O gênero de ação no audiovisual já viu dias melhores. Depois de acompanhar durante anos uma baixa no número de produções, a perda de todos os seus potenciais protagonistas para filmes e séries de herói e fantasia e o rebaixamento das grandes estreias em salas de cinema para lançamentos sem entusiasmo em catálogos de streaming, os fãs ouviram a promessa de que talvez Três Horas para Viver pudesse dar um fôlego a esse cenário.
O longa aposta em uma mistura de violência, comédia e corrida contra o tempo. Protagonizado por Alan Ritchson (Reacher, 2022-2026) e com Owen Wilson (Extraordinário, 2017) no papel de sidekick atrapalhado, o filme conta com a expertise de um diretor que conhece bem os mecanismos do cinema de ação (o ex-dublê Scott Waugh - Need For Speed, 2014) para fazer das cenas de luta, capotamentos e tiroteio o seu forte.
O protagonista de Ritchson é Hank Malone, um ex-militar norte-americano que voltou da guerra do Iraque com um estresse pós-traumático que se manifestava principalmente na forma de abuso de álcool. A trama, no entanto, se passa já muitos anos após a guerra e a perda da de uma filha ainda criança fez Hank abandonar o alcoolismo, a violência e - contra sua vontade - seu casamento. No entanto, a necessidade por dinheiro o faz continuar explorando seu porte físico de brucutu para trabalhar às margens da lei como um capanga que transporta cargas valiosas. Assim, em uma das primeiras sequências do filme, Hank acaba por ganhar a companhia de uma espécie de papagaio exótico com valor estimado em um milhão de dólares.
A missão principal da trama se apresenta quando ele encontra o personagem de Owen Wilson em um aeroporto e descobre que precisa fazer uma entrega particularmente delicada: um órgão de compatibilidade raríssima que precisa chegar em um hospital do outro lado da cidade a tempo de salvar a vida de uma garotinha - o que não seria um problema tão grande, não fosse o interesse do chefe de um cartel de drogas extremamente violento nesse mesmo órgão.
Crédito de Imagens: Diamond Films Brasil, Divulgação
Gravado em Queensland, na Austrália, o projeto teve como cenários as cidades de Brisbane e Gold Coast, com filmagens realizadas entre março e maio de 2025.
A urgência do filme é dada intercalando cenas de perseguição e porradaria com a angustiante espera da mãe da paciente no hospital, que vê sua filha piorar minuto a minuto. Para não abandonar o clichê, a garotinha assume o estereótipo loiro, pálido e frágil com óculos muito grossos e comportamento maduro e etéreo. A quebra parcial da fórmula se dá na figura de sua mãe, que ganha suas próprias cenas de ação, não sendo relegada apenas ao papel de donzela em perigo.
A produção parece querer surfar a qualquer custo no hype da audiência brasileira ao não apenas trazer Rodrigo Santoro (O Filho de Mil Homens, 2025) como vilão, mas fazê-lo falar o máximo de português possível sem que o público norte-americano tenha que ler muita legenda. Todos os palavrões e frases de efeito do personagem são ditos em seu idioma materno. A brasilidade soa ainda mais encomendada a toque de caixa pelo fato do personagem comandar uma quadrilha colombiana e ser filho de uma matriarca que só fala espanhol.
Trailer
Ficha Técnica
Título Original e Ano: Runner, 2026. Direção: Scott Waugh. Roteiro: Miles Hubley e Tommy White. Elenco: Alan Ritchson, Owen Wilson, Rodrigo Santoro, Leila George, Kate Box, Peta Sergeant, Cecilia Toussaint, Geraldine Hakewill, Goran D. Kleut, Scarlett Crabtree, Gyton Grantley, Deirdree Wallace. Gênero: Ação, Comédia, Aventura. Nacionalidade: Austrália, Estados Unidos da América e Reino Unido. Trilha Sonora Original: Charlie Nguyen Kim. Fotografia: Lorenzo Senatore. Edição: Matt Villa. Designer de Produção: Enzo Lacono. Direção de Arte: Emma Gracie. Figurino: Direção de Elenco: Nathan Loyd e Thomas Sullivan. Figurinista: Phill Eagles. Empresas Produtoras: 2521 Entertainment, A Higher Standard, AllyCat Entertainment, Bright White Light, Broken Road Productions, G2 Dispatch, Industry Entertainment, International Media Funds Management, Nickel City Pictures. Distribuidora: Diamond Films Brasil. Duração: 01h38min.
O grande trunfo do filme é dar bastante tempo de tela para um ator do calibre de Owen Wilson, que apesar de ser conhecido pelas comédias besterois, já entregou performances inesquecíveis ao longo de sua carreira e parece ter carisma contracenando até com uma parede. O humor que ele carrega até compensa a do pássaro raro, que deveria funcionar como alívio cômico, mas, além de bobo, acaba esquecido em boa parte da história e termina descartado de modo que nos leva a pensar que talvez sua presença fizesse sentido em alguma versão anterior do roteiro, e que acabou ficando por descuido ou apego dos roteiristas.
Três Horas Para Viver não é nenhuma obra de arte, mas é um bom filme de domingo para assistir com o pai, embora sua violência fique no meio do caminho entre um filme de TV e uma obra impactante com cenas gráficas. A câmera frequentemente desvia o olhar justamente quando a brutalidade parece prestes a atingir seu ápice para que a audiência não se restrinja apenas a um público mais velho. O arco batido de um grandalhão de bom coração e poucas palavras com um passado triste dá uma pista de por que as histórias de ação precisam se reinventar um pouco mais para deixarem de ser vistas como um gênero datado.
HOJE NOS CINEMAS





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