Após retratar nos cinemas, de forma leve e reflexiva, a luta de uma mulher contra o câncer de mama em "
Câncer com Ascendente em Virgem",
Rosane Svartman, ao lado de
Carol Minêm, responsável pela série da HBO lançada em 2025, "
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente", retorna às salas de cinema com outro tema igualmente relevante: a luta para vencer o alcoolismo. O drama
(Des)Controle, mais uma vez, é vivido sob a perspectiva feminina. No papel da protagonista,
Kátia Klein, está
Carolina Dieckmann (
O Silêncio do Céu, dir. Marco Dutra, 2016). O elenco conta ainda com
Caco Ciocler, Júlia Rabello, Irene Ravache, Daniel Filho, Iafa Britz, Janamô, Felipe Haiut, entre outros nomes.
Trata-se do retrato de uma mulher à beira do abismo, pressionada pela necessidade de manter tudo sob controle: filhos, marido, carreira, casa, enquanto sustenta uma sobriedade de quinze anos. Kátia Klein, escritora de livros infantis de sucesso, carrega uma luta difícil cujos impactos reverberam não apenas em sua própria vida, mas também na de seus filhos e de todos ao seu redor. Em determinado momento, ela é encontrada deitada em um chafariz no meio de uma praça, vestindo um traje de festa, com o rosto manchado e uma garrafa de vinho na mão. Um despertar para a realidade que escancara suas vulnerabilidades. A fotografia de Mauro Pinheiro Jr., desde os primeiros instantes, deixa claro a que veio, situando o espectador no universo proposto. Kátia não sabe como foi parar ali e, ao ser abordada por um guarda que afirma que ela está alcoolizada, reage prontamente: “Eu não bebo. Há quinze anos que eu não bebo.”
A trama apresenta, depois disso, essa mãe quase que rigida, certinha demais, que precisa dar conta de tudo. Ela está fazendo o café da manhã, ao mesmo tempo que auxiliar o dever de casa do filho mais novo, e ainda faz uma encomenda em um sexshop. Muito atarefada, ela troca tudo que estava fazendo. No endereço da entrega, ela insere os dados do escritório da editora de seu livro. Já a vitamina que batia, joga itens do trabalho escolar do filho, e esse último é preenchido com morangos. Estes são alguns dos conflitos que a mulher vivencia. Aparentemente, casada com Zeca (Caco Ciocler), mas a parceria não se concretiza e ela tem que dar conta de tudo sozinha. Tendo ainda que ir à reunião de pais e escrever seu livro novo. O marido demanda dela atenção, mas não faz muito para tirar de suas costas alguma responsabilidade. Brigas vem à tona, principalmente, quando ela é surpreendida com uma festa de aniversário de casamento e uma viagem de casal. Zeca quer ser um dos itens na lista que demanda tanta atenção de Kátia, mas Katia quer tentar seguir com suas tarefas.
Crédito de Imagens: Migdal Films / Elo Studios, Sony Pictures Brasil - Divulgação O transtorno vivido pela personagem de Carolina Dieckmmann no filme é um problema de muitas famílias brasileiras. Conhece alguém que precisa de ajuda, contate o A.A
Representando a mulher moderna, que equilibra todas as esferas da vida com aparente perfeição, a escritora se encontra em uma situação delicada. Ela também precisa de ajuda, mas reluta em pedir, seja por se considerar independente, seja por não querer expor suas fragilidades. Por outro lado, quando o parceiro acredita que é necessário ser solicitado para cumprir qualquer tarefa, até mesmo algo simples como participar de uma reunião dos filhos, acaba por desempenhar o papel de um marido aquém do esperado, ao não compartilhar de forma equitativa as responsabilidades inerentes ao casamento. Os dois sabem que o relacionamento acabou muito antes disso. Amigavelmente decidem se separar. E pronto. Katia precisa redescobrir a vida sexual. Mas essa liberdade recém ganhada não afasta dela a rigidez de sempre e a necessidade do controle. De pouco em pouco, a pressão que ela se impõem vai aumentando, assim como a vontade de sucumbir ao álcool.
Entre os preparativos para o Bat Mitzvah do filho mais novo, reuniões de pais, o bloqueio criativo, a vida sexual e tantas outras coisas, Katia encontra conforto no copo. E depois vai partindo para a noitada, tentando equilibrar a vida da mulher respeitada, com uma reputação a perder e filhos para cuidar, na sua versão bêbada. Aliás, decide gravar vídeos para a sua versão sóbria e controlada, com “conselhos” debochados sobre como viver a vida e ser mais relaxada. Tudo isso enquanto nega que é viciada.
Trailer
Ficha Técnica
Título original e Ano: (Des)controle, 2025. Direção: Rosane Svartman e Carol Minêm. Roteiro: Felipe Sholl, Rosane Svartman e Iafa Britz. Colaboração no roteiro: Bia Crespo e Gabriel Meyohas. Argumento: Iafa Britz. Elenco: Carolina Dieckmmann, Caco Ciocler, Júlia Rabello, Irene Ravache, Daniel Filho, Betina Vianny, Rafael Fuchs Mûller, Manu Guimarães, Assucena Assucena, Hugo Camizão, Thierry Tremouroux, Karla Tenório, Gabriela Sandoval, Mouhamed Hardfouch. Gênero: Drama. Nacionalidade: Braisl. Trilha Sonora Original: Ruben Feffer e Gustavo Monteiro. Direção de Fotografia: Mauro Pinheiro Jr, ABC. Direção de Arte: André Weller. Figurino: Márcia Tacsir e Mel Akerman. Montagem: Marcelo Moraes, edt.. Produção: Iafa Britz e Sabrina Nudeliman Wagon. Produção Executiva: Bárbara Isabella Rocha e Mauro Pizzo. Produção: Migdal Filmes. Coprodução: Elo Studios, Sony Pictures Brasil, RioFilme. Apoio: Globo Filmes. Distribuição: Elo Studios, Sony Pictures Brasil. Duração:
Carolina Dieckmmann está muito bem na pele dessa mulher que luta contra seus demônios e tem horror a pedir ajuda. Ela se orgulha de dizer que parou de beber há 15 anos sozinha, sem precisar ir a um grupo de "Alcoólicos Anônimos". As tremedeiras e os momentos de vulnerabilidade são arrasadores e o público sente toda a virada de chave na cabeça dessa personagem que só quer saciar a vontade de beber e acaba consumida por um monstro. Metáfora utilizada por ela em uma cena linda com os filhos, em que depois de um acidente, admite que está doente.
O texto e a condução notável das diretoras consegue evidenciar como alguém pode chegar a tal situação no decorrer da vida. É emocionante, honesto e sensível ao abordar os dilemas vividos por quem para por tais momentos e se sente aprisionado. Também leva em conta como quem está perto pode ser atingido e sofrer junto visto o desespero de acompanhar certas cenas e acontecimento. Assim, ao mesmo tempo que parece que o alcoólatra tem a situação sob controle, pode estar pedido e por ser mulher chega a por sua vida e bem estar em risco diversas vezes.
Depois de um incidente causado por sua versão bêbada, Katia chega a dolorosa conclusão de que precisa sim, pedir ajuda e vai parar em uma reunião do A.A. No lugar, depoimentos impactantes e delicados, revelam que o alcoolismo é a “doença da negação”. Por fim, o filme é concluído não com as respostas para o vício da protagonista, mas com ela encontrando apoio familiar e uma vida em que a luta contra o vício será diária, mas será vivida um dia de cada vez.
(Des)Controle estréia em todo o Brasil na aguardada "Semana dos Cinema" onde a audiência poderá acessar a produção ao preço de R$ 10,00. A película, que passou pelo Festival do Rio no último ano, tem realização da Migdal Filmes, em parceria com a Elo Studios, Sony Pictures e Rio Filme, apoio da Globo Filmes e chega aos cinemas pela Elo Studios e a Sony Pictures Brasil. A película conta também com Fundo Setorial do Audiovisual.
HOJE NOS CINEMAS
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