A família Platt, moradora da Rua Oak, está longe de ser tão perfeita quanto aparenta. Durante um dia aparentemente comum no bairro, compartilhado com diversas outras famílias, as tensões dentro de casa começam a vir à tona. Greg (Ewan McGregor) e Denise (Anne Hathaway) já não conseguem se entender. Enquanto ele esconde da esposa que perdeu o emprego e passou a trabalhar como entregador de pizzas, ela se refugia na ficção, escrevendo sobre personagens que sonham em abandonar tudo para começar uma nova vida. Os filhos do casal, Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery), tentam lidar com os próprios conflitos enquanto buscam se aproximar de outras crianças e adolescentes da vizinhança. No meio de tudo isso está o adorável Starbucks, o cachorro da família, que vive escapando de casa e, para desespero dos Platt, acaba fazendo bagunça pelas redondezas e o vizinho Mel (P.J. Byrne) acredita que tem sido feito de bobo por todos eles, pois pilhas enormes de fezes tem ido parar em seu quintal.
Por sua vez, os dias e as noites da vizinhança passam a ser marcados por constantes apagões, o desaparecimento do cãozinho, luzes intensas e muita chuva, além do surgimento inexplicável de plantas pré-históricas pelas ruas do bairro. O que parecia serem apenas situações derivadas de ocorridos inusitados começa, aos poucos, a ganhar contornos cada vez mais estranhos e inquietantes. Com a queda de energia, a família decide dormir na sala e ao acordar percebem que também estão sem água e Starbucks mais uma vez sumiu. O casal então sai em busca do cachorro pelo bairro e notam buracos com água quente eclodindo e ninguém andando pelas ruas. Em casa, Audrey, que ficou com o irmão, observa o vizinho da frente sair de carro. Pouco depois, ele retorna correndo para dentro da residência. Intrigada, a garota olha pela janela e avista uma criatura gigantesca caminhando pelas ruas, mas não consegue identificar exatamente o que está vendo, pois não a vê por completo. Enquanto isso, Greg e Denise se deparam com corpos espalhados pelo caminho e retornam desesperadamente para o domicilio, pois estão sendo perseguidos por dois dinossauros de porte médio, mas extremamente ferozes. Diante do perigo, a família decide fugir da vizinhança. O problema é que cada tentativa de encontrar uma rota de saída é frustrada por algum novo obstáculo: pântanos que surgem repentinamente, animais pré-históricos e outras ameaças que parecem se multiplicar a cada esquina. Sem saber para onde ir, os Platt retornam para casa, bloqueiam todas as entradas possíveis e transformam a residência em um improvisado refúgio, na esperança de permanecerem protegidos dos perigos que agora dominam o bairro. Brian, porém, decide que não vai abandonar Starbucks e parte em busca do cachorro a qualquer custo. Audrey, preocupada com o irmão, o segue. Os dois encontram a jovem Jeannette (Jordan Alexis Davis) e decidem ficar junto dela, pois a garota perdeu os pais e está sozinha. Logo, Denise e Greg saem à procura dos filhos, e a família acaba se reencontrando em meio a uma verdadeira jornada de sobrevivência. A partir daí, o quarteto se vê diante de uma série de aventuras perigosas e situações cada vez mais imprevisíveis, enquanto tenta compreender o que aconteceu com o bairro e encontrar uma maneira de escapar daquele estranho e ameaçador novo mundo pré-histórico que passou a ser sua casa.
O Fim da Rua tem distribuição da Warner Bros. Pictures, conta com roteiro e direção de David Robert Mitchel (A Corrente do Mal, de 2014), produção de J.J. Abrams (Lost, 2004-2010) e perfomances de Anne Hathaway, Ewan McGregor, Christian Convery, Maisy Stella e Jordan Alexa Davis.
Trailer
Ficha Técnica
Título Original e Ano: The End of Oak Street, 2026. Direção e Roteiro: David Robert Mitchell. Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Christian Convery, Maisy Stella, Jordan Alexa Davis, P.J. Byrne, Hudson Meek, Anne Gee Byrd, Emily Kuroda, Simms May, Grayson Thorne, Pilot Bunch. Gênero: Sci-Fi, Thriller, Ação, Aventura. Nacionalidade: EUA. Trilha Sonora Original: Michael Giacchino. Fotografia: Mike Gioulakis. Edição: John Axelrad. Design de Produção: Maya Shimoguchi. Direção de Arte: Kevin Houlihan e Elizabeth Wedding. Figurino: Erin Benach. Efeitos Especiais: J.D. Schwalm. Empresas Produtoras: Bad Robot, Good Fear Content, Jackson Pictures, Tommy Harper Productions e Warner Bros. Pictures. Distribuidora: Warner Bros. Pictures. Duração: 01h39min.
O longa parte de um propósito bastante claro, e que merece ser valorizado: divertir o público e fazê-lo torcer pelos protagonistas. E não é difícil se envolver com a família Platt, especialmente quando a torcida passa a ser para que ninguém seja tragicamente devorado pelos dinossauros sorrateiros que surgem pelas janelas ou aparecem de maneira inesperada, proporcionando algumas das cenas de maior impacto do filme. Além das ameaças pré-históricas, há outra preocupação que acompanha o espectador durante boa parte da trama: a segurança de Starbucks, o doguinho da família. Seu desaparecimento recorrente faz com que a busca pelo animal se transforme em um dos elementos que ajudam a conduzir a aventura e, naturalmente, mantém o público apreensivo.
As possíveis dúvidas sobre como o bairro consegue se deslocar geograficamente para um passado pré-histórico também encontram uma explicação relativamente simples dentro da própria narrativa. Audrey apresenta a teoria dos “buracos no tempo”, recurso que permite ao filme explicar sua premissa fantástica sem transformar a história em uma longa exposição científica. Os conflitos vividos pelos filhos também encontra destaque dentro da aventura. A dificuldade de Audrey em fazer amigos e as perseguições e situações de bullying enfrentadas por Brian são incorporadas à trama de maneira orgânica e ganham seus devidos desdobramentos ao longo da história. Nada parece simplesmente ser esquecido pelo roteiro. No fim das contas, é justamente diante do perigo que a família consegue se unir para sobreviver. As antigas desavenças e os problemas que pareciam tão importantes antes da aventura acabam perdendo completamente a relevância diante da necessidade de permanecerem vivos naquele passado-presente. O grupo, entretanto, não atravessa essa jornada sem perdas. Há momentos dolorosos ao longo da corrida por sobrevivência, mas o retorno a 1982 abre uma nova possibilidade: a de tentar alterar os acontecimentos e, quem sabe, impedir que algumas dessas perdas sejam definitivas.
Crédito de Imagens: © 2026 Warner Bros. Ent. All Rights Reserved
A produção inicia sua janela de estreia nesta semana, com lançamentos previstos em diferentes mercados. A última estreia está programada para 29 de agosto, em Belarus.
Há uma escolha bastante interessante na construção dos “vilões” do filme. Para quem já está acostumado aos temidos dinossauros das obras de Steven Spielberg, a ameaça aqui ganha novos contornos: além do inevitável Tiranossauro Rex e de outras criaturas de grande porte, o público precisa lidar com cobras gigantescas, jacarés pré-históricos que ficam em pé e outros animais capazes de provocar bons sustos. Nem todas as criaturas, porém, estão interessadas em perseguir os protagonistas. Em meio ao suspense e a jornada para encontrar um lugar seguro, o filme entrega leveza com um pouco de humor. Acontece que dois enormes dinossauros herbívoros são vistos acasalando nas proximidades da casa onde Greg e Denise finalmente veem os filhos e a nova amiga, Jeannette. A situação quebra momentaneamente a tensão, provoca boas risadas entre eles e ainda rende a Greg uma lembrança fotográfica.
Não há muito o que reclamar dos efeitos visuais. O CGI entrega criaturas bastante convincentes, com um nível de detalhamento que contribui para tornar os dinossauros e demais animais pré-históricos ainda mais ameaçadores. Os cenários também desempenham um papel importante nessa construção, seja ao reproduzir as florestas pré-históricas, seja ao recriar com cuidado os diferentes elementos que ajudam a transportar o espectador para o início dos anos 80. A trilha sonora, composta por Michael Giacchino, se encaixa muito bem na narrativa e ganha força principalmente nos momentos de maior tensão, ajudando a ampliar a sensação de perigo e suspense. Além da trilha original, o filme aposta em uma seleção de canções que ajudam a ambientar a época, com faixas de artistas como Pat Benatar, The Vapors, The Secrets, The Cars e Jack Jones. Em determinado momento, “Valerie”, de Steve Winwood, ganha um destaque especial e se torna uma das escolhas musicais mais marcantes da produção.
“O Fim da Rua” evidencia uma mensagem bastante humana: às vezes, a vida nos leva de volta ao passado para que possamos reavaliar o presente e repensar o futuro. Em meio a dinossauros, perigos e situações absurdas, a película encontra então tempo para falar sobre família, amizade, escolhas e a importância de valorizar quem está ao nosso lado. Ademais, talvez seja justamente o retorno ao passado que permita aos personagens perceberem que, quando existe amor, união e disposição para recomeçar, quase sempre é possível encontrar uma maneira de tornar as coisas melhores.
Avaliação: Três basiliscos pré históricos e oitenta bicicletas vermelhas! (3.80/5)
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