A comédia “Agentes Muito Especiais”, que chega aos cinemas nesta semana, nasceu de uma ideia dos atores e comediantes Paulo Gustavo e Marcus Majella, parceiros de cena e amigos de longa data. Paulo Gustavo faleceu em 2021, durante a pandemia da COVID-19, mas sua mãe, Dona Déa, fez questão de manter o projeto vivo, incentivando Majella a seguir adiante com o filme que ambos haviam iniciado juntos. A produção ganha ainda mais significado ao reunir amigos e familiares de Paulo Gustavo em pequenas participações, ampliando o sentido de continuidade e afeto que envolve a obra. Entre eles estão a amiga e supermodelo Carol Trentini, a irmã do ator, Ju Amaral (produtora, assistente de direção e que recentemente também estreou como atriz), além da também amiga e atriz Malu Valle. O elenco se completa com Pedroca Monteiro, Dira Paes, Chico Diaz, Bárbara Reis, Demétrio Nascimento, Dudu Azevedo, Big Jaum, Saulo Arcoverde e Saulo Segreto, formando um conjunto diverso e afinado que reforça o espírito coletivo do projeto.
Com direção de Petro Antonio, responsável pela comédia romântica criativa “Evidências do Amor” (2023), o filme acompanha os policiais Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro). Jeff é um agente cheio de marra que investe em boas roupas, não abre mão do cuidado com o cabelo e faz questão de falar alto com bandidos. Johnny, por outro lado, é doce e retraído, ainda mora com a mãe, Marister (Malu Valle), e carrega uma timidez que se reflete também na dificuldade de assumir, para os outros e para si mesmo, que gosta de garotos. Ambos são policiais gays, mas em momentos muito diferentes de suas jornadas pessoais. A parceria entre eles acontece quando a corporação abre um concurso para a criação da "COIP - Centro de Operações de Inteligência da Polícia", incentivando inscrições de agentes de diferentes esferas, municipais e federais. Jeff enxerga ali uma oportunidade clara de ascensão profissional; Johnny, por sua vez, é inscrito pela própria mãe, que decide empurrar o filho para fora da zona de conforto e fazê-lo criar asas.
Durante o treinamento, os dois vão conquistando posições de destaque, ainda que não se tornem amigos de imediato. É justamente o processo intenso de preparação que acaba aproximando a dupla. O Comandante Queiroz (Chico Diaz) e a policial Nanda (Bárbara Reis) demonstram resistência inicial em relação aos dois, mas logo passam a reconhecer o potencial da parceria e sua sagacidade para missões especiais. A primeira grande missão de Jeff e Johnny é se infiltrar na gangue da Onça, vilã vivida pela maravilhosa Dira Paes. Seu bando, formado pelo musculoso Davi (Dudu Azevedo), por Mona (Big Jaum), Bola (Saulo Arcoverde) e Big (Saulo Segreto), está preso, aguardando a oportunidade ideal para fugir. A dupla, então, se infiltra na cadeia com o objetivo de ganhar a confiança dos criminosos e chegar até sua líder. Jeff logo percebe que a missão não será simples: ele e Johnny precisam sustentar uma postura de “caras durões”, enquanto o Comandante Queiroz parece tê-los deixado à própria sorte. Já tendo feito amizade com os alvos, principalmente Davi, Jeff elabora um plano de fuga para dar andamento à operação. Em pouco tempo, todos escapam da prisão e seguem para o QG da gangue. Lá, Juninho (Demétrio Nascimento) recebe o grupo e conduz a dupla diretamente até a Onça para reconhecimento e aprovação. A vilã se encanta com os dois e os aceita no bando, convencida de que, segundo sua visão afiada e irônica, falta mesmo inteligência aos homens héteros.
Crédito de Imagens: A Fábrica, Na Paralela e Migdal Filmes - Downtown Filmes / Divulgação
Paulo Gustavo não aparece no filme, mas a interpretação de Marcus e Pedroca enaltece muito o trabalho do ator e ele se torna onipresente aqui
O público sempre esteve acostumado a ver atores como Mel Gibson (Máquina Mortífera, 1987–2028) e Will Smith (Bad Boys, 1995–2024), entre tantos outros de Hollywood, interpretando policiais em filmes de ação nos quais o componente emocional surgia, quase sempre, a partir da parceria entre dois agentes. Esses contrapontos eram vividos por nomes como Danny Glover e Martin Lawrence. Nessas produções, os protagonistas precisavam exibir virilidade, assumir posturas de “brucutus” ou ainda sustentar algum par romântico que pouco acrescentava à narrativa, já que tais relações raramente tinham impacto real na trama, filmes pensados majoritariamente para um público masculino.
No longa idealizado por Paulo Gustavo e Marcus Majella, os papéis masculinos não são exatamente desconstruídos, mas ressignificados. Aqui, homens gays ocupam profissões tradicionalmente vistas como “inadequadas” para eles, especialmente em ambientes marcados pelo militarismo, frequentemente associado à homofobia e à negação da presença LGBT em suas próprias fileiras. O filme, no entanto, molda esses personagens de forma afirmativa e empoderada, inserindo-os com naturalidade em um gênero que historicamente os excluiu.
Paulo Gustavo nunca foi um ativista político explícito, tampouco Majella, mas, por meio do humor desenvolvido ao longo de filmes e séries de televisão, a dupla sempre trouxe reflexões importantes de maneira leve e acessível. Agentes Muito Especiais faz exatamente isso: em um tom descontraído, introduz diversidade em um gênero que raramente a contempla e permite que um homem gay, de forma divertida, expresse emoções reprimidas, algo que nem sempre lhe é exigido, mas que pode ser libertador e profundamente humano.
Trailer
Ficha Técnica
Ttítulo Original e Ano: Agentes Muito Especiais, 2025. Dirigido por: Pedro Antonio. Roteiro: Fil Braz. Ideia original: Paulo Gustavo e Marcus Majella. Argumento: Paulo Gustavo, Renato Fagundes, João Paulo Horta e Fil Braz. Elenco: Marcus Majella, Pedroca Monteiro, Dira Paes, Malu Valle, Chico Diaz, Bárbara Reis, Demétrio Nascimento, Dudu Azevedo, Big Jaum, Saulo Arcoverde, Saulo Segreto, Ju Amaral. Gênero: Comédia. Nacionalidade: Brasil. Diretor Assistente: Zaga Martelletto. Diretor de Fotografia: Pedro Faerstein. Diretora de Arte: Joana Mureb. Figurinista: Reka Koves. Caracterização: Mariah Freitas. Elenco por: Ciça Castello. Supervisão de Roteiro: Pedro Antonio. Música Original: Daniel Simitan. Som Direto: Frederico Massine. Produção: Migdal Filmes, A Fábrica e Na Paralela Filmes. Produtoras Executivas: Samanta Moraes, Katiuscha Mello, Clara Machado e Clarissa Lobo. Produzido por: Cecilia Grosso, Iafa Britz e Luiz Noronha. Coprodução: Globo Filmes. Investimento: Fundo Setorial do Audiovisual, do Funcine Tim e Globo. Distribuição: Downtown Filmes
O filme diverte e entrega performances muito engraçadas de Pedroca Monteiro e Marcus Majella, além de nos brindar com Dira Paes em uma vilã moderna e cheia de presença. Aliás, embora ela não contracene diretamente com Chico Diaz, os dois acabam se reencontrando na tela após terem atuado juntos nos clássicos Corisco & Dadá (1996) e Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio (2002), ambos dirigidos por Rosemberg Cariry.
HOJE NOS CINEMAS
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