e Januel P. Mercado, os mesmos diretores de "Gato de Botas 2: O Último Pedido" (2022).

Crédito de Imagens: © 2026 DreamWorks Animation. All Rights Reserved.
A produção realizou diversas sessões de pré-estreia antecipadas,  somente no Brasil. O evento aconteceu durante a "Semana do Cinema", dando ao público a oportunidade de assistir ao filme em primeira mão, antes do lançamento mundial.

A trama revive os anos 90 com muita cor e detalhes fantásticos que remontam à época: desde a caneta BIC de três cores, muito usada na escola, até o figurino dos personagens, composto por macacões jeans, agasalhos esportivos e tênis icônicos. As personagens femininas surgem bastante empoderadas e fazem a história fluir com naturalidade. Nada é forçado; pelo contrário, há uma construção de personagens muito humanas e vulneráveis, que enfrentam o bullying e a descrença alheia. O texto entrega muita comicidade e, quando o drama entra em cena, o lado mais emotivo do público pode vir à tona. O lobisomem Raww, o Príncipe Sereio e o bebê gigante Bungi também agregam muito à história, enquanto o demônio da memória, Batiba, reforça o quanto as lembranças daqueles que amamos são fundamentais para definir quem somos.

A trilha sonora caminha lado a lado com o ritmo e a narrativa do filme. Músicas como "Don't You (Forget About Me)", do Simple Minds, "Never Tear Us Apart", do INXS, e "Don't Stop Believin'", do Journey, aparecem aqui e ali ao longo da trama, seja em cenas de karaokê ou ao longo da aventura, faixas consagradas que dão o tom perfeito ao longa, inclusive. Além disso, como uma das dubladoras originais é a cantora H.E.R., a produção aproveita em dobro o seu talento artístico e o de sua parceira de cena, Liza Soberano. Elas dividem a canção "BRB", que faz referência ao hábito das protagonistas de deixar post-its assinados com o recado "volto já". A faixa possui uma melodia que lembra "The Promise", da banda When In Rome, embora não haja confirmação de sample, e, coincidentemente, a letra do clássico do final dos anos 80 fala justamente sobre amizade.

Trailer


Ficha Técnica

Título Original e Ano: Forgotten Island, 2026. Direção e Roteiro: Joel Crawford e Januel P. Mercado. Vozes Originais: H.E.R., Liza Soberano, Dave Franco, Kayla Teruel, Kailey Crawford, Lea Salonga, Manny Jacinto, Jenny Slate, Dolly De Leon, Jo Koy, Ronny Chieng, Eugene Cordero, Nico Santos, Januel P. Mercado. Vozes Brasileiras: Isabella Simi, Dora Rodrigues, Pamella Rodrigues, Helena Violante, Victor Sarro, Silvia Suzy, Eleonora Prado, Gustavo Machado, Wirley Contaifer, Duda Ribeiro, Gabriel Noya, Denise Reis, Cecilia Lemes. Trilha Sonora Original: Nathan Matthew David. Edição: James Ryan. Casting: Christi Soper. Design de Produção: Ryan L. Carlson. Supervisor de animação: Willy Harber, Philip Rudolph. Empresas Produtoras: Dentsu e DreamWorks Animation. Distribuidora: Universal Pictures Brasil. Duração: 01h49min.

Os últimos meses de 2026 caminham para os lançamentos que podem disputar o Oscar, e "Forgotten Island" (título original da animação) é, com certeza, um grande acerto do estúdio, com potencial de sobra para brilhar na temporada de premiações. O filme já passou por festivais como o de Annecy, em junho, o Festival Internacional de Cine de Lima PUCP e o Melbourne International Film Festival, ambos em agosto, além do Fantoche International Animation Film Festival, no começo deste mês, prometendo entregar ao público uma experiência cinematográfica que desperta as mais diversas emoções.

"A Ilha Esquecida" é um filme para todas as idades, mas carrega um gostinho especial que até lembra de relance ideias como a que se viu em "Se Beber, Não Case!" (Todd Phillips, 2009-2013) e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (Michel Gondry, 2004), só que para o público jovem.

EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS 

Escrito por Bárbara Kruczyński

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